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Domingo 21 de Octubre de 2018
16:58 hs.

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TERCEIRIZAÇÃO NA USP
Terceirização na USP: a batalha estratégica por trás da defesa do direito dos terceirizados à alimentação
Odete Cristina
São Paulo
Marcello Pablito
Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp
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Nas últimas semanas foi escancarada na USP a contra-cara da terceirização. Enquanto os dirigentes da Universidade esbanjam privilégios acumulando mais de meio milhão de reais em auxílio-moradia durante suas gestões e alegam a necessidade da terceirização a favor da redução dos gastos da receita, vemos os trabalhadores nessas condições impedidos até de se alimentar no bandejão da própria comida que ajudam a produzir.

A batalha que viemos travando desde o dia 08 de março – quando foi aberto o processo de licitação que terceirizaria um setor inteiro do bandejão central – e posteriormente a partir da proibição dos trabalhadores terceirizados recém-contratados de utilizarem os vestiários, se locomoverem pela USP no circular ou mesmo se alimentarem da comida que ajudam a produzir, tal qual os efetivos, tem sido parte de uma batalha mais estratégica pela efetivação imediata de todos os trabalhadores terceirizados e contra a lei da terceirização irrestrita aprovada pelo Congresso corrupto e pelo governo golpista do Temer.

A terceirização já atinge 14 milhões de brasileiros no país, ou seja, 25% de todos os trabalhadores no Brasil são terceirizados. Esse situação absurda de precarização do trabalho deu um salto gigante durante os 13 anos de governo do PT, em que a cada 5 trabalhadores contratados, apenas 1 era efetivo. Por isso, a batalha pela efetivação dos terceirizados e unidade das fileiras operárias tem sido uma luta que nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), temos dado há anos no nosso Sindicato e, a partir dele, também dentro da CSP-Conlutas. Atuando decididamente em todas as greves e lutas parciais que os terceirizados têm protagonizado contra atrasos salariais, demissões em massa e segregações discriminatórias, defendendo que os terceirizados são também parte da nossa categoria.

Frente a todos os ataques nacionais, essa segregação que vivem os terceirizados no país, em particular a situação aberrante da proibição de se alimentarem no bandejão, é um balão de ensaio para os avanços mais profundos que a Reitoria, os patrões e administradores públicos irão aplicar contra os trabalhadores a partir da aprovação da reforma trabalhista. Portanto, em nossa visão, é tarefa fundamental da classe trabalhadora e da juventude cercar essas lutas de solidariedade e batalhar pela unidade das fileiras operárias enfrentando a super-exploração do trabalho.

Nós, do Movimento Nossa Classe, da Juventude Faísca e dos Grupos de Mulheres Pão e Rosas e de Negros Quilombo Vermelho estamos plenamente convencidos disso e encaramos essa batalha como parte fundamental da nossa campanha salarial e da luta contra o desmonte da Universidade e a precarização do ensino e das nossas condições de trabalho, sendo, portanto, uma batalha que precisa da mais ampla unidade de ação. Nesse empenho de todas as nossas forças para que essa batalha seja vitoriosa, pela via do Sintusp, impulsionamos três atos em frente ao bandejão, pelo qual passaram centenas de estudantes e trabalhadores em cada ato, também fizemos vídeos de denúncia, como o vídeo que viralizou nas redes sociais, com mais de 33.000 visualizações, em que a Diretora da Divisão de Alimentação/Nutrição da Superintendência de Assistência Social da USP Maria Aparecida Loureiro de Oliveira, conhecida como Pili, se nega a dar declarações sobre essa política segregacionista e foge da reportagem), colocando nossa mídia, o Esquerda Diário, à serviço de expressar a luta dos trabalhadores, como também nessa denúncia de que quilos de comida são jogados no lixo diariamente enquanto os trabalhadores terceirizados passam fome [http://www.esquerdadiario.com.br/DENUNCIA-USP-joga-quilos-de-comida-no-lixo-enquanto-nega-almoco-aos-terceirizados].

Como parte da Secretaria de Mulheres encaminhamos ofício para o USP Mulheres – um programa demagógico da Reitoria vinculado à iniciativa da ONU Mulheres que diz defender a igualdade das mulheres – exigindo que elas se manifestassem sobre essa segregação, considerando que a ampla maioria dos trabalhadores terceirizados da USP – e, em particular, as que estão no bandejão – são mulheres, e mulheres negras e/ou nordestinas. Até hoje, sem resposta. Encabeçamos a partir do Nossa Classe uma campanha de fotos entre os trabalhadores efetivos da USP e articulamos a partir da Faísca, com outros setores do movimento estudantil, um catracaço em apoio aos terceirizados. Desde o começo dessa batalha saímos com um amplo abaixo-assinado presencial e virtual contra a discriminação e um manifesto de juristas e advogados da Faculdade de Direito, buscando incorporar todas as correntes de esquerda da USP e da Diretoria do Sindicato e do Conselho Diretor de Base nessa batalha, além de todas as entidades estudantis, porque em nossa opinião esse tipo de luta defensiva contra os ataques da Reitoria simbolizam os ataques à nível nacional e exigem a mais ampla unidade de ação para resistir.

Essa unidade, porém, ainda ficou muito aquém do que poderia ter sido. Estamos numa Universidade em que o DCE foi eleito com mais de 300 apoiadores e 4.300 votos, se estes apoiadores pegassem cada um 10 folhas de abaixo-assinado para passarem em seus cursos teríamos muito mais milhares de assinaturas. As várias correntes de esquerda que dirigem Centros Acadêmicos ou oposições estudantis poderiam ter batalhado para que as entidades estivessem a serviço da luta, como é nossa concepção e foi nossa atuação nos cursos de pedagogia, como oposição, e na FFLCH. O conjunto da Diretoria do Sindicato pode e deve se empenhar com muito mais força nessa batalha sem desconectar das demais lutas que temos travado, como a campanha salarial e a defesa do HU, pois são todas partes de uma mesma batalha contra o desmonte, precarização e privatização da USP.

Não podemos esquecer que, junto aos ataques econômicos e as nossas condições de trabalho, temos visto um avanço do autoritarismo judiciário que retroalimenta esses mesmos ataques. Assim como a impunidade do Estado diante do bárbaro assassinato da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco, apenas reafirma o nosso chamado para ampliar essa unidade de ação. No último ato esteve presente o Deputado Estadual Carlos Gianazzi prestando importante apoio à luta e se comprometendo a entrar com uma denúncia na ALESP. Seguiremos nessa batalha, exigindo da Reitoria e do USP Mulheres, ampliando o alcance do abaixo-assinado e da denúncia na ALESP, chamando as demais organizações da esquerda para ampliar essa unidade e tomando todas as medidas cabíveis para eliminar essa segregação absurda, avançando para a conquista dos mesmos direitos e salários entre efetivos e terceirizados, homens e mulheres, brancos e negros, que passa necessariamente pela efetivação imediata dos terceirizados, sem a necessidade de concurso, para a unidade das fileiras operárias.

 
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