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Jueves 21 de Junio de 2018
16:54 hs.

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GREVE DE PROFESSORES
Greve dos professores municipais de SP: quais os próximos passos?
Mariana Pereira
Grazieli Rodrigues
Professora da rede municipal de São Paulo

No dia da mulher, dia em que também ocorreram diversos atos e greves mundo afora na Segunda Greve Internacional de Mulheres, professores do município de São Paulo, uma categoria majoritariamente feminina, iniciou sua greve contra o Projeto de Lei nº 621/2016, inicialmente do ex prefeito Haddad e “aprimorado” por Dória, que institui o Regime de Previdência Complementar na Prefeitura de São Paulo/Sampaprev, na prática, a versão municipal da reforma federal da previdência, que Temer não conseguiu aprovar e agora será levada à frente por cada golpista nos municípios que governam, como na proposta inicial.

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No dia 19/02 a categoria realizou uma primeira e importante paralisação se ligando a luta nacional contra a Reforma da Previdência do Temer, construindo um forte ato em São Paulo, mostrando que apesar de toda paralisa das centrais sindicais CUT e CTB os professores não vão se calar frente a continuidade do golpe. Neste mesmo dia, votamos a greve pro dia 08/03 em assembleia com mais de 10.000 professores pra enfrentar esse projeto do Dória.

Milhares de professores (cerca de 20 à 30 mil) participaram da assembleia no Viaduto do Chá e saíram em ato em direção à Paulista, onde se concentrava o ato do Dia das Mulheres que, infelizmente, as grandes centrais sindicais (como CUT e CTB) não organizaram conforme a convocatória da Segunda Greve Internacional de Mulheres, fazendo nosso país passar longe das paralisações que ocorreram em diversos países como Espanha e Argentina.

E também, infelizmente, nosso ato gigantesco não pode demonstrar toda sua força para Dória, pois tanto a APROFEM quanto o SINPEEM de Cláudio racharam o ato no momento em que a APROFEM permaneceu parada com seu carro de som atravessado para fazer sua própria assembleia em frente à Câmara, impedindo parte enorme do ato de seguir. A parte da frente do ato, com o carro de som do SINPEEM, seguiu abandonando milhares de professores pra trás, não batalhando pela unidade da categoria, pois sabe que um ato de vinte mil pelas ruas de São Paulo seria por si só uma forte pressão ao Dória, coisa que as burocracias sindicais não querem, especialmente Claudio que é aliado de Dória na Câmara. Ou seja, apesar de toda demagogia da necessidade de unidade nas falas de Claudio, ele a partir do próprio sindicato divide a categoria impedindo que se expresse como uma só força num ato importante como o de ontem.

Se a própria direção do sindicato não batalha pela nossa unidade frente os ataques, como podemos proceder?

Para nós do Nossa Classe Educação, para barrar o SAMPAPREV do Dória, que quer fazer um enorme ataque aos servidores municipais para dar o exemplo de como levar a frente os planos golpistas de que os trabalhadores paguem com seu salário e aposentadoria as contas da crise, precisamos de muita união, para além da própria categoria. O SINPEEM, que é filiado à CUT precisa fazer uma exigência a sua centra sindical e também a CTB para que coloquem toda sua força pra cercar de solidariedade a nossa greve, entendendo que nossa vitória pode ser o exemplo contrário ao que Dória quer dar para os golpistas e burguesia (de que pode passar uma reforma da previdência), pode ser o exemplo de como barrar essa retirada de direitos de uma vez por todas. Para ter a força necessária pra vencer, é preciso que todos os sindicatos das demais categorias dirigidas por essa centrais expressem seu apoio ativo à nossa luta, se somando as nossas assembleias, atos e outras ações, e mostrando pro Dória que não estamos sozinhos.

A partir das nossas pequenas forças fazemos esse chamado de solidariedade à CSP Conlutas, e a todos os partidos de esquerda que se coloquem pra apoiar essa grande luta ativamente.

E é pensando em como construir nossa vitória, confiando em nossa enorme força, que precisamos iniciar desde já forte comandos de greve em todos os lugares, com delegados revogáveis eleitos em cada escola, para discutir e organizar coletivamente a greve em todas as escolas, de forma articulada e em unidade, pensando todo o tempo quais são as melhores táticas que podemos usar pra buscar o apoio de toda a comunidade escolar, furar o cerco da mídia, ganhar apoio e forças para colocar o Dória de joelhos.

Somente tomando os rumos da greve em nossas mãos podemos vencer, em nossa opinião é preciso impor também que exista uma comissão eleita pela base da categoria em cada possível mesa de negociação, dado que Claudio Fonseca é vereador pelo PPS e base aliada de Dória, e não podemos ter nenhuma confiança!

Defendemos também que a greve é um direito conquistado, nesse sentido não é crime, e não devemos receber punição, como aconteceu ano passado com a reposição. Todos sentimos na pele essa política do PSDB de desgastar ao máximo os lutadores, pra que Dória possa fazer conosco o que Alckmin vem fazendo no Estado. Não podemos aceitar isso, somos os mais interessados em repor o conteúdo necessário para os alunos, mas isso deve ser feito de acordo com as necessidades de cada escola, organizado pelos próprios grevistas. Nosso sindicato precisa defender os nossos direitos, e o direito de lutar é um deles, por isso desde já tem que levantar como pauta da greve: Nenhuma punição, reposição flexível organizada por escola.

A próxima assembleia e manifestação da categoria está marcada para o dia 15 de março, às 14 horas, em frente à câmara municipal (Viaduto Jacareí, 100), no dia e local da audiência pública na Câmara contra o SAMPAPREV. Venham todos e todas!

Acesse também a página do Nossa Classe Educação, mande sua opinião, vamos debater essas ideias que apresentamos e nos organizar juntos.

Entenda o SAMPAPREV

O SAMPAPREV é um novo regime de aposentadoria para os futuros servidores municipais a ser gerido pelo setor privado, e que, por ora, já aumenta o valor de contribuição de 11% para 14%, chegando até a 19% (porcentagem que varia conforme faixa salarial) do salário dos servidores ativos e aposentados, estes hoje isentos do pagamento previdenciário, o que equivale a um salário inteiro por ano só de contribuição previdenciária ou 35 dias trabalhados apenas para pagar isso, e que, somado à faixa do imposto de renda de 27,5%, desconta 50% do nosso salário todo mês. Algo que também não deixa claro é o que acontecerá com os já aposentados pelo atual sistema previdenciário municipal (IPREM) com essa transposição do sistema público para o privado. O que se aponta é que num dado momento os aposentados pelo IPREM não terão como receber sua aposentadoria, já que as contribuições estarão todas sendo depositadas no SAMPAPREV. E como se não bastasse tudo isso, fixa um teto para aposentadoria no valor de R$ 5.645,8, ou seja, também é um ataque direto à progressão de carreira da categoria, um direito duramente conquistado. A primeira votação do projeto pelos vereadores está prevista para ocorrer entre os dias 20 e 23 de março e a segunda entre os dias 26 e 28 de março.

 
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