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Martes 27 de Junio de 2017
00:27 hs.

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Carne fraca, corrupção forte: áudios com Temer mostram a intimidade do golpe e da propina
Redação
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No áudio liberado hoje pelo Supremo Tribunal Federal, Joesley Batista com um gravador no bolso citava como interlocutores dois homens do núcleo duro de Temer, o ex Ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, e o atual Ministro Chefe da Casa Civil Eliseu Padilha, ambos do PMDB e do núcleo duro de Temer. Cunha já aparece na conversa como uma "cobrador" de favores a quem Joesley deve, e quando o empresário afirma que faz de tudo para quitar suas dívidas com o ex presidente da Câmara responsável por colocar em pauta o impeachment, Temer aconselha que mantenha esta atitude para com o ex deputado.

A conversa de mais 33 minutos começa com Joesley se justificando a Temer por não o ter procurado desde 10 dias antes da posse do presidente golpista. Joesley diz que procurava Geddel, até o momento em que veio à tona escândalo com o ex ministro envolvendo a compra de um parecer para um prédio em seu nome, em Salvador. Na época, Marcelo Calero denunciou o caso e deixou o Ministério da Cultura de Temer. Geddel foi afastado depois de ser muito blindado por Temer.

"Presidente é tarde, deixa eu te falar. Primeiro, eu vim aqui por dois ou três motivos assim assim(...) primeiro que eu não tinha te visto desde quando você assumiu(..)" Joesley e Temer concordam que a última data que se encontraram foi 10 dias antes do segundo ter assumido. "Tinha ido no teu escritório, dez dias antes ali quando tava ali naquela briga, aquela guerra pela rede social.. tal de golpe.. enfim."

Joesley continua: "De lá pra cá eu vinha falando com Geddel (...)", e Temer diz "Lembra que deu aquele problema? Com aquele idiota que ele mesmo comprou (inaudível)" "Foi uma bobagem." diz Joesley. "Foi uma bobagem que ele fez sem consequência nenhuma", reforça Temer

Joesley retoma: "Andei falando com Padilha também, mas agora que o Padilha adoeceu, ficou adoentado Enfim e eu fiquei meio sei lá, vou dar uma (silêncio). Primeiro dizer, tamo junto aí, o que precisar de mim me fala."

Em seguida, Joesley refere-se a Cunha: "Eu vou falar assim... Dentro do possível eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de uma pendência daqui pra ali, zerou, tal, tal. E ele foi firme em cima, ele já tava lá, veio, cobrou, tá, tá, tal, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né..."

E continua: "Isso, isso. O Geddel é que andava sempre ali, também, com esse negócio, eu perdi o contato, ele virou investigado e agora eu não posso também encontrar ele."

Temer interrompe: "Cuidado para não parecer obstrução à Justiça."

Joesley explica porque parou de procurar Geddel: "Esse negócio dos vazamentos, o telefone lá do [inaudível] com Geddel, volta e meia citava uma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu... O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?"

Temer aconselha: "Tem que manter isso, viu?"

Joesley ainda afirmou em conversa que deixou de procurar Geddel porque este virou investigado, e que está "segurando as pontas" com Cunha.

Em seguida começa a citar as benesses que tem como um capitalista presidente de a multinacional que exporta mais proteína animal do mundo. Nesta parte revela a Temer que "deu conta" de um juiz, e teria alguém infiltrado na força tarefa enquanto tenta mudar o procurador. Nada disto parece assustar Temer, que atua como um verdadeiro especialista em como lidar com delatores, juízes, procuradores e policiais (Lembremos que Temer começou sua carreira política assumindo o comando da Polícia Militar de São Paulo).

A conversa deixa claro que, na falta de seu núcleo duro (Eliseu Padilha ou Geddel), Temer estava à disposição de tratar tudo diretamente com Joesley. A gravação confirma mais uma vez que o estado não passa de um balcão de negócios, com Temer oferecendo um cardápio de cargos para o dono da Global Player.

A impunidade de Joesley já soubemos nesta tarde, quando Fachin homologou sua delação, dando imunidade aos irmãos Joesley e Wesley Batista que poderão deixar o país, pagando uma multa irrisória de 250 milhões, e podendo sair do país levando consigo sua empresa que lucra 160 bilhões ao ano.

 
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