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Miércoles 21 de Noviembre de 2018
01:33 hs.

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DATAFOLHA
Com efeito Lula, Haddad divide com Ciro a disputa contra Bolsonaro consolidado
Ítalo Gimenes
Campinas

Nesta elaboração, investigaremos o cenário eleitoral apontado pela última pesquisa Datafolha, divulgada nesta segunda-feira. Efeito Lula fortalece mais a Haddad do que a facada em Bolsonaro o ajudou, além de mitigarem a vantagem de Alckmin no tempo de televisão.

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A pesquisa do Datafolha foi realizada ontem, a primeira após a facada em Bolsonaro. Ele que figurava em primeiro lugar nas pesquisas em que Lula é excluído arbitrariamente do processo eleitoral com cerca de 22%, ganhou dois pontos nessa pesquisa, chegando a 24%, ou menos do que se esperava (desde seus fãs até analistas). Mas cada vez menos resta dúvidas de sua solidez e mais certa é a sua presença em um segundo turno.

A sua rejeição, apesar disso, seguiu alta mesmo após Juiz de Fora, a sua tentativa de “amenizar o tom” e de pintar uma união em torno de seu ultra-direitismo violento e anti-operário. Apesar de 74% de seus votantes reiterarem que não mudarão de voto, 43% do total de entrevistados “não votariam nele de jeito nenhum”. As mulheres (49%) e os mais jovens (55%) são maioria dos que não aceitam Bolsonaro em nenhuma medida. Difícil ter qualquer perspectiva de vencer seus oponentes no segundo turno com basicamente metade da população do país te odiando.

Não é por isso, todavia, que o cenário de polarização entre os extremos no interior do regime burguês esteja menos certo do que se previa. Por um lado está a extrema-direita selvagem com Bolsonaro tomando o lugar tradicionalmente tucano do anti-petismo, por outro um certo reformismo senil - ou seja, sem que hajam as condições econômicas como foi com o boom das commodities - representado pelo PT.

O que está sendo péssimo para Alckmin, que chegou aos dois dígitos (10%), mas subindo na margem de erro e com uma muralha de votos de Bolsonaro para se defrontar. O horário de TV não serviu para muita coisa, comparado aos dias de propaganda gratuita para Bolsonaro após a estocada. Se ela atingiu fisicamente Bolsonaro, doeu muito mais na opção “de centro” do mercado para essas eleições.

O que reitera a briga pela segunda vaga no segundo turno, que com Marina apontando para o pântano (mas ainda com 11%), perdendo 5 pontos, e Alckmin nível volume morto da Cantareira, resta a briga entre Ciro e Haddad, ambos em significativa ascensão.

Um dos elementos mais relevantes dessa pesquisa é a força do fator Lula de transferência de votos, que antes mesmo de Haddad assumir a cabeça da chapa com Manuela D’ávila (PCdoB) de vice, já saltou 5 pontos, chegando aos 9%. Ou seja, o fator Lula já demonstrou que tem mais valor para Haddad do que o fator estocada para Bolsonaro, e um espaço de crescimento importante para petista, como sustentam analistas como Eliane Cantanhêde do Estadão.

Prova disso está no Nordeste, onde “Andrade” bateu 14% das intenções de voto após visita na última semana, além de em outros estados como MG, onde Lula tem peso importante e seu substituto cresce mais em grandes colégios eleitorais.

Ciro Gomes, subindo de 10% a 13%, também demonstra que é forte candidato em disputa com Haddad ao segundo turno. Porém, a vantagem de Haddad reside no fato de ter Lula como cabo eleitoral, o que pode dificultar o espaço de Ciro inclusive no seu próprio território, apesar de atingir um público importante no estado de São Paulo. Ou seja, graças a força de Lula, Ciro precisará se enfrentar muito mais com Haddad do que o petista necessitará fazer contra o pedetista, já que Haddad possui um espaço de votos próprio para crescer (ou pelo menos próprio de Lula).

Em cenários que apontam a briga desses candidatos com Bolsonaro no segundo turno, Ciro leva vantagem em quase 10% contra o militar enquanto Haddad, por ora não testado nas pesquisas como candidato de Lula, teria que lidar com um cenário de empate técnico. Ainda assim, a corrente aponta maior fortalecimento do petista nas próximas semanas.

Essas projeções das tendências atuais se dão nos marcos de um maior autoritarismo do regime, cuja casta de juízes privilegiados, respaldados pelos militares e com apoio da grande mídia, impõem um controle sobre o cenário eleitoral ao tutelar o voto popular, vetando qualquer tipo de participação de Lula nas eleições. Nesse sentido, as pesquisas não só podem apontar tendências como preferências, de modo que há outros caminhos possíveis de serem tomados no processo.

Além disso, apesar dessas pesquisas mostrarem um Bolsonaro que se consolida no espectro anti-petista mais “selvagem”, roubado dos tucanos e apoiado no conjunto de arbitrariedades da Lava-Jato, não é verdade que o voto no PT fortalece uma alternativa capaz de derrotar a extrema-direita. A confiança dos trabalhadores nas alternativas “mal menor” não só os impede de confiar nas suas próprias forças e métodos de luta, junto aos negros, as mulheres, a juventude e os LGBTs, como progressivamente levam ao “mal maior”.

Veja aqui: O PT como “mal menor” ajuda a combater o golpismo e a direita?

O avanço do golpismo e da direita foi pavimentado pela política do PT em 13 anos de governo. Assimilou os métodos de corrupção próprios ao capitalismo, colocou as tropas brasileiras no Haiti junto a ONU e iniciou em seu governo os ajustes. A possível eleição de Haddad, longe de trazer de volta os anos “de prosperidade” que ficaram enterrados no passado lulista após a crise capitalista, tende a piorar o que Dilma fez em seu mandato (em situação econômica internacional bastante adversa, sem recuperação econômica interna), respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal para pagar o saque da dívida pública aos banqueiros internacionais.

Nós do MRT que impulsionamos o Esquerda Diário, ao mesmo tempo que defendemos irrestritamente o direito das massas decidirem em quem votar, não apoiamos o voto no PT e criticamos duramente sua estratégia de conciliação de classes, pois se provou incapaz de combater a extrema direita asquerosa e os golpistas. Batalhamos com nossas candidaturas anticapitalistas para criar uma força em cada local de trabalho e estudo que aposta na luta dos trabalhadores junto aos setores oprimidos, com um programa que responda a crise capitalista sem qualquer conciliação com os patrões.

 
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