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Miércoles 12 de Diciembre de 2018
06:25 hs.

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PT E LULA
PT: rápido em legitimar eleições manipuladas, impotente para enfrentar os ajustes econômicos de Bolsonaro
André Acier
Natal | @AcierAndy

Enquanto amplos setores da população trabalhadora odeiam Bolsonaro e seu programa ultraneoliberal, e sabem que este escravocrata atacará todos os nossos direitos, a direção do PT renuncia a denunciar todo o autoritarismo judicial - tutelado pelas Forças Armadas - que manipulou cada centímetro dessas eleições, numa "oposição" impotente para enfrentar os ajustes.

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Bolsonaro venceu as eleições mais manipuladas da história recente do país. Com as manobras judiciais e a tutela das Forças Armadas, para que as eleições fossem continuidade e aprofundamento do golpe institucional de 2016, Bolsonaro se beneficiou da radicalização do sentimento antipetista e do derretimento da direita tradicional (especialmente da catástrofe do PSDB).

Seu ideário racista, machista, homofóbico, de ódio irrestrito contra os trabalhadores, será a continuação ainda mais autoritária do golpismo de Temer (com a ajuda de seu amigo Sérgio Moro, que já vislumbra um cargo neste governo de corruptos depois de todo os "bons serviços prestados" realizado na Lava Jato).

A estratégia do PT, meramente parlamentar e eleitoral, se mostrou absolutamente impotente para frear a extrema direita e Bolsonaro.

Depois dos resultados, Haddad e a direção do PT cometeram a indignidade de "felicitar" o escravista Bolsonaro pelo triunfo. Chegam ao absurdo de não dar um pio sobre o caráter absolutamente manipulado dessas eleições, "digitadas" pelo golpismo do início ao fim. Para o PT, as eleições golpistas foram "legítimas".

A que objetivos atende uma conduta como essa? Entrando de forma mais abrangente na história política do país, fica evidente que a estratégia de conciliação de classes do PT "não nasceu ontem"; está no DNA do partido desde seu nascimento, colocando nos principais acontecimentos dos últimos 30 anos a marca de sua defesa da institucionalidade burguesa.

Isto chega a tal ponto que alguém como Ciro Gomes, um oligarca que de esquerda não tem nada e gostaria de aplicar por suas próprias mãos uma reforma da previdência no interesse dos capitalistas, diz em entrevista ter como objetivo criar "uma esquerda sem a hegemonia do PT"...

Com Bolsonaro eleito, devemos nos perguntar: deixaremos nossa batalha nas mãos da "oposição petista" e sua estratégia de conciliação de classes que nos levou até aqui?

Não podemos deixar nossa luta nas mãos da "oposição parlamentar" do PT

O PT, desde seu surgimento, mostrou a verve conciliadora de seu programa em todos os momentos políticos fundamentais da transição: na campanha das Diretas, na Assembleia Constituinte tutelada por Sarney e pelos militares, nas eleições de 1989. Esse compromisso fundamental com a estabilidade burguesa será a “segunda alma” do PT ao longo de toda sua história. Estando no Executivo ao longo da década de 2000, já como um pilar decisivo do regime burguês, o PT combinou crédito, consumo e conciliação, e distribuindo algum assistencialismo, disseminou a ilusão de que se poderia criar um “Brasil potência” administrando o capitalismo com “rosto humano”.

O fim do superciclo das matérias-primas no cenário econômico mundial pós-crise de 2008 fez esta ilusão explodir politicamente nas Jornadas de Junho de 2013. Quebrava-se então a maior conquista dos governos petistas, que era o total imobilismo da sociedade civil, que o PT havia obtido com os anos auge do triunfalismo que se revestia como passividade e ausência de mobilização, como dizia Perry Anderson.

O “reformismo light” do lulismo se orientou a garantir o máximo lucro aos capitalistas, e a tranquilidade aos investidores estrangeiros através da contenção da luta de classes: como vimos durante as greves selvagens do PAC, as posteriores Jornadas de Junho de 2013, a onda de greves de 2014 e as lutas do funcionalismo. Para a contenção dessas expressões de luta, a burocracia sindical petista (especialmente a CUT) foi fundamental: para fragmentar, isolar e derrotar os trabalhadores, e com isso construir a passividade do movimento operário tanto no período anterior ao golpe institucional, como posteriormente.

Depois de governar por anos com os capitalistas, assimilando seus métodos de corrupção e se vangloriando de garantir a eles lucros inauditos, quis mostrar que ainda podia servi-los começando o segundo mandato de Dilma com a aplicação dos ajustes contra a classe trabalhadora, e com isso terminou de desmoralizar sua própria base social, abrindo caminho ao golpe que colocou Temer no governo para avançar mais rapidamente com os ataques.

A reação repressiva do governo Dilma – com a Lei Antiterrorista como símbolo –, a adoção dos métodos corruptos habituais do capitalismo e a descarga de ataques sobre setores de massas terminou por pavimentar o caminho ao golpe institucional de 2016.

Em 2017, nas grandes manifestações dos trabalhadores contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista, as centrais sindicais controladas pelo PT, a CUT, e a CTB dirigida pelo PCdoB (de Manuela D’Ávila) fizeram de tudo para conter o movimento operário. Após a greve geral do 28 de abril, que colocou o golpista Temer nas cordas, as centrais se calaram e paralisaram a iniciativa dos trabalhadores, dando tempo e governabilidade aos golpistas. Isso permitiu que Temer passasse, sem resistência, a nefasta reforma trabalhista e a terceirização irrestrita, medidas escravistas que serão aproveitadas por Bolsonaro, que avança para acabar com a previdência usando os "rascunhos" de Temer.

Mesmo com a ameaça de que Bolsonaro de tentar aprovar parte da reforma da previdência de Temer ainda esse ano, o PT e a CUT insistem em sua indignante paralisia.

A estratégia petista em 2018, puramente eleitoral, de contenção da luta de classes, para canalizar o descontentamento para o terreno dos votos, terminou sendo incapaz de oferecer qualquer resistência séria à continuidade do golpe institucional. Uma vez na oposição, sua política de responder ao ódio destilado pela Lava Jato e pela Rede Globo com ilusões no Poder Judiciário e nas eleições terminou sendo completamente impotente para frear o avanço da extrema direita.

"Esperemos 2022?"

Enquanto amplos setores da população trabalhadora odeiam Bolsonaro e seu programa ultraneoliberal, e sabem que este escravocrata atacará todos os nossos direitos, a direção do PT renuncia a denunciar todo o autoritarismo judicial – tutelado pelas Forças Armadas – que manipulou cada centímetro dessas eleições.

Como enfrentar Bolsonaro, se sequer se admite o brutal autoritarismo judicial que controlou cada centímetro dessas eleições, roubando votos nordestinos, quebrando o sigilo de delações (contra o próprio PT!), permitindo que Bolsonaro se beneficiasse de Caixa 2?

Fica claro que a estratégia do PT segue sendo de conciliação de classes e meramente eleitoralista. O "respeito aos ritos", aguardar "baixar a poeira", serve a sua política de "aguardar 2022", separando as questões democráticas das questões econômicas, para encenar uma oposição parlamentar que sabe ser impotente e deixar passar – imobilizadas as centrais burocráticas – todos os principais ataques econômicos de Bolsonaro contra os trabalhadores. É o que Lula chama de "deixar sangrar o governo".

Uma esquerda realmente anticapitalista, socialista e revolucionária

Não podemos ficar reféns da conciliação petista, que já provou sua impotência para retirar do país da sua espiral de atraso, decadência e submissão, que será acentuada selvagemente por Bolsonaro. Não há meio termo: ou se luta por um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo baseado nas organizações de democracia direta das massas – e para isso se constrói alternativa política dos trabalhadores, com independência de classe – ou terminaremos sempre reféns de reformismos que geram impotência frente às ofensivas autoritárias do capitalismo.

Maíra Machado, professora do MRT

Para combater seriamente o avanço da extrema direita e do golpismo, necessitamos exigir dos sindicatos, das centrais sindicais, entidades estudantis e populares que impulsionem comitês de base para organizar o combate à reforma da previdência e os ajustes de Bolsonaro, e preparar uma grande paralisação nacional combinada com mobilizações de rua em todo o país.

Nestes comitês e nesta organização da classe trabalhadora e da juventude precisamos lutar para derrubar todas as reformas reacionárias do governo Temer e criar um grande movimento pelo não pagamento da dívida pública, pela estatização sob gestão dos trabalhadores e controle popular de todas as grandes empresas envolvidas em corrupção, pela abolição da reforma trabalhista e terceirização irrestrita e o fim de qualquer tentativa de reforma da previdência.

Podemos organizar uma força independente dos trabalhadores, à esquerda do PT, que supere a tragédia de conciliação de classes para batalhar para que os capitalistas paguem pela crise.

 
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