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Miércoles 20 de Noviembre de 2019
09:02 hs.

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ALAGAMENTOS NO RIO DE JANEIRO
Reitorias da UERJ, PUC, UFRJ e UFF cancelam aulas, mas obrigam terceirizados a trabalhar
Pedro Cheuiche

Depois das fortes chuvas e enchentes que já deixaram 3 mortos no Rio, os trabalhadores terceirizados estão tendo expediente normal nas principais universidades cariocas.

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Nas principais universidades do Rio de Janeiro os trabalhadores terceirizados são os mais castigados pelas chuvas. Cada trabalhador terceirizado trabalha em média 3 horas a mais por semana que um efetivo, recebendo em média 24,7% a menos. A maioria dessa categoria é composta por mulheres negras. Depois dos alagamentos causados pelo descaso da prefeitura, tiveram de sair de suas casas debaixo de chuva, ainda de madrugada, para estar em seu local de trabalho cedo pela manhã.

A PUC-Rio cancelou as aulas para os estudantes por volta das 23h30 de ontem, dia 8 de abril, e foi disponibilizado um auditório para quem não conseguiu deixar o local. Muitas pessoas só conseguiram deixar o local de manhã pelo alagamento que ocorreu na universidade e cercanias. Os funcionários efetivos tiveram que ir trabalhar e só foram liberados hoje, dia 9 de abril, as 10:59. Já os terceirizados, os mais penalizados, estão em expediente normal. As duas empresas, Angel´s e Sodexo, não liberaram seus funcionários e nem a reitoria fez nada a respeito.

Na UERJ, as aulas foram canceladas. Somente os serviços essenciais da administração e do Hospital Pedro Ernesto se mantiveram funcionando. No entanto, os trabalhadores terceirizados estão com expediente normal.

Os servidores da UFRJ dos campi no Rio de Janeiro e Duque de Caxias tiveram ponto facultativo. As aulas foram canceladas. Os serviços essenciais, como funcionamento das unidades hospitalares, estão mantidos. O Restaurante Universitário Central está funcionando e os funcionários terceirizados estão tendo que trabalhar normalmente.

Na UFF, foi declarado ponto facultativo para os servidores e ficou a cargo dos institutos o cancelamento ou não das aulas. Só os serviços essenciais estão mantidos. Alguns dos terceirizados, no entanto, terão de trabalhar. Vigias da empresa Croll estão tendo de ir trabalhar mesmo com os salários atrasados. Os funcionários terceirizados da limpeza e do BUSUFF foram liberados.

No dia de ontem, 8 de abril, a categoria votou em assembleia indicativo de greve pelo atraso de salário do mês de março que não havia sido pago pela empresa Luso-Brasileiro. No dia de hoje há notícia do recebimento dos salários. Foi a segunda vez só esse ano estiveram atrasados.

Exigimos a liberação imediata desses trabalhadores! Empresas e reitorias da UFF, PUC-RIO, UERJ e UFRJ são responsáveis pelo sofrimento desses trabalhadores.

Dados do DIEESE mostram que cada trabalhador terceirizado permanece 2,6 anos a menos no emprego e são vítimas de 80% dos acidentes fatais nos locais de trabalho. Além disso, dos 50 mil trabalhadores resgatados em condições análogas à de escravidão nos últimos 20 anos, 90% eram terceirizados. As condições precárias de trabalho, no que tange a segurança e saúde do trabalhador também aumentam: de 2012 à 2016, 704 mil acidentes na iniciativa privada foram registrados, e oito em cada dez com trabalhadores terceirizados. A maioria dos terceirizados são mulheres, negros, LGBTs e imigrantes.

É essa categoria que está tendo que trabalhar de forma precária, sair de casa de madrugada sem a certeza de chegar até o trabalho ou mesmo das condições de sua habitação na volta. Quando as maiores universidades não liberam seus funcionários terceirizados, em um dia caótico no Rio de Janeiro, demonstram seu caráter de classe. São locais de estudo que produzem conhecimento para o lucro das grandes empresas e que exploram seus trabalhadores terceirizados.

 
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