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Martes 24 de Abril de 2018
11:22 hs.

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REINTEGRAÇÃO METROVIÁRIOS SP
Demitidos políticos do Metrô de SP reintegrados: uma vitória da classe trabalhadora
Fernanda Peluci
Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

Após serem demitidos na greve de 2014 do Metrô de SP metroviários serão reintegrados. Sobre a solidariedade da classe trabalhadora que venceu Alckmin, a justiça e o Metrô de SP.

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Ontem acordei e o primeiro pensamento foi SERÁ REAL MESMO? A sensação é de que só acreditarei mesmo quando eu bater meu primeiro cartão depois de 3 anos, 10 meses e 3 dias demitida pelo governo Alckmin junto a outros 41 companheiros metroviários quando estávamos fazendo uma greve fortíssima contra o desmonte e o avanço da precarização dos transportes no Metrô de SP. Foi dia 9 de junho de 2014, a 4 dias da Copa do mundo no Brasil, aquele “Brasil padrão Fifa” já vinha sendo muito questionado no último ano. Chegamos a retornar ao trabalho e Alckmin nos demitiu novamente no natal, dia 24 de dezembro, sim, no natal, cruéis. Mas a patronal e o governo não contavam com uma grande arma dos trabalhadores, da qual os metroviários entendem muito bem: a solidariedade de classe.

O Metrô, a justiça e Alckmin foram derrotados pela solidariedade da classe trabalhadora nesta quinta-feira. Em defesa daqueles que lutaram e foram demitidos pelo Metrô, os metroviários aumentaram por todo este tempo a contribuição sindical para pagar os salários de todos os demitidos políticos da greve (de 1,3% para 1,9% da contribuição sindical), mostrando uma enorme solidariedade com os trabalhadores em luta e pouco vista nas demais categorias no Brasil e no mundo.

Tal ação em defesa dos demitidos não somente fortaleceu toda categoria metroviária, mas serviu de exemplo ao mundo inteiro. Dos salários pagos pela categoria metroviária a todos os demitidos políticos para que seguíssemos lutando durante este tempo todo, até toda campanha pela nossa reintegração de dezenas de categorias de trabalhadores, toda essa solidariedade foi imprescindível para esta vitória, para derrotar Alckmin, a justiça e o Metrô de SP. Agora empresa readmitiu todos os demitidos de 2014, garantindo 1 ano de estabilidade no emprego.


Garis do RJ, 2014


Carteiros de SP, 2014

Quinta-feira teve gente que veio de Cotia, de Guarulhos até o Tatuapé comemorar a reintegração. No bandejão da USP na hora da notícia todos do restaurante comemoraram. Uma amiga bancária me disse que sua colega de trabalho na Caixa Econômica estava contando para os clientes do banco que “estava feliz naquele dia por causa da reintegração dos metroviários”, teve brinde pra gente em Minas Gerais, La Plata na Argentina, em Campinas, em muitos muitos lugares, e SIM a classe trabalhadora conquistou mais uma vitória! É REAL.

Algumas pessoas lembraram do dia da nossa demissão afirmando pra mim que o que lhes marcou muito nesse dia foi eu chorando. Durante esse período da demissão alguns metroviários me contaram que no dia seguinte que fomos demitidos, que quando eles foram bater o cartão um dia após encerrada a greve também choraram. Quinta-feira na assembleia quando líamos o acordo do Metrô para nossa volta na assembleia estávamos de frente pra categoria e muitos metroviários choravam também, e era de alegria, de alegria por ter visto que a nossa luta, a potencialidade de nossa força que derrotou o Metrô de SP, Alckmin, e a justiça. Fez sentido para todos a solidariedade que nos deram nesse período.


Av. Paulista, 19 de junho de 2014

A justiça foi feita sim, foi feita pelas mãos dos próprios trabalhadores, por causa da nossa própria luta e dessa solidariedade, e é por isso que é importante lutar, confiar nas nossas próprias forças, e provamos mais uma vez que vale a pena. Nós, trabalhadores, provamos e vencemos, não foi a "justiça de tribunais" que só favorecem os poderosos. É necessário registrar também um agradecimento especial a toda a equipe jurídica do Sindicato que defendeu todos os demitidos neste período.

A solidariedade venceu. O governo nos golpeou mas não tombamos. Eles tinham tirado uma parte nossa, mas também nos deram outra: a certeza de que juntos éramos mais forte e que a solidariedade era necessária, isso prevaleceu, e agora tivemos a certeza de que este esforço não foi em vão e saímos fortalecidos. E os metroviários que gritavam na greve NÃO TEM ARREGO e NINGUÉM FICA PRA TRÁS o fizeram até o fim. E ontem a classe trabalhadora que tomou essa luta como sua e se solidarizou com os demitidos do Metrô acordou mais forte no mundo todo. Queremos e podemos ir por mais!


Metroviários no 1º Encontro Nacional do Movimento Nossa Classe, em novembro/2014

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Os metroviários estão em campanha salarial agora, a empresa quer aplicar a reforma trabalhista no Metrô. Querem sucatear os transportes fazendo com que a população pague a conta de uma crise que não criaram. Querem tirar o adicional de risco de vida dos metroviários, o plano de saúde, diminuir o adicional de hora extra, terceirizar nossas bilheterias, vender as linhas de metrô para os grandes empresários seguirem roubando o dinheiro da população deixando todos os dias eles passando sufoco com a superlotação dos transportes, demitem mais metroviários por "baixa produtividade" para avançar pra privatização, querem tirar nosso direito de votar em quem desejarmos votar nas eleições, querem silenciar a morte da Marielle.

Alckmin, Sérgio Moro, a burguesia possui seus instrumentos, mas nós temos os nossos também, nossa solidariedade, nosso direito de greve, nossa força e convicção de que lutar vale a pena e é possível vencer. Os professores e servidores municipais de São Paulo derrotaram Doria, os metroviários venceram Metrô, Alckmin e justiça, mostramos que o caminho da luta de forma independente é a saída, é o que nos mantém vivos, somos nós trabalhadores o sujeito transformador desta sociedade capitalista podre, e vejam: transformamos!

Contra os céticos escancaramos a força da classe operária, a única que pode derrotar os capitalistas e tomar o céu por assalto com seus métodos de luta! Hoje é mais um dia na luta, e devemos seguir fortes na batalha sem baixar nossa cabeça. Tomar as ruas por Marielle! Contra o golpismo e os ataques aos trabalhadores! Foras tropas do RJ! Quinta-feira que vem, dia 19, todos os metroviários à assembleia para derrotar os planos do governo que quer aplicar a reforma trabalhista no Metrô! Pela readmissão de todos os metroviários demitidos injustamente! Encontro vocês lá. LUTAR VALE A PENA E PODEMOS VENCER!


Trabalhadores da USP, 2014


Ferroviários em greve em Paris, junho de 2014


Estudantes da Unesp de Marília em greve, junho, 2014


Trabalhadores e estudantes do ABC, 2014


Movimento Nossa Classe, Rio de Janeiro, 2014


Demitidos políticos do Metrô contra as demissões na Volkswagen, 2014

 
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