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Lunes 17 de Junio de 2019
00:53 hs.

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Entrevista
Nestlé: Biscoitos feitos com suor
Esquerda Diário Marília

Como muitas pessoas sabem a Nestlé é uma grande multinacional que abrange vários setores do ramo alimentício, empregando milhares de trabalhadores tanto no Brasil, quanto no mundo. Mas afinal de contas quais são as condições de trabalho que estes milhares de trabalhadores enfrentam?

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A equipe do esquerda diário entrou em contato com um ex-trabalhador da Nestlé, fabricante de biscoitos localizada no munícipio de Marília no interior de São Paulo, para conhecermos um pouco desta empresa que contrata inúmeros trabalhadores da cidade quanto da região.

ED: O que te atraiu a trabalhar na Nestlé?
Trabalhador: O que me atraiu, a trabalhar na Nestlé basicamente foram: participação de lucro e os Benefícios que a empresa oferece aos trabalhadores, já que o salário não é tão atrativo(entorno de R$1.200,00)

ED: Qual era sua função dentro da empresa?
Trabalhador: Eu era auxiliar de produção, trabalhava num lugar chamado calha aonde a principal função era organizar os biscoitos para que pudessem ser embalado. Um trabalho fadigante e repetitivo. Parecia uma verdadeira cachoeira de biscoitos na qual tinhamos que organizar tudo aquilo o mais rápido possível por oito horas de serviço. Não tinhamos tempo nem de pensar tamanha era a quantidade de biscoitos. Esta originalmente era uma função exercida por mulheres que hoje estão sendo substituídas por homens.

ED: Qual era seu regime de trabalho?
Trabalhador: Trabalhava no regime 6X2, comecei no horário das 11:40 às 20:50, horário que pra mim estava ótimo, mas fui informado que a empresa mudaria meu horário de trabalho sem mesmo me consultar passando das 17hs às 2hs, o que prejudicou muito a minha rotina no dia a dia me deixando muito desmotivado, já que fui sequer consultado sobre a mudança.

ED: Como era a relação com a chefia?
Trabalhador: Não tinha chefia, a hierarquia da empresa era composta pelos coordenadores que ficavam em “cima”, monitorando o trabalhador o tempo inteiro. A fiscalização intensa servia para verificar se estavamos fazendo o serviço da forma padrão que era estipulado pela empresa e se davamos conta do serviço que era extremamente repetitivo.

ED: Quais informações sobre a sua função te passaram na integração?
Trabalhador: Fui saber sobre o meu serviço apenas na hora que entrei para trabalhar - “segura o B.O” -foi o que me disseram. A integração realizada pela empresa após o processo de contratação foi apenas teoria. Nós nem chegamos a conhecer a indústria de fato, ficando apenas na explicação. Não vimos como era o serviço, já que a prática é uma coisa e a teoria é totalmente diferente. Entrei na empresa sem saber realmente qual seria o trabalho que teria de desenvolver no dia-dia.

ED: Como é a segurança do trabalho?
Trabalhador: A empresa pega muito no pé, fornecendo todos os EPI’s e monitorando se está utilizando de maneira correta.

ED: Indicaria a Nestlé para alguém trabalhar?
Trabalhador: Indicaria, com ressalvas sobre as condições de trabalho, aquilo não é para qualquer um se o trabalhador não tiver cuidado acaba sendo consumido por aquele ritmo de trabalho alucinante.

ED: O que mais te marcou nessa experiência?
Trabalhador: Pude conhecer o que é uma indústria, antes eu não imaginava o quanto é cansativo o trabalho, porque quando nós vemos o pacote embalado na prateleira do supermercado não temos ideia da quantidade de trabalho que tem por trás de um simples pacote de biscoito e quantas pessoas estão envolvidas no processo.

 
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