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Viernes 18 de Septiembre de 2020
13:00 hs.

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EDITORIAL DE EDITORIAIS
Separando o joio do trigo: os empreiteiros e o PT segundo os jornais
Iuri Tonelo
São Paulo
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O tema mais debatido nos editoriais dos grandes jornais de domingo se relacionam com a última carta da executiva nacional do PT, realizada na última quinta-feira. Após reunião com Lula, na carta, Rui Falcão foi o porta-voz das novas declarações do PT, que ficaram na mídia marcadas como um só ponto: defender os empreiteiros. Ou seja, a chave é entender os objetivos da carta da executiva.

O Estado de São Paulo, no editorial “Lula põe PT contra Lava-Jato” desenvolve toda a argumentação apontando que a nova política não passa de um plano arquitetado de Lula de impedir que as investigações cheguem aos agentes políticos (e ao próprio Lula), e que por isso teriam usado a argumentação de defesa dos empreiteiros (pois isso pode afetar a economia, gerar desemprego etc., segundo o PT), mas tem o objetivo na verdade de “satanizar” o juiz da Operação Sergio Moro e impedir que ela se desenvolva.

O jornal O GLOBO na realidade é mais “cuidadoso” que o Estadão sobre o tema. Isso porque faz parte de uma tendência dentro do establishment burguês de separar “o joio do trigo”, buscando defender os empreiteiros imersos na corrupção ao tempo em que defende esse suposto combate a corrupção, assim este jornal tratou o tema desde ontem, dedicando seu editorial de hoje a outro tema, elogiar o ajuste fiscal. É uma forma mais seletiva de abordar o problema, num momento em que Marcelo Obedrecht, um dos mais importantes representantes de empreiteiras no Brasil, teve prisão preventiva decretada.

Nesse sentido, no editorial de sábado O GLOBO cita a operação Mãos Limpas italiana e seus métodos, fazendo analogia com alguns elementos da Lava-Jato atual e concorda que “É fato que a prodigalidade com que Moro decreta prisões preventivas e temporárias preocupa juristas e magistrados de instâncias superiores”, mas que o PT deveria se preocupar em fazer essas críticas a Lava-Jato, pois “fica do lado errado” pensando os eleitores de conjunto.

O que chama atenção é o seguinte: na última sexta o arquireacionário Reinaldo Azevedo escrevia contra os métodos de vale-tudo para “pegar Lula” se isso se relacionava a prender empreiteiros. O seu artigo era emblemático já no título: “Assim não, Moro, a gramática da lei”, em que defendia contra a prisão preventiva e o método de Moro, em defesa das instituições. A mesma crítica faz O GLOBO contra os excessos de Moro e curiosamente é a mesma argumentação que o PT se utiliza em sua resolução da executiva de quinta-feira, em defesa das instituições do “estado democrático de direito”, contra o “Estado de exceção”.

Nas palavras todos falam do combate à corrupção, mas ao atacar o coração das mais importantes empreiteiras a forma de reagir a questão confundiu a opinião oficial burguesa, afinal, estariam dispostos a levar “toda a corja de corruptos” realmente para a cadeia, afetar os principais “agentes políticos” e modificar o tabuleiro do regime político brasileiro? Tudo indica que não, e mesmo colunistas da ala “raivosa” da burguesia, como Azevedo, estão dispostos a botar panos quentes.

Até que ponto o jogo político pode passar a política do jogo, contra os “grandes agentes políticos”. O PT já colocou um limite com a defesa de Lula. Seguirão os próximos capítulos.

É aí que está o interesse, pois outros editorias de hoje versam sobre os temas do momentos, mas sem nenhuma novidade. A FOLHA crítica à política econômica de Dilma, salários caíram, inflação aumentou e o que prima é a total falta de horizontes, e constata que as coisas tendem a piorar, sem sinais de melhora. A novidade nas discussões é que agora colocam mais críticas à Câmara por causa de sua votação que estenderia aumentos nas aposentadorias. O grande problema, argumentam os jornais, é que além do ajuste aos trabalhadores os congressistas tinham que ter sido mais linha-dura com os aposentados, vejam em que ponto estamos.

Essa análise concorre com o editorial “sem sal” de O GLOBO sobre o sistema prisional. Dizem, o sistema prisional é falido, mas não pode passar a suposta impunidade. Fazem coro com Cunha, que disse que a redução não vai acabar com a violência, o importante é que a sede de punição seja satisfeita. Por fim, dão uma “fórmula decisiva” para o problema: “Por isso, independentemente de o poder público cuidar dessa questão, é inescapável que, se há carência de vagas, é preciso construir mais presídios”.

É a síntese das opiniões do final de semana: apoiar os ataques aos trabalhadores (ajustes), as demandas conservadoras do congresso (redução), fazer ode ao combate a corrupção, mas com uma dose de parcimônia para este jogo não afetar os grandes burgueses das empreiteiras, que como bem sabem os jornais são muito mais que grandes empresários da construção, são agente fundamentais em diversos ramos da economia nacional.

 
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