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Lunes 15 de Octubre de 2018
05:29 hs.

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Iêee viva meu mestre, camará!
Mestre Moa do Katendê será vingado! Por um levante negro contra a extrema-direita!
Quilombo Vermelho

O último domingo, 7 de outubro, vai ficar marcado. Não somente pela vitória de Bolsonaro no primeiro pleito das eleições presidenciais, mas porque na cidade de Salvador, Romualdo Rosário da Costa, Mestre Moa Katendé foi assassinado de forma covarde e brutal com 12 facadas por um apoiador de Bolsonaro. Mestre Moa, Presente! Mestre Moa do Katende, de 63 anos, era um dos mais importantes mestres de capoeira do país, fundador do histórico bloco afro Afoxé Badauê em Salvador, e ativista em defesa da cultura negra e sua difusão.

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O último domingo, 7 de outubro, vai ficar marcado. Não somente pela vitória de Bolsonaro no primeiro pleito das eleições presidenciais, mas porque na cidade de Salvador, Romualdo Rosário da Costa, Mestre Moa Katendé foi assassinado de forma covarde e brutal com 12 facadas por um apoiador de Bolsonaro. Mestre Moa, Presente! Mestre Moa do Katende, de 63 anos, era um dos mais importantes mestres de capoeira do país, fundador do histórico bloco afro Afoxé Badauê em Salvador, e ativista em defesa da cultura negra e sua difusão. Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36 anos, autor do assassinato confessou à Secretaria de Segurança Pública da Bahia que o assassinato foi politicamente motivado, pois havia criticado Bolsonaro e defendido a candidatura de Haddad.

Nessa primeira rodada do pleito presidencial Bolsonaro venceu com 46,03% e Haddad ficou com 29,28% dos votos. Eleições que foram marcadas pela continuidade a passos largos do golpe institucional, tuteladas pelas forças armadas, manipuladas pelo Judiciário, com a prisão arbitrária de Lula com o claro objetivo político de impedi-lo a concorrer às eleições quando aparecia como líder nas pesquisas com cerca de 40% de votos no primeiro semestre, proscrição de quase um milhão e meio de eleitores no Nordeste, além de uma guinada da grande imprensa, agronegócio, empresários e políticos golpistas em defesa de Bolsonaro fruto do aumento de Haddad nas pesquisas e do fracasso da candidatura de Alckmin. É mais do que simbólico que a enorme polarização política do país e o fortalecimento dessa extrema direita ultraneoliberal, racista, homofóbica, machista e escravista tenha se materializado no assassinato de um mais reconhecidos mestres de capoeira, um dos mais fortes símbolos da cultura e heroica luta negra no Brasil, e na Bahia, um dos estados com a maior concentração de negros em todo o país.

As 12 facadas que penetraram o corpo de Mestre Moa vieram diretamente da boca de Bolsonaro, seu partido e seus aliados que estimulam o discurso de ódio aos negros, nordestinos e imigrantes. Há 28 anos na Câmara dos Deputados, fez carreira em apologia à ditadura, à tortura, à retirada de direitos dos trabalhadores, verbalizando posições machistas e o mais profundo ódio contra os negros. Bolsonaro é a representação mais abjeta dos senhores de engenho e escravocratas.

Todo seu racismo está à serviço de aprofundar um projeto de país escravista e completamente entregue ao imperialismo, no qual os negros, que já estão nos piores postos de trabalho e recebem os piores salários sejam ainda mais explorados para os lucros dos grandes capitalistas. Pra fortalecer esses ataques, alimentam discuro de ódio racial. O general Hamilton Hamiton Mourão, vice de Bolsonaro e símbolo das forças armadas, havia feito no dia anterior uma declaração profundamente racista ao associar pele branca à beleza. Depois do assassinato, Bolsonaro cinicamente afirmou não ter relação alguma com o caso e disse que a vítima da situação nacional seria ele.

Essas 12 facadas tiveram um endereço certeiro, que Bolsonaro quer legitimar: o ataque direto contra o povo negro que se mobiliza contra o racismo, em defesa de sua cultura e por melhores condições de vida. Este é um país com uma profunda e rica história de negros que se rebelaram contra a escravidão; que na luta por liberdade assassinaram senhores de engenho e capitães-do-mato, organizaram revoltas, rebeliões, e colocaram de pé milhares de quilombos, e faziam as elites colonial e imperial tremerem, tradição que conflui com a formação da classe trabalhadora no Brasil.

Acompanhamos todos os trabalhadores e jovens que sentem necessidade de demonstrar seu ódio à Bolsonaro também nas urnas, mas sabemos que para derrotar a extrema direita não podemos ter confiança na saída eleitoral e nas alianças que o PT fez, que deram caminho ao golpe e ao fortalecimento da direita. A resistência e ousadia do povo negro esteve na linha de frente da luta de classes, e nela nos referenciamos. Enquanto houver capitalismo haverá racismo, enquanto houver capitalismo, haverá resistência negra, para a fúria de Bolsonaro e companhia. Mestre Moa foi assassinado porque carregava em suas veias essa história, essa força. Mestre Moa, Presente!

Mestre Moa:
PRESENTE!

É por isso, pela tradição de luta, resistência e ousadia dos negros, no passado e no presente, que Bolsonaro odeia os negros. Ao mesmo tempo, as posições racistas de Bolsonaro são a outra face de seu projeto econômico ultraneoliberal e pró-imperialista. Bolsonaro e o PSL destilam esse ódio contra os negros porque buscam uma correlação de forças mais favorável para implementar todos seus ataques e porque tem medo do que os negros podem fazer quando se colocam em movimento contra a opressão e a exploração. Têm medo do que do ânimo de luta que os negros podem despertar no conjunto da classe trabalhadora e em sua capacidade de representar os interesses de toda nossa classe.

Não esquecemos Marielle, não esqueceremos Mestre Moa. Os vingaremos e todos os negros que foram assassinados brutalmente por este Estado capitalista e seus defensores. É na luta de classes que derrotaremos Bolsonaro e seus aliados, com os negros à frente.
Mestre Moa, presente!

“(...) os negros bantos
eram pegos em Angola
para cá eram traficados
forçados a trabalhar
e na senzala eles ficavam a ferro
muitos morreram no tronco
de tanto apanhar
dor só existia dor
do chicote a palavra
que no repique do tambor
uma luta então nascia
a esperança chegou
mais um dia
o feitor se assustou
o negro estava apanhando
e logo se levantou
e começou a gingar
e começou a gingar
negro o que você tá fazendo
feitor maldito agora vou lhe matar
feitor maldito agora vou lhe matar (...)”

 
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