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Lunes 25 de Septiembre de 2017
06:33 hs.

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RIO DE JANEIRO
Não ao acordo de Temer e Pezão! Que os empresários e os corruptos paguem pela crise do Rio!
MRT - Rio de Janeiro

No cúmulo do cinismo Rodrigo Maia chora, e Pezão sorri, ao assinarem o acordo de entrega do estado do Rio de Janeiro. Um acordo que “recupera” ainda mais as margens de lucro dos capitalistas, e quer abrir caminho ataques que até então não estavam em debate.

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A assinatura do chamado “acordo de recuperação fiscal” entre a Secretaria da Fazenda e o Estado do Rio de Janeiro é a sinalização por parte da União que, ao invés de ajuda foi gestado um plano de ataques o governo golpista de Temer junto à Pezão e com as digitais de Rodrigo Maia para transformar o Rio em uma “Grécia”. No cúmulo do cinismo Rodrigo Maia chora, e Pezão sorri, ao assinarem o acordo de entrega do estado do Rio de Janeiro. Um acordo que “recupera” ainda mais as margens de lucro dos capitalistas, e quer abrir caminho ataques que até então não estavam em debate.

Anunciando que haverá Plano de Demissão Voluntária de servidores do Rio, junto à pressa para viabilizar a privatização da CEDAE entregando a água e o saneamento básico de todo carioca fluminense para os lucros da iniciativa privada, o parecer do Ministério da Fazenda ainda sinaliza ataques ao ensino superior público ameaçando a UERJ, UEZO e UENF, com o objetivo de colocar as condições para, no futuro, fechar estas Universidades.
O mesmo acordo perpetua os 1,3 milhões de desempregados do estado ou os milhares de trabalhadores que tem os salários corroídos pela inflação e sofrem os efeitos da reforma trabalhista no seu dia-a-dia. Pelo contrário, no acordo só se saem bem os políticos ultra privilegiados com salários estratosféricos que usam a máquina do estado para governar para os capitalistas, além dos juízes e todo alto escalão do governo.

Fundamentalmente, o acordo assinado no dia de ontem permite que, com cortes e ataques aos trabalhadores, o governo do estado possa continuar, como foi com Cabral, contraindo empréstimos em complexas transações financeiras que comprometem a arrecadação futura, além de seguir dando isenções fiscais aos grandes grupos capitalistas do estado e aumentando cada dia mais uma dívida pública monstruosa que só favorece aos grandes bancos. Em troca disso, promete que seguirá atacando os trabalhadores, os direitos da juventude e do povo pobre, ocupando militarmente as áreas mais pobres da cidade, tudo o que for necessário para manter seus desmandos no governo. Como mostraremos aqui a razão da crise do estado não é o salário dos servidores públicos, ou os gastos com Saúde e Educação, mas a farra patrocinada pelos políticos dos ricos em prol dos capitalistas. Por isso eles é que devem pagar por essa crise.

Uma crise criada pelo lucro dos capitalistas

O Rio de Janeiro foi de vitrine do Brasil a exemplo de crise capitalista em poucos anos. A cidade que era símbolo do crescimento econômico, que teve Olimpíadas, Copa, e imensos investimentos em infraestrutura, teve também bilionários desvios de verba. Um cartão postal para os capitalistas investirem e terem lucros imensos explorando uma mão-de-obra barata, e uma classe trabalhadora que produz muito por um preço muito baixo.

Com ajuda do governo do estado, que hoje se encontra em falência, impérios que já existiam aqui, se lançaram na arena internacional e aumentaram monstruosamente seus lucros. Agora toda que aquela economia artificialmente inflada por bilionárias isenções fiscais – foram 138 bilhões somente de ICMS não arrecadado entre 2008 e 2013 – e pela parceria entre o estado e as empreiteiras (Odebrecht, OAS, CCR, Andrade Gutierrez), se esvaiu e o governo e os capitalistas estão descarregando a crise nas costas dos trabalhadores.

Uma farra em que o estado e município (Cabral e Paes) financiaram os capitalistas. Cabral chegou a dar uma fábrica para a JBS em troca de financiamento eleitoral para Pezão. Paes não ficou atrás, aliou-se à máfia dos ônibus que financiam as campanhas dos políticos e mandam na cidade, cobrando tarifas abusivas enquanto fornecem latas-velhas para o povo, e ainda demitiram a maioria dos cobradores explorando duplamente o trabalho dos rodoviários com a dupla-função.

Riqueza para os de cima, crise para os de baixo

Contrastando com aquele cenário, o estado do Rio de Janeiro bateu recorde de desempregados no segundo bimestre deste ano. Segundo o PNAD do IBGE divulgado em 17 de agosto, o Rio já tem 1,3 milhões de desempregados. Servidores sem receber salários, aumento da repressão com o exército nas ruas, e uma miséria crescente. Esta é a mostra mais profunda da crise para cariocas e fluminenses. A miséria alimenta o lucro dos capitalistas, que demitiram em massa e exigiram uma reforma trabalhista para aumentar a exploração do trabalho. Enquanto isto, milhares são jogados nas filas do desemprego que aumentam, gerando cenas revoltantes como os maus-tratos na fila da Feira de Empregos.

No ranking dos mais ricos do Brasil feito pela revista exame em 2017, o primeiro lugar é justamente Jorge Paulo Lemann dono da AmBev que mora hoje na Suíça, e em terceiro e quarto lugares estão outros dois executivos da empresa, Marcelo Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. Respectivamente tem como patrimônio pessoal US$ 29,2 bilhões, US$ 14,8 bilhões e US$ 12,5 bilhões de dólares cada um, riqueza construída recebendo facilitações do estado, seja pelas isenções bilionárias com que a empresa não precisou pagar imposto, seja pelas condições de trabalho super-explorado dentro da empresa,facilitadas agora com a reforma trabalhista de Temer.

Os capitalistas se beneficiam diretamente da crise do Rio, porque com o aumento do desemprego conseguem rebaixar ainda mais os salários. E além disso continuam gozando de absurdas vantagens. No final de 2016 enquanto os servidores sem salário dependiam de cestas básicas para ter o que comer no Natal, a AmBev teve lucro de 12,5% correspondendo a R$ 4,672 bilhões de reais. Esta empresa que coleciona infrações e reclamações na justiça do trabalho e até em organismos de direitos humanos, recebeu do governo do estado em dezembro de 2014 uma isenção fiscal de R$ 850 milhões de reais, mais R$ 760 milhões em março de 2015, mais R$ 650 milhões em abril de 2017 por parte de Pezão, totalizando incríveis R$ 2,26 bilhões. Sem falar nas isenções para outros grandes grupos capitalistas.

Impérios construídos sobre o suor e sangue dos trabalhadores com a ajuda do estado

Outro império construído na cidade do Rio de Janeiro é o dos Reis dos ônibus. Jacob Barata Júnior que herdou os negócios do pai, estava prestes a ir para Portugal depois que a investigação sobre o esquema de faturamento em cima da abusiva passagem dos ônibus tomou a mídia. Barata passou tempo recorde em prisão preventiva, sendo liberado rapidamente por Gilmar Mendes, padrinho de casamento de sua filha e Ministro do Supremo.

O estado que mantém Rafael Braga e milhares de outros presos injustamente libera os capitalistas para viverem em suas mansões, pelo simples motivo que são estes que estão no controle, eles que financiam as máquinas dos partidos e todo o estado lhes serve como balcão de negócios. Para Barata isto rendeu além de 25% da frota dos ônibus também o Banco Guanabara. Parte de seu império já se expandiu com empresas de ônibus em outros estados, lucrando com o suor diário dos trabalhadores que pagam tarifas abusivas regulamentadas pelas prefeituras que estão em suas mãos. De Paes para Crivella o império dos Barata se mantém intacto na cidade do Rio, tendo inclusive recebido isenções fiscais do pastor-prefeito que mandou cortar o bilhete único dos estudantes.

Outro gigante nacional odioso construído no Rio é o império da Rede Globo, beneficiado pelo estado durante a Ditadura Militar quando ganhou a maioria das concessões de Televisão atuando em defesa do regime dos generais. José Roberto Marinho, Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho acumularam durante este tempo US$ 3.8 bilhões, US$ 3.8 bilhões e US$ 3.7 bilhões ficando em oitavo, nono e décimo colocados na lista dos mais ricos no país em 2017.

Sendo o monopólio de comunicação do país eles decidem o que vai ao ar, quem apoiar e quem derrubar, tendo sido ativos no golpe institucional e pelas reformas de Temer contra os trabalhadores, fazendo campanhas contra as greves dos trabalhadores servindo de ferramenta essencial para que os capitalistas descarregassem a crise em nossas costas através de suas mentiras propagadas em escala nacional. E por isso recebem todo tipo de benesses dos governantes que não querem ficar mal na telinha, inclusive assento de honra não pagando imposto nos grandes eventos.
Outro grande negócio capitalista dirigido por círculos de famílias controladoras de grandes empresas são as gigantes empreiteiras que atuaram desde sempre do Rio de Janeiro, com muita atividade no último período com inúmeras obras ligadas às Olimpíadas e à Copa do Mundo que beneficiaram muito mais as construtoras do que diretamente o povo da cidade e do estado do RJ. E dentre as empreiteiras, as que mais atuaram foram as mais poderosas, chamadas de “4 irmãs”: OAS, Odebrecht, Andrade Guitierrez e Camargo Correa (CCR).

Dez das principais obras neste último período somaram um gasto total de R$ 30 bilhões de reais; estas são a Linha 4 do Metro, a construção do Porto Maravilha, a reforma do Maracanã, os corredores expressos do BRT Transcarioca, Transolímpica e Transoeste, a Vila dos Atletas, o Parque Olímpico, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), e a “reabilitação ambiental” da bacia do Jacarepaguá. Destas 10, a Odebrecht participou de 8, a OAS e a Andrade Gutierrez em 6 projetos. 7 dos 10 projetos tem duas ou mais destas quatro irmãs.

As empreiteiras não só constroem. Elas são donas de quase tudo que é infraestrutura no Rio de Janeiro. A CCR monopoliza o acesso à Niterói com as barcas e o a ponte, a Odebrecht controla os trens da região metropolitana do Rio através da SuperVia, a OAS participa do controle do Metro e o pedágio da Linha Amarela através de sua participação na Invepar, e através da Invepar divide com a Odebrecht e a CCR o controle do BRT Transolímpica também.

As empresas de Eike Batista, envolvido em diversos escândalos, bem como a Odebrecht, OAS, Camargo Correia, o império de Barata e todos os que lucraram horrores com esquemas de desvios devem ser expropriadas sem indenização. O dinheiro que essas empresas usam em seus conchavos foi roubado de nós, trabalhadores, jovens e de todo povo.

Expropriar as empresas dos corruptos e taxar os bilionários para garantir emprego, salário, educação e moradia

Enquanto estes bilionários vivem em suas mansões e têm seu “lugar ao sol” garantido através de explorar os trabalhadores e de benefícios com seu estado, Temer e Pezão querem que quem pague pela conta sejam os estudantes da UERJ, UEZO, UENF, os servidores do estado que ficam sem receber, os mais pobres que não tem acesso à saúde e educação que é precarizada pelo estado, os milhões de trabalhadores são humilhados nas filas de emprego, demitidos, e obrigados a aceitar condições degradantes de trabalho. Muitos ainda podem ter seus salários reduzidos terem seus postos de trabalho precarizados através da reforma trabalhista.

Isso não é justo, os capitalistas devem pagar com suas fortunas pela crise que foi criada no Rio em seus benefícios.

Centenas de milhares de servidores tem seus salários parcelados, terceirizados são demitidos e ficam meses sem receber com calote das empresas contratadas pelo estado, algumas dezenas de pessoas sequer tem aonde morar, moram pelas ruas da cidade. Universidades como a UERJ sangram por falta de verba. Esta miséria capitalista é funcional para que os ricaços, e os políticos que os servem, sigam vivendo no luxo construído pelo suor das famílias de milhões de trabalhadores, e sobre o sangue que corre todos os dias e mancha o chão das favelas, sobretudo o sangue dos negros vítimas do estado desta burguesia que faz questão de manter vivos resquícios do escravismo.

Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores propomos que se discuta em cada sindicato, centro acadêmico, associação de moradores ou movimento popular, a necessidade de impor no Rio de Janeiro a taxação das grandes fortunas destes capitalistas, levantando um forte movimento de oposição aos ataques planejados pelo ultra-neoliberal Meirelles, levados adiante por Temer, Pezão e seus aliados.
Frente a essa situação não basta meramente fazer CPIs das isenções como defende Marcelo Freixo e outros parlamentares do PSOL. Ainda que seja importante denunciar e saber quais são os grupos capitalistas que se alimentam da farra das isenções, é preciso golpear seus lucros e a própria propriedade privada com a força da mobilização dos trabalhadores. Não há uma saída de fundo possível sem isso.

Muito se ouve nas ruas frente à crise do estado de que é “preciso parar tudo”. Mas as burocracias da CUT e CTB foram um freio para os trabalhadores lutarem contra as reformas e os ataques no estado, atuando como uma direção traidora. É preciso superar isso, criando um amplo movimento dos trabalhadores que seja capaz de fazer com que os capitalistas paguem pela crise, expropriando as empresas dos corruptos, taxando as grandes fortunas e não pagando a dívida pública. Assim é que se pode garantir dinheiro para Saúde e Educação, para reverter o desemprego e demais demandas dos trabalhadores.

Esse movimento de trabalhadores deve envolver também toda a força social que se expressou no Rio de Janeiro com mais de 1 milhão de votantes no Freixo, que negaram-se a votar na direita e buscaram uma alternativa à esquerda do PT nas últimas eleições. Existe aqui uma importante bancada do PSOL, composta por Renato Cinco, Tarcísio, dentre outros, que pode e deve assumir a tarefa de cumprir um papel de chamar um movimento com essas demandas.

É para avançar nessa perspectiva que o Esquerda Diário chama todos a impulsionar uma ampla campanha para que os empresários e corruptos paguem pela crise.

 
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