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Lunes 23 de Octubre de 2017
01:17 hs.

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PROFESSORES
Mais de 100 professores lançam movimento "Nossa Classe Educação"
Redação

Ocorreu nesse sábado em São Paulo o encontro, “O papel dos professores para enfrentar a crise”. Foram mais de cem professores debatendo como lutar contra as reformas reacionárias do governo Temer, e diversos ataques a juventude e à categoria que sofre com salas lotadas, baixos salários, e agora são obrigados a ver seus alunos terem comida negada pelo governo Dória (PSDB) em São Paulo, ou no Rio de Janeiro que milhares tem seus salários cortados.

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O encontro foi organizado pela agrupação “Professores pela Base”, MRT (movimento revolucionário dos trabalhadores) e pelo Esquerda Diário. Professores, jovens secundaristas e universitários falaram sobre a situação das suas escolas e universidades. A mesa foi composta pelos professores de São Paulo, ABC e Campinas: Marcella Campos, Maira Machado, Danilo Magrão e Grazi Rodrigues.

A professora Marcella Campos abriu o debate oferecendo um panorama geral da crise vivida no país. Ela apontou também como a categoria foi vanguarda de diversas greves nos últimos anos, que tem exemplos de luta como os professores do Paraná, e nesse ano foi linha de frente da paralisação do dia 15 de Março e da Greve Geral do dia 28, juntamente com os trabalhadores do transporte e diversas categorias.

Marcela no ultimo mês fez uma denúncia ao prefeito de São Paulo, João Dória, que esta cortando a merenda escolar e negando comida a milhares de crianças. Sua denúncia estourou na internet e escancarou a calamidade que vivem professores e alunos nas escolas. Enquanto vemos um projeto de escola para “lideres mundiais”, com mensalidade de 8 mil por mês, a escola pública vive em pedaços, com professores ganhando uma migalha, escolas sem estrutura, estudantes sem merenda.

Danilo Magrão, professor em Campinas, apontou a contradição entre monopólios educacionais lucrarem dando ensino precário, ou pólos educacionais voltados a elite, enquanto a rede pública é sucateada. Esse sucateamento mostra os objetivos estratégicos da burguesia, que Temer vem colocando em prática. A reforma trabalhista quer uma mão de obra barata e precária, para isso o governo sucateia e transforma as escolas em uma educação técnica e mínima para formar essa força de trabalho barata.

Nas intervenções diversos professores afirmaram como as escolas são “depósitos” de alunos, e não pólos de formação e conhecimento. Os anos empregados no estudo pedagógico são completamente desvalorizados e impedidos de serem colocados em prática, pois a realidade escolae é “se virar” para educação dezenas de jovens em salas lotadas, quentes e sem estrutura.

A professora Maíra Machado, de Santo André no ABC Paulista, aprofundou-se no debate de como a categoria é majoritariamente feminina, e por isso o governo usa da opressão às mulheres para precarizar ainda mais a categoria. Associando a pedagogia a um trabalho desvalorizado socialmente que é o cuidado das crianças e dos lares. Usam dessa opressão para rebaixar salários, e para vermos governantes falarem que os professores tem que educar por “amor”, como se a pedagogia não fosse um conhecimento, uma formação e que os professores têm o direito a trabalhos dignos e a valorização. Para facilitar essa operação, no currículo escolar não entra a história de mulheres como Rosa Luxemburgo, das revolucionárias na Revolução Russa, nem Dandara e a luta das mulheres negras e de outras mulheres revolucionárias.

Os problemas sentidos todos os dias nas escolas são reflexo de um projeto de educação levado pelos governos junto aos empresários, onde a rede publica já precária vem sofrendo mais ataques, objetivos e subjetivos. Objetivos no fechamento de salas, não contratação de novos professores e salários congelados há anos por todo o Brasil, além da reforma trabalhista e da previdência que atingem em cheio à categoria.

Mas também existe uma série de ataques subjetivos, o mais ofensivo defendido pelos setores de direita mais reacionários, como Bolsonaro, João Dória, Temer e outros, que é a “Escola sem partido” que se combina a proibição de aulas de educação sexual em várias cidades. Querem calar os professores e tirar o acesso ao conhecimento critico a juventude.

A professora Grazi Rodrigues de Campinas, como também outras intervenções na atividade, destacou a critica ao sindicato, APEOESP, dirigido pelo PT, que aceita todos os ataques sem mexer um dedo. A APEOESP atua junto à CUT e CTB que aceitaram o golpe e permitiram que a reforma trabalhista passasse sem luta. Essa burocracia impede a luta dos professores, enquanto seus diretores gozam de privilégios. Por isso a necessidade de superar essas burocracias e retomar o curso da greve geral no país.

Nessa tarde, professores que há anos vem construindo o movimento “Professores pela Base”, lançaram hoje a nova agrupação “Nossa Classe Educação”, a partir das discussões realizadas hoje, e das últimas experiências de luta desse ano, como a greve geral, a marcha a Brasília em 24 de maio e também se apóia em iniciativas locais, como por exemplo na Zona Norte de São Paulo, onde a agrupação tem feito, como a organização junto aos estudantes de atos e atividades contra a reforma da previdência e em defesa do passe livre.

Por fim foi uma reflexão forte em todas as falas, foi a necessidade do acesso ao conhecimento, a educação, ao senso critico e o conhecimento da história da humanidade. Todas as pessoas precisam ter direito a educação, a não morrer nas escolas, como foi o caso de Maria Eduarda no Rio de Janeiro, essa é a realidade atual, baixos salários, precarização, morte e fome. Mudar isso é um desafio e uma paixão, nesse sentido foi lançada a campanha “nossa educação vale mais que os lucros dele” foi uma das principais resoluções votadas, que sintetiza os desafios e objetivos da discussão, junto ao lançamento da nova organização "Nossa Classe Educação" e a proposta do lançamento da revista "Ideias de Esquerda" especial educação para sintetizar e avançar os debates.

 
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