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Lunes 15 de Octubre de 2018
06:03 hs.

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FRENTE AO 2º TURNO DAS ELEIÇÕES MANIPULADAS
Declaração do MRT: Bolsonaro é o avanço do autoritarismo herdeiro da ditadura militar
MRT - Movimento Revolucionário de Trabalhadores

Frente à excepcionalidade de eleições brutalmente manipuladas, que favorecem o avanço do autoritarismo herdeiro da ditadura, que quer impor de fato uma mudança reacionária de regime, acompanhamos o ódio e a vontade de luta contra Bolsonaro, votando criticamente em Haddad, com o objetivo que consideramos a tarefa central de todos os trabalhadores e jovens mais conscientes, que é ajudar a conduzir esse ódio ao único terreno em que poderemos triunfar: a luta de classes para que os capitalistas paguem pela crise.

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Bolsonaro esteve muito perto de ganhar no primeiro turno, passando como grande favorito para ganhar o segundo. Seu triunfo significa um salto no golpe institucional que derrubou Dilma para impor ataques profundos à classe trabalhadora e o povo, como a privatização da Petrobras e a venda do petróleo a preço de banana e uma série de reformas reacionárias.

As eleições foram a continuidade do golpe com a prisão arbitrária do Lula e o absurdo veto à sua candidatura, impondo eleições completamente manipuladas pelo Poder Judiciário, sob tutela das Forças Armadas, para favorecer os interesses capitalistas mais reacionários do país e do capital estrangeiro.

Ainda no caso muito improvável de que Bolsonaro perca, este bloco econômico, social, político e militar desatou forças reacionárias que se manterão como um enorme perigo para as trabalhadoras e trabalhadores, mulheres, negros, LGBTs, indígenas e todo o povo pobre.

Essas eleições estão sendo um show de horrores em matéria de pisotear o direito da população votar em quem quiser, com o conluio entre a Lava Jato e a Rede Globo sendo utilizado para favorecer os candidatos que expressam os interesses mais reacionários e do capital mais concentrado do país.

Por trás da candidatura de Bolsonaro e da embaixada norte-americana (chefiada por Donald Trump) estão burgueses ultra milionários como Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, dono da Ambev. Alexandre Bettamio, presidente executivo para a América Latina do Bank Of America, João Cox, presidente do conselho de administração da TIM, e Sergio Eraldo de Salles Pinto, da Bozanno Investimentos (gestora de investimentos presidida por Guedes) são outros mega empresários que Bolsonaro reúne para compor parte de seu governo, com o único objetivo de ser a continuidade selvagem dos ataques de Temer contra os trabalhadores, na repressão e assassinato dos camponeses pelo agronegócio, e avançar na entrega das riquezas nacionais, incluindo a Petrobras, maior empresa do país e que é alvo da cobiça imperialista que está na base da Lava Jato.

Junto com a empresa jornalística Bloomberg, a grande agência de notícias e negócios do capital financeiro internacional, que saudou a subida nas bolsas de valores com os resultados favoráveis a Bolsonaro, somam-se todos os grandes setores ligados ao agronegócio, a patronal mais escravista do Brasil. Sem falar na chamada “bancada da bala” (deputados militares e policiais que foram parte da campanha permanente de repressão policial nas favelas e de impunidade aos policiais). Todos eles abençoados pelas igrejas evangélicas, que em sua grande maioria apoiaram Bolsonaro, tendo sido as principais difusoras de “fake news” (notícias falsas) nas redes sociais, alimentando o conservadorismo mais reacionário e a destruição moral dos adversários, e alentando o ambiente social que já deu lugar ao ataque à irmã de Marielle Franco e ao assassinato de Mestre Moa, mestre capoeirista baiano e reconhecida figura do combate ao racismo, esfaqueado no dia seguinte ao primeiro turno, aos 63 anos de idade, além de uma série de outros ataques reacionários.

Bolsonaro, que até pouco tempo era considerado marginal dentro das Forças Armadas, hoje tem claras pontes com o Alto Comando, através do general da reserva Augusto Heleno e também de seu vice Hamilton Mourão, defensor da ditadura militar de 64 e de torturadores como o coronel Brilhante Ustra. Sua escolha do ultraneoliberal Paulo Guedes como ministro da economia foi o sinal que a cúpula militar necessitava para aproximar-se, já que os militares no Brasil são reconhecidamente subservientes aos interesses norte-americanos.

Frente às duas possibilidades do Supremo Tribunal Federal sentenciar a favor de Lula, o Comandante em Chefe do Exército, General Villas Boas, apoiador declarado da Lava-Jato e das medidas autoritárias do judiciário, fez declarações públicas com ameaças de intervenção das forças armadas, a depender da decisão dos ministros do Supremo de seguir ou não os desígnios golpistas.

Bolsonaro tem orgulho da ditadura militar e dos métodos de tortura.

Apesar de já ter declarado à televisão que se fosse eleito presidente fecharia o Congresso, hoje esconde essa cara e posa de “democrático” por ter a maioria dos votos (numa eleição abertamente manipulada). Mas não podemos nos enganar. Seu vice Mourão não mente quando diz que quer acabar com o 13º salário. Bolsonaro não mente quando diz que quer acabar com todas as empresas estatais e flexibilizar todos os direitos trabalhistas muito mais do que Temer já fez.

Se a dupla militar puder fazer todos os ataques reacionários almejados pelos grandes empresários e financistas de forma “democrática”, apoiando-se no Congresso majoritariamente reacionário que foi eleito nesse domingo, se assentará um governo autoritário (bonapartista) com aparência “democrática” - na verdade escolhido por uma eleição absolutamente manipulada pelos golpistas, com o atual benefício da extrema direita. Um sistema político baseado no autoritarismo do poder judiciário (utilizando a Polícia Federal como sua “força de choque”), apoiado pelos militares para conter toda e qualquer forma de resistência ou questionamento.

Os métodos que foram usados contra Lula serão usados para amedrontar e perseguir todo e qualquer sindicato ou movimento social que queira lutar.

Esse é o cenário ideal sonhado pelos grandes setores empresariais e financeiros que passaram de malas e bagagens para a candidatura de Bolsonaro. Mas se necessário, Bolsonaro e Mourão também não terão nenhum problema em sacrificar as instituições “democráticas” e governar através do Poder Executivo apoiado diretamente sobre as polícias e as Forças Armadas. Mourão já falou inclusive de “auto-golpe”.

Há grandes forças para resistir

Mas a classe trabalhadora não está derrotada estrategicamente. Ano passado protagonizou duas grandes paralisações nacionais que frearam a reforma da previdência de Temer, e só não seguiu escalando sua luta para frear a reforma trabalhista porque a CUT e a CTB (dirigida pelo PT de Haddad e o PCdoB de Manuela D’Avila) contiveram essa energia para canalizá-la por dentro de sua estratégia eleitoral.

O movimento que as mulheres protagonizam do #elenão é mais uma expressão das forças de resistência.


Créditos da foto: DANILO QUADROS / MÍDIA NINJA

A mobilização independente da classe trabalhadora, da juventude, dos negros, das mulheres, LGBTs, sem-tetos e sem-terras nas ruas, greves e ocupações é o único movimento social que, dirigido pelas trabalhadoras e trabalhadores, pode verdadeiramente fazer frente ao avanço do autoritarismo e da extrema direita, organizando inclusive comitês de auto defesa.

Somente o triunfo de uma resistência que terá que se dar nas fábricas, nas empresas, nos estabelecimentos públicos, nas universidades, nos colégios e especialmente nas ruas poderá derrotar a tentativa do grande capital financeiro, dos grandes empresários do judiciário e da grande mídia, e poderá impedir a instalação de um regime profundamente antioperário, ferozmente inimigo das mulheres, dos LGBT, dos negros, indígenas e de toda causa progressista.

Esta luta é difícil, mas não impossível, porque no eleitorado de Bolsonaro existem importantes setores que ainda não compreendem o plano de conjunto do ex-capitão e do general da reserva Mourão para liquidar todos os seus direitos, e votam sem apoiar realmente essas medidas. Se há luta, é possível dissolver o grande bloco que Bolsonaro construiu para essas eleições.

Se não se luta e só se apela ao jogo parlamentar, aos acordos com “burgueses democráticos”, à rotina sindicalista das datas-base corporativas e às marchas ultra minoritárias de setores sindicalizados, a derrota será certa.

Até mesmo os veículos burgueses mais liberais dos Estados Unidos, como a revista Foreign Policy, dizem que Bolsonaro “não é um populista de direita a mais”, como Trump e os muitos que pululam por todo o mundo. Dizem que é muito mais antidemocrático e de direita, herdeiro pleno das ditaduras militares sanguinárias como a de Pinochet no Chile e Videla na Argentina. Ainda que de nenhuma maneira um regime desse tipo já esteja assentado no Brasil, utilizarão todo seu peso para nos impor um enorme aprofundamento da exploração e opressão.

Para enfrentar essa dinâmica sabemos que o PT é completamente impotente. Depois de governar por anos com os capitalistas, assimilando seus métodos de corrupção e se vangloriando de garantir a eles lucros inauditos, quis mostrar que ainda podia servi-los começando o segundo mandato de Dilma com a aplicação dos ajustes contra a classe trabalhadora, e com isso terminou de desmoralizar sua própria base social, abrindo caminho ao golpe que colocou Temer no governo para avançar mais rapidamente com os ataques. Sua estratégia puramente eleitoral, de contenção da luta de classes, para canalizar o descontentamento para o terreno dos votos, terminou sendo incapaz de oferecer qualquer resistência séria ao golpe institucional. Uma vez na oposição, sua política de responder ao ódio destilado pela Lava Jato e pela Rede Globo com ilusões no Poder Judiciário e nas eleições terminou sendo completamente impotente para frear o avanço da extrema direita.

Precisamos desde já nos preparar para os combates que estão por vir, organizando uma força militante nos locais de trabalho e de estudo que seja capaz de impor a unidade na ação dos sindicatos e movimentos sociais para enfrentar os ataques da extrema direita de forma não rotineira, ou seja, impor uma ampla frente única da classe trabalhadora que responda com uma firmeza à altura dos ataques, sem o que será impossível quebrar o bloco reacionário que se constitui por trás de Bolsonaro. Organizemos comitês de base em cada local de trabalho e estudo para organizar a defesa frente aos ataques que estão em curso e os que estão por vir.

A CUT, a CTB e o conjunto das centrais precisam romper com sua absurda paralisia e organizar assembleias nas categorias para organizarmos os trabalhadores para atuar como classe organizada nesses combates, generalizando comitês de base em todo o país.

Nós do MRT demos uma enorme batalha contra o golpe institucional, contra a prisão arbitrária do Lula e o veto à sua candidatura, sempre com uma política independente do PT, com o Esquerda Diário cumprindo um papel importante nessas batalhas e agora com 3 milhões de acessos em 30 dias. Agora, nos colocamos lado a lado de todas as trabalhadoras e trabalhadores, mulheres, negros, jovens e LGBTs que odeiam Bolsonaro e querem derrotá-lo nas urnas votando em Haddad.

Nós do MRT o fazemos sem dar nenhum apoio à política do PT ou à sua estratégia eleitoral de buscar pactos com partidos capitalistas, golpistas e ajustadores que agora se vendem como “democráticos”. Mas hoje, frente à excepcionalidade de eleições brutalmente manipuladas, que favorecem o avanço do autoritarismo herdeiro da ditadura, que quer impor de fato uma mudança reacionária de regime, acompanhamos oódio e a vontade de luta contra Bolsonaro, votando criticamente em Haddad.

Nosso objetivo com isso, e que consideramos a tarefa central de todos os trabalhadores e jovens mais conscientes, é ajudar a conduzir esse ódio ao único terreno em que poderemos triunfar: a luta de classes para que os capitalistas paguem pela crise.

 
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