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Domingo 21 de Octubre de 2018
15:22 hs.

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PRIVATIZAÇÃO COMPERJ
17 mil desempregados na Comperj não terão emprego de volta com privatização das obras
Cássia Silva
estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

A operação Lava-Jato atuou conscientemente no sucateamento da empresa e no congelamento das obras, portanto contribuiu com a demissão dos milhares de trabalhadores. Seu objetivo, a privatização dos recursos da estatal, passa longe de devolver o emprego às famílias de Itaboraí.

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Trabalhadores protestaram contra demissões no Comperj, em 2015 (Foto: Fábio Motta)

Todo dia, o Sindicato dos Trabalhadores e Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial (Sintramon) é concentração de centenas de pessoas desempregadas, desde que as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro foram paralisadas, segundo matéria do G1.

Em 2014, quando a Operação Lava Jato teve seu início, a construção do Comperj começou a paralisar, assim como todas as outras obras da Petrobrás, sob justificativa dos casos de corrupção nas licitações. em 2014, a Lava Jato prendeu Paulo Roberto Costa, que era o diretor de Abastecimento da Petrobrás, responsável pelo projeto do Comperj. A UTC Engenharia e a Odebrecht estavam envolvidas no esquema de propina, em que o TCU já tinha contabilizado desvios de 12,5 bilhões de dólares.

No contexto do auge da Lava-Jato, o preço do barril de petróleo caiu de 100 para 40 dólares internacionalmente, junto com a bolsa e os investimentos, e as dívidas cresceram. Foram tomadas decisões, cuja transparência é questionável, que resultaram apenas em um maior sucateamento e desvalorização da empresa, terreno fértil para os monopólios imperialistas de petróleo abocanharem parte da empresa.

A estatal teve de parar as obras em Itaboraí, no final de 2015, assim como outras pelo país. Nisso, cerca de 20 mil postos de trabalho foram fechados em Itaboraí desde 2014, sendo que 15 mil foram só em 2015, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nesse sentido, a Lava-Jato contribuiu em parar as obras da Petrobrás e levar à demissão dezenas de milhares de trabalhadores da empresa por todo o país. O caso de Itaporaí é gráfico nesse sentido.

Itaboraí faz parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que conta com cerca de 17 mil pessoas desempregadas, e o Sintramon, que fica no centro da cidade (Rua Prefeito Sílvio Costa, 265), se tornou concentração de centenas diariamente. Segundo o G1, quase todas essas pessoas estão fora do mercado de trabalho desde que a obra foi paralisada.

O fato de que a Petrobrás anunciou a retomada das obras em março de 2018, com a empresa chinesa Shandong Kerui Petroleum, gerou expectativa de retomada de emprego. Chamada de "parceria", esse novo contrato com a chinesa, azeitada pelo desmantelamento da Petrobrás que a Lava-Jato propiciou, não passa de uma medida privatizante do Comperj.

Somado ao fato do dinheiro destinado às obras serem produto da venda de outras refinarias, mostra a que interesses a Lava-Jato e o autoritarismo do poder judiciário estão servindo no nosso país: a entrega das empresas, investimentos bilionários e recursos públicos ao capital privado.

Elas assinaram um contrato de cerca de 1,95 bilhão de reais para construir a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN). E é no sindicato que as vagas de emprego devem ser anunciadas. Porém espera-se que não mais que 5 mil vagas sejam recolocadas, quando as estimativas iniciais do projeto eram de 30mil. O financiamento privatizante da obra passou longe de ser uma resposta ao emprego dessas famílias, priorizando o lucro dos capitalistas envolvidos.

A privatização das refinarias da Petrobrás, de suas obras e anos de investimento público, não só renova os problemas de corrupção, superfaturamento das licitações, mas não resolve a situação desses milhares de desempregados. Por isso é necessário que a empresa volte a ser 100% estatal, mas dessa vez sob gestão dos petroleiros e com controle popular, como forma de impedir que os interesses privados e dos lucros capitalistas saqueiem os recursos da Petrobras.

Inclusive, o desemprego na região metropolitana do Rio de Janeiro também escancara a taxa de desemprego no país, no dia do trabalhador, mais de 30 mil de desempregados fizeram fila no Engenhão. Ligado à anulação da Reforma Trabalhista, é preciso que a estatização da Petrobrás também esteja ligada à redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que os trabalhadores controlem toda a produção de petróleo e erradiquem o desemprego.

 
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