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Viernes 17 de Noviembre de 2017
14:22 hs.

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ATAQUES À CULTURA
Marchezan e os ataques à cultura popular
Redação Rio Grande do Sul

Marchezan Jr (PSDB), o prefeito dos empresários do transporte, tem atacado servidores, manifestantes, estudantes, ambulantes e trabalhadores. Move uma ofensiva violenta na tentativa de privatizar a Carris e o Dmae. Em meio a tudo isso o prefeito vem, desde o início do ano, promovendo uma série de ataques contra a rica cultura popular de Porto Alegre.

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Recentemente o secretário de cultura de Porto Alegre, Luciano Alabarse, causou certo furor na cidade ao comparar, de modo bastante forçado, o prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB) a Caetano Veloso. O texto, que mais parece um culto ao líder, faz referência ao fato de que tanto Caetano quanto Marchezan seriam "visionários altivos" que resistem aos ataques de uma sociedade antiquada e conservadora que não consegue compreender suas ideias.

A partir do que afirma o secretário de cultura da cidade é possível pensarmos acerca do quão "visionário e altivo" tem sido Marchezan com relação à cultura popular de Porto Alegre. Em primeiro lugar, chama a atenção o modo com que, no início do ano, o prefeito tratou a questão do Carnaval, uma das principais festas populares na cidade e em todo o país. Pela primeira vez em quase 60 anos um prefeito de Porto Alegre vetou qualquer apoio financeiro à festa.

Ainda em Janeiro, a Liga Carnavalesca da cidade, após a declaração do prefeito de que não haveria apoio financeiro nenhum para o Carnaval e o desfile das escolas de samba, organizou um projeto no qual o investimento necessário para a realização da festa popular se encontrava fortemente reduzido com relação ao orçado nos anos anteriores. Marchezan se recusou até mesmo a ler o projeto. Como consequência, o desfile acabou ocorrendo apenas no final de Março, ou seja, um mês depois do fim do Carnaval.

Na última quinta-feira, dia 10, ocorreu uma audiência pública na câmara de vereadores da cidade para tratar da questão. Marchezan e Alabarse, claro, não compareceram. Os carnavalescos denunciaram o descumprimento, por parte do prefeito, da Lei Orgânica do município que obriga a prefeitura a comprometer 1% de seu orçamento com a realização da festa. Também denunciaram o fato de que, ao mesmo tempo em que Marchezan não destinou um centavo sequer para a realização do Carnaval, ter a prefeitura financiado a festa de São Patrício, uma festa europeia que ocorreu no bairro Moinhos de Vento, conhecido bairro burguês da cidade.

Ao mesmo tempo em que a prefeitura alega não ter recursos para financiar o Carnaval, financia uma festa de origem europeia em um bairro de elite da capital. Ao mesmo tempo, como denunciamos aqui, concede aumento de 100% no salário de seus secretários. Ora, há uma crise nas finanças da capital, mas deve ser denunciado o fato de que está sendo jogada sobre os ombros dos setores populares. Os cortes no Carnaval são mais um exemplo disso: descumprindo uma Lei Orgânica e sem aceitar dialogar, Marchezan resolveu cortar gastos de uma importante festa popular com forte presença da cultura negra da cidade.

E os ataques à cultura popular da cidade não páram aí. Marchezan, descumprindo mais uma vez a lei, se recusa a pagar artistas (numa lista que vai desde o Festival de Teatro de Rua até as atividades da Semana da Consciência Negra do ano passado), fez de tudo para dificultar a realização do Usina das Artes e, pela primeira vez, estipulou a cobrança (no valor de 40 reais) para as atividades do tradicional Festival de Inverno da cidade, demonstrando uma forte tendência a uma gestão que busca elitizar a cultura da Porto Alegre.

A partir disso se torna risível a comparação feita por Alabarse entre Marchezan e Caetano. O bom Caetano (que não é aquele criticado por Roger Waters por aceitar tocar em Israel) foi profundamente questionador durante a ditadura militar e participou de um dos mais importantes movimentos culturais da história do país, a Tropicália. Já Marchezan, é um representante da elite, em especial dos empresários do transporte e da ATP, que tem atacado diretamente o que há de mais tradicional na produção da cultura popular em Porto Alegre para garantir os lucros dos capitalistas. Contudo, não há vida sem cultura: nossas vidas valem mais que os lucros deles.

 
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