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Jueves 19 de Octubre de 2017
16:55 hs.

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ACAMPAMENTO DE INVERNO DA FAÍSCA E PÃO E ROSAS
PALESTRA | Mulher e revolução russa: nossa luta pelo comunismo
Redação
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Divulgamos aqui o vídeo da segunda mesa realizada no acampamento de inverno "100 anos da revolução russa e o comunismo hoje" organizado pela juventude Faísca e o grupo de mulheres Pão e Rosas.

A mesa "Mulher e revolução russa: nossa luta pelo comunismo" foi conduzida por Diana Assunção, dirigente do MRT e fundadora do grupo Pão e Rosas no Brasil. Veja sua intervenção completa abaixo:

Confira também a palestra de Simone Ishibashi: 100 anos da Revolução Russa: a estratégia da maior revolução da história

Confira também a palestra de Iuri Tonelo: A atualidade do comunismo

Leia abaixo a intervenção de Diana Assunção na íntegra:

Conferência no Rio de Janeiro, 29 de julho de 2017
Acampamento da juventude “100 anos da Revolução Russa”

Conhecer a história da Revolução Russa lança uma luz sobre como encarar a discussão sobre a libertação feminina no processo da revolução e também sobre o papel das mulheres. Em primeiro lugar vale destacar três conceitos básicos fundamentais: 1) exploração é a dominação de uma pequena classe (dominante) sobre a outra roubando seu trabalho excedente através da mais valia por deter os meios de produção; e opressão é a utilização das diferenças (de gênero, sexuais, raciais, de nacionalidade) para subordinar um grupo social, a relação entre ambas no sistema capitalista é poderosa, e se expressa de forma aguda com a precarização do trabalho, com a dupla jornada e com o fato de que as mulheres tem salários menores que os homens 2) se vivemos em numa sociedade dividida em classes sociais, então as mulheres não são uma classe social mas sim um grupo socialmente subordinado e policlassista 3) a opressão de gênero, também conhecida como “patriarcado” (sociedade que subjuga a mulher apenas por ser mulher) já existia antes do sistema capitalista. Estes são apenas conceitos básicos do marxismo revolucionário, pra desde já apontar uma visão de mundo que nos separa, do ponto de vista da estratégia, de muitos feminismos existentes hoje.

Agora o nosso assunto hoje será a experiência de 1917. É um fato que falar da mulher e da Revolução Russa é falar da maior experiência pela libertação feminina da história da humanidade, nada menos que isso. Não tem nada a ver com uma mudança cultural ou subjetiva em si mesma que muitos feminismos pós-modernos apresentam hoje. Não tem nada de romântico nem de pacifista nem de gradual. Muitas das teorias feministas pós-modernas, sem uma estratégia pra realmente vencer, terminam no estreito horizonte do capitalismo, buscando ampliação de direitos, enaltecendo uma suposta emancipação individual ligada ao próprio corpo, mas mantendo intactas as bases e a raiz que sustentam essa opressão e sem apresentar nenhum plano de libertação científico.

Como vocês poderão ver, o bolchevismo e a luta das mulheres não têm nada a ver com estas teorias. Por isso, além de mostrar o papel das mulheres na revolução, os enormes avanços que a Revolução Russa concedeu as mulheres também vou me basear nos grandes dirigentes da Revolução Russa e como incluíam a luta contra a opressão as mulheres não como um “adendo”, mas como uma tarefa central da Revolução.

Leon Trotsky, grande dirigente da Revolução Russa, dizia que para ser um revolucionário é preciso enxergar a vida com o olhar das mulheres. Desconfio que ele tenha conseguido. No texto “Para construir o socialismo é preciso emancipar a mulher e proteger a maternidade” ele definiu que: a profundidade da questão da mulher está dada pelo fato de que ela é, em essência, o elemento vivente no qual se entrecruzam todos os fios decisivos do trabalho econômico e cultural. Ou seja, que no modo de produção capitalista, em uma sociedade baseada na exploração do trabalho humano, uma sociedade dividida em classes e também patriarcal as contradições desta mesma sociedade perpassam a vida das mulheres, em seus avanços e retrocessos.

É nisto que reside os esforços para libertar a mulher economicamente do jugo do homem, com leis que protegessem a maternidade, mas também libertar as mulheres das tarefas domésticas permitindo um novo horizonte, inclusive com o esforço empreendido por Lenin para que as mulheres passassem a ocupar postos de direção nos sovietes e no próprio Estado operário.

Desde este prisma, vou tentar resgatar elementos históricos do processo da Revolução Russa para podermos analisar esta visão dos bolcheviques durante e depois da tomada do poder.

A greve das operárias em março de 1917

As mulheres trabalhadoras, depois de anos e anos protagonizando importantes greves, representavam em 1917 a faísca que podia começar o incêndio da Revolução. Sobre esta massa feminina as grandes dirigentes revolucionárias do Partido Bolchevique buscavam fazer um forte trabalho revolucionário.

Operárias, em especial as têxteis, foram estas mulheres que no dia 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário ocidental) se manifestaram exigindo pão paz e liberdade e abriram caminho para a maior revolução do século XX, que começou nesta data e culminou em outubro, com a tomada do poder pelo proletariado sob direção do partido bolchevique, como já explicou Simone.

Em a História da Revolução Russa Trotsky conta que: Era o Dia Internacional da Mulher. Os círculos social-democratas pretendiam marcar este dia do modo tradicional: reuniões, discursos, panfletos. Ninguém imaginou que este poderia ser o primeiro dia da revolução. Nem uma só organização chamou greves naquele dia. Apesar disso na manhã seguinte as operárias têxteis em várias fábricas saíram em greve e enviaram delegadas aos metalúrgicos, pedindo apoio. Os bolcheviques concordaram. Então foi fato: as mulheres trabalhadoras foram a faísca da revolução.

As mulheres no Partido Bolchevique e a Secretaria de Mulheres

O Partido Bolchevique tinha importantes mulheres dirigentes que encabeçaram a revolução e o processo de organização das mulheres trabalhadoras. Alexandra Kollontai, Clara Zetkin, Inessa Armand, Nadezhda Krupskaya, Anna Ulianova_Elizarova, Larissa Reisner entre muitas outras. Sobre Larissa Reisner, em sua auto-biografia Leon Trotsky disse: “passou sobre o céu revolucionário como um meteoro escaldante, proeminente no Exército Vermelho e na revolução”. Elas eram todas árduas defensoras da visão bolchevique da relação entre opressão e exploração, como explicou Krupskaya:

“As mulheres da classe operária constatam que a sociedade atual está dividida em classes. Cada classe tem seus próprios interesses. A burguesia tem os seus, a classe operária tem outros. Seus interesses são opostos. A divisão entre homens e mulheres não tem grande importância para as mulheres proletárias. O que une as mulheres trabalhadoras com os trabalhadores é muito mais forte que o que os divide”

Por isso, a emancipação das mulheres era tarefa central da revolução e não ad hoc, como vamos ver em seguida.

O trabalho doméstico e o Código da Família, da Tutela e do Casamento

Agora que passamos minimamente pelo início da revolução e o papel das operárias, e pincelamos um pouco sobre as principais dirigentes do Partido Bolchevique, vamos as discussões mais profundas que perpassam a relação de gênero e a revolução. Retomando os conceitos básicos que coloquei no início e também a frase de Trotsky de que a mulher é o elemento vivente no qual se entrecruzam todos os fios decisivos do trabalho econômico e cultural, vamos tentar compreender a opinião dos bolcheviques e das bolcheviques sobre a libertação das mulheres. Vale ressaltar que, como é apontada em a Ideologia Alemã, a divisão sexual do trabalho não é natural. A primeira forma de propriedade privada tinha origem na família, segundo Engels.

Se a mulher era esse “elemento vivente” é porque a produção e a reprodução cruzavam sua vida de uma forma a lhe aprisionar, e o símbolo que sintetizava esta ideia era a própria existência da família. Definida por Trotsky como uma “pequena empresa”, porque a família mesma “explorava” o trabalho da mulher que produzia alimentação, limpeza, cuidado com as crianças de forma gratuita. Uma célula de produção e consumo, uma entidade jurídica, uma seguradora social, bastião da desigualdade e unidade para alimentar crianças. A incorporação da mulher na produção era fundamental para que fosse parte da vida pública e para que alcançasse independência financeira dos homens. Isso se deu, entretanto, de forma precária, com o que Marx chamou de cheap labour (trabalho barato) e que Engels descreve muito bem em “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”. Ao incorporar a mulher na produção sem resolver o problema do trabalho doméstico, ele criou a chamada “dupla jornada de trabalho”.

Entre os bolcheviques havia uma enorme expectativa de que, portanto, a família fosse definhar quando se socializasse o trabalho doméstico. Lenin falou e escreveu repetidas vezes sobre isso, com um ódio feroz contra o trabalho doméstico que definia como “o mais improdutivo, o mais selvagem e o mais árduo trabalho que a mulher pode fazer”. Dizia que “o trabalho doméstico banal esmaga, degrada a mulher, a amarra à cozinha e ao berçário onde ela desperdiça seu trabalho em uma azáfama barbaramente improdutiva, banal, torturante e atrofiante”.

Aqui já se expressa um primeiro ponto da batalha científica para libertar as mulheres: não existe libertação individual, empoderamento ou o que quer que seja, sem uma planificação da economia que incluísse como ponto elementar a transformação integral do trabalho doméstico em trabalho socializado. Isso porque os bolcheviques acreditavam que o capitalismo havia criado uma contradição, sentida de forma mais dura pelas mulheres, entre as demandas do trabalho e as necessidades da família.

O economista soviético Preobashenskii dizia que a divisão tradicional de trabalho na família impedia a mulher de conquistar igualdade real ao lhe impor “um fardo que antecede qualquer coisa”. A única solução segundo ele seria um “grande caldeirão público, que substituísses as panelas das casas” – forma metafórica de falar da socialização do trabalho doméstico.

Então vejam que: socializar o trabalho doméstico não era um detalhe e avançar para o definhamento da família tampouco. Trotsky dizia: assim que a lavagem fosse feita por uma lavanderia pública, a alimentação por um restaurante público, a costura por uma loja pública, o elo entre marido e mulher seria liberto de tudo que lhe é externo e acidental. Novos relacionamentos, não obrigatórios, se desenvolveriam baseados em sentimentos mútuos. A batalha para arrancar as relações capitalistas de produção de dentro do ambiente “privado” familiar era decisiva para a libertação das mulheres, e ao isso acontecer a família enquanto instituição social burguesa perdia o sentido. Kautsky, um dos principais dirigentes da II Internacional chegou a dizer que a família seria preservada como uma “unidade ética” ao que foi respondido por Volfson: “A família como uma unidade ética, despojada de suas funções sociais e econômicas, é simplesmente um absurdo”.

Ou seja, muito diferente de considerar que a simples divisão das tarefas dentro da casa seria uma resposta, muito diferente de achar que na sociedade capitalista com este entrelaçamento entre exploração e opressão alguma mulher poderia ser emancipada, os bolcheviques tinham um plano científico. Mas esses eram os objetivos dos bolcheviques. Incorporar a mulher na produção, socializar por completo o trabalho doméstico e terminar com a família enquanto instituição burguesa - não contra os sentimentos, ao contrário. Libertar a humanidade para sentimentos livres. Porém a tomada do poder em apenas um país colocava importantes limites: ainda se tratava de um estado de transição. A política também foi pensada em termos de transição.

O regime soviético não tinha ainda um mês de existência quando publicou um decreto que o governo provisório não havia sido capaz de elaborar estando oito meses no poder: a lei do divórcio e mais particularmente o divórcio pelo consentimento mútuo. Quase ao mesmo tempo o matrimonio civil substituiu o religioso. Estas eram medidas fundamentais para se caminhar ao definhamento da família e a libertação das mulheres. Wendy Goldman em seu livro cita o momento em que tem início essas medidas:

“Em outubro de 1918, menos de um ano após a chegada dos bolcheviques ao poder, o Comitê Executivo Central do Soviete (VTsIK), o mais alto órgão legislativo, ratificou um Código completo do Casamento, da Família e da Tutela. O Código captou em lei uma visão revolucionária das relações sociais, baseada na igualdade das mulheres e no “definhamento” (otmiranie) da família”

Desde uma perspectiva comparativa, o código de 1918 se adiantava notavelmente a sua época. O código varreu séculos de leis, de propriedade e privilégio masculino. Era uma luta também contra o poder da Igreja na vida das mulheres. Não se promulgou nenhuma legislação similar com respeito a igualdade de gênero, o divórcio, a legitimidade e a propriedade nem na América nem na Europa, entretanto, apesar das inovações radicais do código, os juristas apontaram rapidamente que esta legislação não é socialista, senão que é uma legislação transicional. Uma vez que este código preservava o registro matrimonial, a pensão alimentícia, o subsidio de menores e outras disposições relacionadas com a necessidade persistentes ainda que transitória da unidade familiar. Como marxistas os juristas estavam na posição estranha de criar leis que acreditavam que rapidamente se converteriam em irrelevantes. Alexander Goikhbar o jovem e idealista autor deste Código dizia “o poder proletário elabora seus códigos e todas as suas leis dialeticamente, para que cada dia da existência deles mine a necessidade de existirem”, ou seja, o objetivo da lei era tornar a lei supérflua. Tettenborn dizia “Os novos direitos da família se encontram na fronteira entre o velho mundo e o novo mundo reluzente onde toda a sociedade será uma única família”.

Igualdade perante a lei não é igualdade perante a vida

“A primeira tarefa, a mais profunda e urgente, é a de romper o silêncio que rodeia os problemas da vida cotidiana”, diziam os bolcheviques. Os problemas da vida cotidiana buscaram ser atacados pela raiz.

Com a revolução Russa as mulheres alcançaram: direito ao divórcio, ao aborto, eliminação da potestade marital (domínio do homem sobre a mulher no matrimônio), igualdade entre o matrimonio legal e concubinato (juntada). Direitos mínimos para autonomia do próprio corpo, para a independência das mulheres.

Mas ainda assim Goikhbarg defendeu o matrimonio civil diante da ideia de aboli-lo rapidamente. Para ele o limite da liberdade sexual estava dado, não pelo controle estatal, mas pela realidade de uma sociedade onde seguiam latentes condutas patriarcais. Então, enquanto o desenvolvimento das forças produtivas e as possibilidades do estado operário não permitiram garantir universalmente os métodos anticonceptivos ou o cuidado de crianças nascidas de gravidez não desejada, então não havia que liberar os homens de suas responsabilidades legais com as mulheres. Ele estava convencido que, transicionalmente, enquanto perduravam os preconceitos mais fortes da cultura patriarcal, a liberdade sexual e a união livre somente seria um direito para os homens e as principais afetadas pelas consequências dos abandonos, as separações, a gravidez não desejada seriam as mulheres. Por isso além de garantir o direito ao divórcio, garantia da pensão e de eliminar o status de inferioridade legal das mulheres, o código trazia outra novidade: rompia a unidade jurídica família-matrimonio e fazia que as obrigações familiares fossem independentes da união legal. Também acabou com o privilegio masculino sobre a propriedade e a herança eliminando da figura jurídica o filho ilegítimo. Uma das legislações mais progressistas da história da humanidade.

O direito ao aborto também foi um direito elementar, numa sociedade capitalista, concedida as mulheres. Trotsky chamava este direito de “triste direito” porque via que grande parte das mulheres não desejavam seus filhos porque ou não tinham acesso a educação sexual e contraceptivos ou por condições materiais que o capitalismo impunha, ainda que pudessem haver os casos em que simplesmente não se queria ser mãe. Alexandra Kollontai foi quem promoveu o decreto que institucionalizou o direito ao aborto livre e gratuito nestes termos: “No transcurso das últimas décadas o número de mulheres que resolveram interromper sua gravidez aumentou sem parar, tanto no Ocidente como em nosso pais. A legislação dos demais países considera o aborto como um crime e o reprime. Estas medidas de repressão longe de haver provocado resultados positivos apenas conseguiram tornar a operação ilegal e entregar as mulheres aos abortadores com sede de lucro e incompetentes. Até então 50% das mulheres tiveram infecções e 4% morreram. O governo dos operários e camponeses analisa o problema desde um ponto de vista social. Quando o sistema socialista se tenha reforçado, programará a luta contra este mal mediante campanhas de agitação e de informação. Mas, enquanto os costumes morais herdados do passado e as difíceis condições econômicas obriguem a que uma parte das mulheres abortem, a Comissária do Povo para a Saúde toma as seguintes decisões: 1) as intervenções de gravidez devem ser feitas gratuitamente em hospitais públicos e nas melhores condições de higiene 2) não podem ser dirigidas senão por médicos 3) o médico que buscar lucrar em seu consultório privada será perseguido pela lei”.

O estado operário foi também o primeiro no mundo inteiro a colocar fim a qualquer perseguição a homossexualidade. Em 1921 quando o médico Magnus Hirschfeld organizou um Encontro Internacional para a Reforma Sexual com cientistas do mundo todo que viam com preocupação a criminalização dos homossexuais foi colocado como exemplo a legislação da Rússia Soviética onde a revolução proletária havia eliminada as leis repressoras da homossexualidade por serem contraditórias com a consciência e a legalidade revolucionária.

Assim como as leis, todas as medidas que foram tomadas pelo Partido Bolchevique no caminho da libertação das mulheres eram abertamente considerados insuficientes. A igualdade perante a lei não é a igualdade perante a vida, repetiu e repetiu centenas de vezes o grande revolucionário Lenin. As necessárias condições matérias para arrebentar com a contradição entre produção e necessidades familiares, era decisivo pra tirar as mulheres da dependência financeira. Isso não poderia se dar por decreto revolucionário: foi preciso uma transição pra proteger as mulheres. Mas era preciso uma “revolução dentro da revolução” para destroçar com os traços mais atrasados da sociedade.

Por isso, a Direção do partido bolchevique estava convencida que somente uma revolução internacional poderia elevar o nível cultural das massas que durante séculos se viram atenazadas pelo czarismo, superstição e os patriarcas da igreja ortodoxa. Ou seja, não via uma mudança cultural em si mesma.

A criatividade do pensamento bolchevique e a elevação da cultura

Mas, ao mesmo tempo em que havia uma enorme batalha pela planificação da economia, pela socialização das tarefas domésticas, um novo Código de Transição, tudo isso em meio ao “comunismo de guerra” onde os esforços se concentraram na indústria militar e em combater a fome nas cidades, ainda assim a ânsia pela libertação, a ânsia por concretizar o grande sonho corria pelas veias bolcheviques.

Sem todas as medidas anteriores, mas também sem uma elevação da cultura e da educação não era possível a libertação das mulheres. Por isso, a Revolução Russa empreendeu uma revolução pedagógica sem precedentes: todos os cidadãos que sabiam ler e escrever foram mobilizados em um gigantesco plano de alfabetização, foram publicadas coleções populares dos clássicos para serem vendidos a preço de custo, se estabeleceu a escolaridade mista (fiquei sabendo que no Rio de Janeiro acabaram de definir a separação de meninos e meninas em uma escola na Barra da Tijuca), se definiu a educação um caráter politécnico e coletivo. Aboliram as provas e decretaram que as escolas fossem regidas por sovietes de estudantes professores e funcionários. Em alguns meses proclamaram a gratuidade do ensino universitário.

Wendy Goldman também nos conta: Hierarquias de todo o tipo foram questionadas, não somente “o monarca e seus homens da lei, a polícia e os sacerdotes; os proprietários e os gerentes, os oficiais e os amos”, como também aquelas dentro da família, contra o poder dos pais mas também de outras ordens de organização social. Até houve a experiência de uma orquestra sem maestro. Tinham bolcheviques que defendiam que as pessoas deveriam ter direito a escolher o próprio nome. Outros bolcheviques chegaram a debater amplamente, ainda que não realizaram, a construção de cidades de crianças, auto-governadas por elas com a colaboração de profissionais da educação e da saúde. Já imaginaram essa loucura? Essa é a loucura bolchevique, é quando a revolução toma conta por inteiro, quando os passos científicos rumo ao comunismo permitem liberar a criatividade e sonhar bem alto, bem alto. Qual é a loucura capitalista pra infância? Uma infância ceifada, arrancada, ensanguentada nas escolas e favelas do Rio de Janeiro com uma bala no peito colocando fim a um sonho chamado Maria Eduarda. Isso é capitalismo.

Em meio a tudo isso, eles discutiam também, em reuniões com debates acalorados grandes polêmicas sobre o amor livre, sem entraves. Algo que o capitalismo será incapaz de proporcionar.

Tomada do poder: 10% da revolução e a Teoria da Revolução Permanente

Os bolcheviques acreditavam que instaurar a igualdade política entre homens e mulheres no Estado soviético era o problema mais simples a resolver. Mas a conquista da igualdade, na vida cotidiana, era um problema infinitamente mais árduo, já que não dependia de decretos revolucionários. Para isso era necessário um grande esforço consciente de toda a massa do proletariado e pressupunha um desejo de cultura e progresso. Nada mais distante da ideia de um socialismo quase consumado, como dizia Stalin.

Por isso, os bolcheviques diziam que a igualdade perante a lei não era a igualdade perante a vida. Mas por isso também que diziam que a tomada do poder é apenas 10% do processo da revolução. Tanto porque era necessária uma “revolução dentro da revolução pra destruir todos os preconceitos existentes” quanto a revolução somente poderia dar espaço ao comunismo a nível internacional.

Ou seja, essa dialética é muito profunda no pensamento bolchevique. Ao contrário do reformismo hoje que consegue um direito e transforma isso em sua própria estratégia e no “teto” de aspirações possíveis, todas as coisas que os revolucionários conquistaram eram tratadas por todos como completamente INSUFICIENTES. Sem drama, de maneira concreta e científica. Muito bom esta lei, mas ela não resolve o problema. É não somente uma forma revolucionária de enxergar a incessante luta pelo comunismo e nossa libertação, como uma visão humilde das próprias conquistas. Estavam todos, homens e mulheres, preocupados com a felicidade da mulher. Trotsky dizia:

“A revolução de outubro inscreveu em sua bandeira a emancipação da mulher e produziu a legislação mais progressista na história sobre o casamento e a família. Isso não quer dizer, entretanto, que a mulher soviética de imediato tivesse uma vida feliz. A verdadeira emancipação da mulher é inconcebível sem o aumento geral da economia e a cultura, sem a destruição da unidade econômica familiar pequeno burguesa, sem a introdução da elaboração socializada dos alimentos e sem educação.”

Por isso, mesmo em um Estado Operário de Transição, havia a preocupação em incentivar um esforço coletivo e consciente do conjunto da classe operária pela libertação das mulheres. Mas havia também a preocupação em avançar na organização das mulheres trabalhadoras e na ascensão das mulheres a postos de poder no estado operário (nada a ver com o teto de cristal burguês que o feminismo liberal nos apresenta hoje).

Poucos dias depois de tomar o poder o Partido Bolchevique impulsionou a primeira conferência de mulheres e no ano seguinte com a destacada participação de Alexandra Kollontai se organizou o primeiro congresso de mulheres trabalhadoras de toda a Rússia, onde se definiu criar comissões de agitação e propaganda. Essas comissões mais tarde se converteram na Secretaria da Mulher do partido chamado de Zhenotdel. Aqui estamos falando da organização de amplas massas femininas, analfabetas, operárias que sequer levantavam a cabeça nas reuniões. Uma opressão milenar que recaía sobre as mulheres de forma cruel. Lenin foi um dos maiores incentivadores da participação das mulheres na administração do estado operário. Contrapunha este papel da vida política com o papel atrofiante dentro do lar. Nas conversas com Clara Zetkin incentivava enormemente a organização das mulheres, buscando dar prioridade para os temas centrais da revolução no momento em que os imperialismos queriam massacrar essa obra de criação da classe operária russa.

É preciso remarcar também que essa ideia de “esforço coletivo” de toda a classe operária pra acabar com a opressão, acompanhada das medidas jurídicas e materiais, tinha origem no pensamento bolchevique já que estes sempre consideraram que a luta pela libertação das mulheres era de toda a classe operária. Por exemplo, em 1914, um ano depois da primeira vez em que se comemorou o Dia Internacional das Mulheres por moção de Clara Zetkin, os mencheviques diziam que somente as mulheres deveriam participar das manifestações pelo seu dia internacional, já os bolcheviques ao contrário defendiam que essa data fosse comemorada por toda a classe operária.

Simone explicou a Teoria da Revolução Permanente, a ideia da hegemonia da classe operária sobre os setores oprimidos acaudilhando sua luta e também a necessidade de uma metamorfose interna da revolução. Esta segunda parte é fundamental uma vez que os aspectos mais difíceis de transformar são aqueles preconceitos e hábitos inculcados pela exploração capitalista e no caso da Rússia, um país atrasado, majoritariamente camponês e feudal, essa tarefa de transformação se tornava ainda mais difícil. É por isso que Trotsky dava enorme centralidade para essa mudança “por baixo”. Ou seja, além das mudanças jurídicas, materiais, da localização das mulheres no poder operário, ao considerarem que tudo era insuficiente, e mesmo em um estado de transição já queriam começar a treinar a classe operária para serem embrião do homem e da mulher comunistas.

A possibilidade de que no transcurso da construção do Estado operário – rumo ao socialismo internacionalmente – famílias proletárias buscassem exercer métodos comunitários de criação das crianças, de alimentação e lavagem das roupas, era também parte de exercer um poder desde a base da classe operária russa envolvendo os operários e camponeses homens neste combate cotidiano pela igualdade das mulheres.

“Cada forma nova deve ser retratada pela imprensa e levada a conhecimento público, a fim de estimular a imaginação e o interesse de todos e dar o impulso necessário para próximas criações coletivas no referente aos novos costumes. Nem toda invenção é exitosa, nem todo projeto é viável. Que importa? A escolha adequada chegará em seu momento oportuno. A nova vida adotará as formas mais acomodadas em seu próprio sentir. O resultado será uma vida mais rica, mais ampla, mais cheia de cor e harmonia”

No discurso de 1925 “A proteção das mães e a luta pela cultura” Trotsky demonstra de forma contundente como os preconceitos ocupam lugar destacado entre as camadas mais privilegiadas da classe operária. Cita Lenin, que buscava avaliar os partidos da classe operária de acordo com a sua atitude com relação às nações oprimidas, para concluir

“Se tomamos, por exemplo, o operário inglês, será relativamente fácil despertar nele a solidariedade para com o proletariado de seu próprio país; participará das greves e estará inclusive disposto a fazer a revolução. Porém será muito mais difícil que se sinta solidário com um coolie chinês (trabalhador chinês), que o trate como um irmão explorado, já que isso implica em que rompa com a carapaça de arrogância nacional, solidificada durante séculos”

Trotsky utilizou este exemplo para dizer que da mesma forma encontra-se solidificado durante milênios, e não durante séculos, a carapaça dos preconceitos do chefe de família frente à mulher e à criança. Trotsky dizia que a mulher é o coolie (trabalhador chinês) da família. Por isso, neste discurso às mulheres operárias, completou

“Vocês devem ser a força moral que arrasará com este conservadorismo enraizado na nossa velha natureza asiática, na escravidão, nos preconceitos burgueses e nos da própria classe operária, que neste sentido, arrasta o pior das tradições camponesas. E todo revolucionário consciente, todo comunista, todo operário e camponês progressista, se sentirá obrigado a vos apoiar com todas as forças”

Esta definição, bem como a experiência prática, arrebenta com todas as teorias que consideram que a luta contra a opressão a mulher não é uma luta revolucionária, ou até mesmo teorias que buscam igualar o problema de classe e o problema de gênero, na ingenuidade intencional de contrapor ou equalizar, quando se trata de problematizar a relação dialética entre ambas. A Revolução Russa é a expressão da máxima dialética entre ambas, como podemos ver nesta citação

“Assim como era impossível construir o Estado soviético sem libertar ao campesinato dos laços da servidão, também será impossível construir o socialismo sem libertar à mulher operária e camponesa dos grilhões do trabalho com a família e o lar. (...) A liberação da mulher significa cortar o cordão umbilical que ainda une o povo ao obscurantismo e às superstições do passado.”

Tal condição material, fundamental para a libertação das mulheres, era um passo extremamente largo, porém ainda insuficiente. Dava as condições materiais para a libertação feminina e permitia que as relações capitalistas não atravessassem as relações sociais em todos os seus âmbitos. Mas a opressão milenar às mulheres não poderia ser transformada de um dia para o outro, e todo um processo de “revolução dentro da revolução” deveria avançar. Nisso reside a Teoria da Revolução Permanente.

Hoje, muitas feministas dizem que se a opressão existia antes do capitalismo, não adianta destruir o capitalismo. Errado. A revolução operária e socialista não é uma garantia, mas é a ÚNICA CONDIÇÃO para abrir espaço pra uma nova sociedade, como pudemos ver os russos e as russas tentando construir.

Ainda assim os sonhos dos bolcheviques se chocaram com a dura realidade de levar adiante uma revolução operária e socialista lutando contra as condições materiais e os ataques imperialistas.

O termidor no Lar

A partir de 1926 se instituiu novamente o casamento civil como única união legal. Mais tarde se aboliu o direito ao aborto, junto com a supressão da seção feminina do Comitê central e seus equivalentes nos diversos níveis de organização partidária. Em 1934 se proibiu a homossexualidade e a prostituição se converteu em delito. Não respeitar a família se converteu numa conduta “burguesa” ou “esquerdista”. Stalin declara em 1936: “O aborto que destrói a vida é inadmissível em nosso país. A mulher soviética tem os mesmos direitos que o homem, mas isso não a exime do grande e nobre dever que a natureza lhe assinalou: é mãe, da vida”. A proibição do aborto era parte de uma campanha mais ampla pra desacreditar e apagar as ideias libertarias que haviam caracterizado o início da revolução. Instauração da pena de morte a partir dos 12 ano, autorização da tortura. A mulher que tivesse mais de 10 filhos ganhava uma medalha de “Mãe Heróica”. Voltou a condição de filhos ilegítimos. O divórcio se transforma num tramite custoso e cheio de dificuldades.

Ou seja, se no âmbito geral da revolução o processo de burocratização stalinista significou uma contra-revolução, isso também se expressou “no lar”, ou seja, nos elementos mais fundamentais da transformação da vida das mulheres. Neste âmbito significava um retrocesso total nas ideias libertarias, o que estava acompanhado da definição de que a tomada do poder tinha sido 90% da revolução, ou seja, que faltava muito pouco e se daria apenas a nível internacional.

O stalinismo perseguiu enormemente Trotsky e toda a Oposição de Esquerda, incluindo as grandes dirigentes oposicionistas Eugenia Bosch, Nedajda Joffe, Tatiana Miagkova, entre outras.

É triste constatar mas o fim de Alexandra Kollontai terminou sendo de silêncio sobre o stalinismo durante muitos anos até chegar ao ponto de negar visto pra Trotsky se exilar na Suécia, quando foi embaixadora soviética neste país.

Lições para hoje

Ainda assim, tudo que citamos é episódico. Transitório. Imagine o que será o comunismo. Vocês podem imaginar?

Se trata de uma luta INCESSANTE, ARREBATADORA E PERMANENTE para as mulheres serem verdadeiramente livres, no seu sentido mais pleno. Se trata de uma BATALHA CIENTÍFICA, MARXISTA, DIALÉTICA, MATERIALISTA para que as mulheres fossem libertadas da opressão. Esta batalha foi levada adiante pelo Partido Bolchevique. Eles e elas lutaram SERIAMENTE para a emancipação feminina, não era somente uma vontade ou um desejo. A Revolução não foi uma ciranda feliz, foi uma SANGRENTA GUERRA PARA DESTRUIR O VELHO MUNDO E CRIAR O MUNDO NOVO. Neste caminho, o marxismo revolucionário é nossa ferramenta. A classe operária é o sujeito histórico. O partido revolucionário é nosso meio.

Essas lições são muito atuais pra hoje. Deixam em primeiro lugar a lição de que, como dizia no começo, a luta das mulheres precisa ser anticapitalista. Não é possível igualdade numa sociedade baseada na desigualdade. A revolução é uma condição necessária pra abrir espaço a nossa libertação. É um caminho árduo, mas é o único possível. A centralidade da classe operária se dá não porque exista algum tipo de fetiche ou porque seja um “poço de bondade”, mas porque é a classe que tudo produz e portanto a classe que pode tomar os meios de produção.

Pensando o movimento feminista hoje, não podemos deixar de apontar o processo de cooptação que sofreu desde o início do neoliberalismo. Um momento de ataque as massas trabalhadoras, derrota moral da classe operária, fim da história se apoiando nas experiências do chamado “socialismo real” na Rússia e no Leste Europeu e na visão stalinista amplamente difundida para apagar do imaginário das massas a ideia de revolução.

Ao passo que a classe operária era dizimada e fragmentada enquanto classe, o neoliberalismo buscou novos sujeitos sociais que pudessem ser parte de sua agenda. Novos sujeitos que se afastassem da classe operária enquanto sujeito revolucionário. Era a multidão, o povo (em geral), os movimentos sociais. Queria mostrar que os oprimidos poderiam ver no capitalismo a resposta de seus problemas de opressão. Era uma clara luta pela hegemonia da burguesia sobre os setores oprimidos, contra a hegemonia da classe operária, aquela hegemonia que Trotsky dava tanta importância na Teoria da Revolução Permanente.

Nancy Fraser já nos mostrou a relação entre a mudança cultural e o fracasso institucional do feminismo cooptado pelo neoliberalismo. Assim, as correntes do pós-modernismo transformam a luta das mulheres em uma luta cética. Não se trata de um problema cultural e subjetivo, se trata de uma batalha cientifica. Com este processo de cooptação, terminam sempre conseguindo uma ampliação de direitos como triunfos táticos, no marco de uma derrota estratégica. O capital esvazia as demandas feministas ao se apropriar delas, tornando-as inofensivas.

Andrea D’Atri nos apresentou uma reflexão profunda sobre isso. Ao longo da história da humanidade, a resistência foi um traço marcante em todos os povos. O filosofo Daniel Bensaid dizia que a resistência é um ato de insubordinação, mas também de conservação. Ou seja, é uma ação para conservar e manter o que já temos, não há grandes aspirações no máximo uma ampliação de direitos que podem ser retirados a qualquer momento com as crises econômicas internacionais. Deste ato de resistência, louvável em si mesmo, vemos então o desprezo por uma estratégia já que não é necessário vencer, trazendo também um espírito de época vitimista. Trata-se, na realidade, de um ceticismo profundo com a humanidade e a possibilidade de transformação radical. Todos os tipos de ideologia surgem pra justificar uma derrota antecipada.

O que está colocado hoje, frente a um enorme fenômeno internacional de mulheres, é como vamos lutar com uma estratégia pra vencer. A brutalidade machista também reduz as aspirações, mas é preciso ir além. Não somos maximalistas, queremos nossos direitos agora, lutamos na primeira fileira, não vamos esperar a Revolução para lutar. Mais que isso, como vamos fazer para que cada conquista e cada avanço na luta contra nossa opressão seja um ponto de apoio pra lutar pelo socialismo. Não podemos permitir que a energia das mulheres seja canalizadas em luta que terminam fortalecendo a estrutura atual vigente. Precisamos de uma estratégia, pois não queremos que a energia de milhares de mulheres e meninas que despertam pra vida política seja desperdiçada. Queremos ganhar cada companheira e companheiro pra lutar por uma sociedade onde sejamos livres de verdade.

Para isso precisaremos de uma estratégia científica pra transformar a sociedade pela raiz, pra lutar seriamente, como lutarem os bolcheviques. Hoje tratamos da Revolução Russa. A Revolução Brasileira vai ter o enorme desafio de com o mesmo método científico extirpar o racismo estrutural existente em nosso país onde as mulheres negras recebem 40% a menos que os homens brancos e onde 18% das mulheres negras são empregadas domésticas. Como dizia Angela Grimke “até que ela (a mulher negra) tenha seus direitos nós nunca teremos os nossos”. O que significa a reforma trabalhista hoje? São eles dizendo “Operária, mulher negra precarizada: eu defendo a vida e quero impor a minha religião sobre o seu corpo. Mas o seu filho pode morrer contaminado em local insalubre”.

Pra conquistar as condições materiais e a igualdade perante a lei num país extremamente racista como Brasil, podem imaginar uma igualdade quando as mulheres trabalhadoras negras ganham 40% a menos que os trabalhadores homens brancos? Isso seria uma grande tarefa da revolução brasileira. Uma tarefa vital. Mas ainda não tudo que precisamos pra mulher negra, e o conjunto das mulheres terem a emancipação. Não queremos somente nossos direitos.

Mas queremos também já hoje ser embrião do mundo novo, do comunismo. Enfrentar e batalhar toda a forma de machismo é tarefa fundamental. No Brasil precisamos olhar a vida com o olhar das mulheres negras, imigrantes e indígenas que são as que sentem de forma mais cruel o deleite capitalista. Olhar a vida é olhar com uma estratégia. E no processo de construção de um partido revolucionário, vamos batalhar pra que cada companheiro entenda o nocivo efeito do machismo cotidiano.

Nos inspiramos em mulheres da fibra de Rosa Luxemburgo, a maior de toda. Mas também dos grandes revolucionários como Lenin e Trotsky. Como ser feito dessa fibra? Não há resposta. Conhecer essa história é um passo. Se armar da teoria é outro. Mais importante ainda é colocar em prática.

E quais são nossas aspirações? Nossas aspirações são simplesmente TODAS. Queremos tudo que o mundo e a natureza podem dar, tudo que a criatividade humana pode inventar, tudo que o sentimento livre pode nos fazer sentir. Pra, como dizia Karl Marx, numa sociedade livre de exploração e opressão “apanhar a flor viva da vida”.

 
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