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Martes 22 de Septiembre de 2020
05:31 hs.

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GREVE NAS FEDERAIS
Ocupação mostra a força da greve nas universidades federais
Lorena Frazzão, estudante de Ciências Sociais da UNIFAP
Noelle Oliveira, estudante de História da UNIFAP

A greve nas instituições federais já ultrapassa os três meses e a UNIFAP que aderiu a greve desde o final de maio tem sofrido uma série de ataques vindos da atual gestão da reitoria.

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Com muita luta e resistência, a greve nas instituições federais já ultrapassa os três meses. A Universidade Federal do Amapá que aderiu a greve desde o final de maio tem sofrido uma série de ataques vindos da atual gestão da reitoria, que não respeita e criminaliza os movimentos de mobilização. Uma das mais recentes polêmicas foi o processo ao Sindicato dos Técnicos (Sinstaufap), que após muita pressão dos setores docentes, estudantil e técnicos, foi retirado.

No dia 20 de Agosto, foi decidido em reunião do movimento estudantil do Amapá, em uma atividade de “aula pública” organizado pelos professores grevistas, a proposta de um ato radicalizado de ocupação à reitoria da Universidade, não só em apoio a as lutas dos movimentos sindicais, que nas últimas reuniões receberam novamente ameaças de judicialização e perseguição aos comandos de greve, mas também em reivindicação às pautas do setor estudantil, de forma unânime.

O encaminhamento da reunião foi que no dia 26 de Agosto os estudantes promoveriam uma oficina de cartazes no Centro de Vivências da UNIFAP e depois sairiam em caminhada ao prédio da reitoria, com palavras de ordem, barracas e colchões, com a intenção de acampar no prédio até a reitora dar uma perspectiva de reunião juntamente com seu quadro para que juntos pudessem esclarecer as condições de infraestrutura, cortes, orçamento e uma possível nota de desculpas dos ataques aos professores e técnicos que sentiram-se coagidos, fragilizando o processo de mobilização dentro da Universidade.

A ocupação se deu por volta das 17 horas de forma pacífica, respeitando os horários dos trabalhadores que ainda se encontravam no prédio. Os estudantes colaram diversos cartazes por todo o local mostrando sua indignação com o cenário atual da Instituição. Logo após começou a organização para os debates que tinham como tema “a criminalização do movimento, a tarefa dos estudantes diante das crises e as consequências da ocupação”. Foram convidados a mesa um representante do SINDUFAP (Sindicato dos Docentes Federais do Amapá) e um do SINSTAUFAP (Sindicato dos Técnicos Federais do Amapá), que mostraram total respeito e apoio ao ato. Logo após a mesa continuou com um representante de cada entidade/coletivo que estavam na construção do acampamento.

Na primeira noite houve ameaças vindas do principal representante dos guardas federais que rondam a universidade com a justificativa que os estudantes não circulassem pela universidade exceto pelo prédio da reitoria. Caso contrário poderiam ser confundidos com “alvos suspeitos”, fazendo questão de exaltar que eles estavam armados, o que dificultou o acesso ao banho dos estudantes que precisavam se locomover à quadra esportiva, além de causar constrangimento e tensão aos alunos que estavam presentes. Diante disso, foi promovido uma roda de debates para falar sobre o ocorrido e também pautar ações para o dia seguinte e fazer um levantamento de como havia sido a primeira noite de ocupação, frente à repressão sofrida e a vitória que foi o primeiro dia de acampamento.

Na manhã do dia seguinte, com a chegada da vice reitora Adelma Barros, os estudantes foram acusados de ter quebrado a porta que dava acesso ao gabinete da reitoria, sendo que por volta de 6 horas da manhã uma guarda federal que fez vistoria no local, afirmou que estava tudo em ordem e a partir desse quadro, os estudantes decidiram fechar totalmente a reitoria.

A reitora Eliane Superti se encontrava ausente por conta de uma viagem a Brasília, da qual retornaria na quinta-feira (27) a tarde, e que só conversaria com os alunos na sexta-feira de manhã, evidenciando que o diálogo com os estudantes não estava dentro de suas prioridades. Por conta disso, os estudantes decidiram que só sairiam de lá após a reunião de sexta-feira e com esclarecimentos diante de suas reivindicações.

Na sexta-feira de manhã, os estudantes pautaram demandas consideradas prioritárias: prazo de entrega de obras, contra os cortes nas bolsas de auxílio, uma linha de ônibus exclusiva para circular nos Campus Marco Zero e Santana, calendário de reuniões e uma nota esclarecendo as opressões que têm ocorrido na universidade. A reitoria pediu o prazo de 15 dias para organizar e entregar um cronograma de resolução das pautas, e a garantia da criação da nota de esclarecimento sobre as opressões, antes mesmo desses 15 dias. No dia 17 de setembro a reitora se reunirá com os alunos novamente, para falar sobre suas reivindicações e mostrando se está aberta ou não ao diálogo com a comunidade universitária. Durante a reunião foi entregue um documento onde mostrava as medidas indicadas pelo PROJU, que diziam que a gestão da instituição deveria acionar a Polícia Federal, identificar cada pessoa presente no ato com foto, nome e saber de qual entidade/coletivo cada pertencia, uma mostra clara de perseguição, como tem sido a principal cara dessa atual gestão.

Como em diversas universidades pelo Brasil, na UNIFAP a reitoria mostra o seu caráter repressor. É preciso criar uma terceira via dos trabalhadores e estudantes que defenda diretamente os interesses dos mesmos, para barrar os cortes e os ajustes fiscais promovidos pelo governo do PT e contra a direita tradicional conservadora. Não pagaremos pela crise na Educação, a crise na universidade é a reitoria!

 
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