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Jueves 20 de Septiembre de 2018
10:21 hs.

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COREIA DO NORTE
O significado da visita de Kim Jong-un à China
Claudia Cinatti
Buenos Aires | @ClaudiaCinatti

A reunião entre Kim e Xi Jinping sugere que aumentaram as probabilidades de que a cúpula Kim-Trump realmente ocorra. E para isso os principais atores estão se posicionando.

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A visita secreta, mas não surpreendente, de Kim Jong-un à China parece ter sido um exercício de aquecimento para o encontro cara a cara entre o líder norte-coreano e o presidente Donald Trump, que se tudo seguir igual, deverá ocorrer em maio.

A reunião entre Kim e Xi Jinping sugere que aumentaram as probabilidades de que a cúpula Kim-Trump realmente ocorra. E para isso o principais atores desse drama estão se posicionando, que como a mulher de César, não apenas tem que ser, mas também devem parecer o vencedores.

Xi Jinping usou a breve estadia de Kim para enviar aos Estados Unidos a mensagem de que influenciará de forma decisiva na agenda das eventuais cúpulas que a Coreia do Norte faça parte. E que isso está novamente no centro do cenário, depois que ficou relativamente secundarizado com a iniciativa diplomática entre as duas Coreias durante os Jogos Olímpicos de Inverso de Pieonchang.

Para Kim, a foto com Xi Jinping, mesmo que seja tomando notas, como mostrou a imprensa oficial chinesa, vale ouro. Para o “pequeno homem foguete” (como diz Trump) a viagem à Pequim serve para neutralizar o bullyng que a mídia faz e vender uma imagem de estadista, disposto a negociar com a grandes potências, com a segurança que demonstrou com sua capacidade nuclear. Mas além do resultado, a foto com Trump, se reúnem-se sozinhos, aumentaria suas ações. Por isso o establishment norte-americano sempre se apôs a uma cúpula deste tipo, em que um inimigo insignificante aparece em igual posição com o presidente da principal potência imperialista.

Trump atribui a si como um triunfo seu a mudança de posição da Coreia do Norte. Depois de tudo, com uma mescla de pressão por meios extra diplomáticos e certas concessões, os Estados Unidos conseguiu que a China e a Russia aceitassem impor as mais duras sanções até então contra Pyongynang, incluindo o fornecimento de energia e combustível.

As relações entre a China e a Coreia do Norte alcançaram seu ponto mais baixo na era Kim Jong-un – Xi Jinping. O líder norte-coreano desafio repetidas vezes o seu patrão aumentando os testes de mísseis. Executou seu tipo e assassinou seu meio irmão, ambos que possuíam relações políticas e comerciais com Pequim, devido à suspeita de que estava se planejando uma conspiração para derrubá-lo. Enquanto isso a burocracia do PCCh vê com preocupação que o poder beligerante de seu aliado dê corda para a política militarista norte-americana. Ainda que sem afogá-lo, decidiu tirar a corda reduzindo o intercâmbio comercial e assistência econômica, o que provavelmente ajudou a que Kim entrasse no trem blindado que o levou à China.

Mas para além das tensões, a aliança entre ambos é histórica e tem um valor estratégico. Ela remonta à Guerra da Coreia de 1950-53, na qual Pequim combateu ao lado do norte e reafirmou-se após o colapso da União Soviética. A Coreia do Norte depende 90% da China para sobreviver. A China privilegia a estabilidade na Coreia do Norte porque na realidade é um estado-tampão que a separa da Coreia do Sul, Japão e das tropas norte-americanas na região, e porque o colapso desse regime estalinista sui generis exportaria o caos através de suas fronteiras.

A estratégia da Coreia do Norte é ser reconhecida como membro de direito do seleto clube nuclear, ainda que seu discurso seja o de “desnuclearização” da ilha, o que teria como contrapartida que os Estados unidos faça o mesmo com o armamento nuclear disponível para a Coreia do Sul.

Os Estados Unidos encontram-se frente a um dilema entre aceitar o inaceitável ou empreender uma aventura militar de altíssimo custo, para a qual não encontrou companhia. Nem a Coreia do Sul nem o Japão estão dispostos a ir à guerra contra a Coreia do Norte. A arte de Trump é ocultar a debilidade da posição norte-americana por trás de uma política ofensiva. Além das questões comerciais, a renegociação do tratado de livre comércio com a Coreia do Sul, e em outro nível, a imposição de tarifas contra a China então imbuídas nesta realidade geopolítica. A conformação de um gabinete de guerra onde sentam-se falcões como Mike Pompeo e John Bolton alimenta a hipótese de que pode haver uma demonstração de forças compensatória. Não por acaso, os olhos começam a voltar-se para o Irã.

 
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