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Viernes 22 de Noviembre de 2019
18:14 hs.

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GOVERNO BOLSONARO
Novo Ministro da Educação defendeu que universidades do Nordeste abolissem filosofia e sociologia
Ítalo Garcia

Bolsonaro declarou desde o início do seu mandato que não seria o Presidente do Nordeste, construiu sua fama em declarações xenófobas e não à toa, perdeu as eleições nesta região. Justamente nessa região, marcada pelo desemprego e miséria, não devessem lecionar sociologia e filosofia nas universidades.

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Abraham Weintraub, novo titular do MEC, em declarações passadas, defendeu que as universidades do Nordeste devessem ficar sem sociologia e filosofia. Ele se diz “militante de direita” e contra o “marxismo cultural”. Um olavista e evangélico que trabalha contra a liberdade científica e crítica, ao mesmo tempo em que é formado nos Estados Unidos, um economista do mercado financeiro aliado estratégico do imperialismo para aprovar a Reforma da Previdência.

A declaração de Weintraub aconteceu durante uma transmissão ao vivo em setembro do ano passado, em que fazia propaganda das parcerias tecnológicas com o Estado assassino de Israel:

"Em Israel, o Jair Bolsonaro tem um monte de parcerias para trazer tecnologia aqui para o Brasil. Em vez de as universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com Israel. Acabar com esse ódio de Israel. Israel, nas faculdades federais, é loucura o que você escuta, né?"

O ex-diretor do Banco Votorantim, colaborador das propostas da Reforma da Previdência que nos querem fazer trabalhar até morrer, assume a frente do MEC para fazer vigorar a Teoria da Prosperidade contra a liberdade científica e crítica. Sua declaração mira as universidades da única região do país que derrotou Bolsonaro nas urnas, em que diversos eventos acadêmicos conseguem abordar minimamente problemas sensíveis que vive a população e os próprios alunos.

No 28 de Abril de 2017, as capitais e rodovias do Nordeste amanheceram paralisadas e bloqueadas. Durante as manifestações contra Bolsonaro nas eleições manipuladas do ano passado, dezenas de milhares demonstraram sua disposição de luta. A oportunidade de ensino, ainda que em expansão precária e viés privatizador, somente foi possível a partir de um notório crescimento econômico nos governos do PT que garantiu as insuficientes vagas nas instituições de ensino superior gratuito. Garantiu acesso a um setor da juventude (sobretudo operária) ao ensino superior pela via do endividamento e financiamento da expansão do ensino superior privado, precário, muitos ligados a grupos evangélicos.

Bolsonaro quer radicalizar até mesmo contra essas concessões e expandir esse programa de ensino privado com um trator de obscurantismo, pois sabe que a juventude ainda fala muito de política, e não vai aceitar calada seus ataques.

A queda de Velez é fruto maduro das crises que gerou com olavistas e militares no ministério, de modo que a entrada de um economista versado no imperialismo como Weintraub tem por objetivo levar a cabo o obscurantismo e o privatismo para o ensino público. Além disso, ele foi escolhido sob a justificativa de ajudar com a Reforma da Previdência, garantindo votos tucanos na proposta.

Por sua vez, é escandaloso o fato de que os quatro governadores do PT, todos da região Nordeste, Fátima Bezerra (PT-RN), Camilo Santana (PT-CE), Wellington Dias (PT-PI), Jaques Wagner (PT-BA), decidiram dialogar com Bolsonaro sobre a reforma da previdência, propondo apoiar a proposta, com alguns vetos. Ou seja, com um discurso de oposição à reforma, está escolhendo deixar passar o aumento na idade mínima, no tempo de contribuição, enfim, que trabalhemos até morrer, negociando pontos como a capitalização, aposentadoria rural e as mudanças no BPC.

Para isso, utiliza da inserção em dezenas de milhares de sindicatos pelo país, através da CUT e aliadas como CTB, junto às patronais Força e UGT, não para organizar um plano de lutas contra a Reforma da previdência, mas para dizer que a reforma cairá sozinha, pelas crises do governo e boicotar qualquer proposta de assembleia, muito menos alguma proposta de combate.

A juventude e os trabalhadores não vão aceitar os ataques que propõe Bolsonaro e os capitalistas do seu governo, nem a miséria de uma reforma na reforma da previdência, de um ensino privado precário e dívidas com os tubarões do ensino. A juventude merece a estatização de cada universidade privada como caminho para abolição do vestibular, sob gestão estudantil e operária. Chega de cortar da educação e da aposentadoria para pagar dívida com capitalista, não ao pagamento da dívida pública!

Nos DCEs das universidades privadas, federais e estaduais de todo o país, a UNE, via UJS, e juventudes petistas, adiam há tempos a organização da luta estudantil contra a reforma da previdência, em defesa da ciência, da pesquisa, das escolas, desde o dia 8 de março boicotando assembleias e espaços que pudessem unificar os estudantes ao lado dos trabalhadores, como poderia ter sido proposto para o dia 22 de março (que contou novamente com o boicote das próprias centrais).

A oposição de esquerda da UNE, hoje composta por correntes do PSOL, PCB não tem cumprido o papel de exigir que a direção da UNE organize de fato os estudantes, o que fica claro com a longa paralisia da entidade, desde antes do golpe institucional, em 2016.

O Congresso da UNE de 2019 deveria servir para organizar essa luta, mas para isso é preciso construir uma força estudantil antiburocrática e anticapitalista, por que não aceitaremos trabalhar até morrer, apesar do PT aceitar, e da UNE desmoralizar os estudantes e nas assembleias, acusando-os que não lutam, enquanto escondem dos estudantes o seu potencial de luta.

 
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