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Domingo 17 de Diciembre de 2017
14:20 hs.

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RODRIGO MAIA
Conheça Rodrigo Maia, o sucessor à presidência aliado de Temer e delatado na Lava Jato
Fernanda Peluci
Metroviária de São Paulo e demitida política

Na noite de ontem a notícia do vídeo do dono da JBS mostrando a propina de Temer para silenciar Cunha abalou Brasília aprofundando ainda mais a crise e incertezas no cenário político nacional. Temer está com a corda no pescoço e é possível que caia. Na linha sucessória da presidência, pela Constituição, virá outro golpista, Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, citado na Lava Jato, grande entusiasta das reformas trabalhistas, da previdência e reforma política, homofóbico e defensor da anistia do Caixa 2. Conheça mais a trajetória de Maia, mais um golpista que pode assumir a presidência do país.

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Foto: Evaristo Sa/AFP

Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, filiado ao Democratas (DEM), é atualmente o presidente da Câmara dos Deputados. Com o golpe institucional contra Dilma e com a posse de Michel Temer como presidente, Rodrigo Maia tornou-se o primeiro na linha de sucessão à presidência da República, levando, na prática, a seguir o governo golpista e reacionário.

Grande entusiasta e defensor da Reforma da Previdência, Maia está com pressa para aprovar essa reforma que quer fazer com todos trabalhem até morrer. "Temos a obrigação de continuar conversando, dialogando, para que a gente possa chegar no mês de maio, na segunda semana, terceira semana, prontos para votar a reforma da Previdência e com número suficiente para que a gente aprove a reforma", afirmou Maia no final do mês passado. Também a Reforma Trabalhista é bem quista pelo atual presidente da câmara, que no começo do mês passado afirmou que considerava a reforma "tímida" e que deve ser aprofundada pelos parlamentares. Não contente em atacar os direitos dos trabalhadores, Maia também é o impulsionador do projeto de terceirização irrestrita que precariza o trabalho e divide os trabalhadores.

Em julho de 2016, por conta da renúncia de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia foi eleito com 285 votos, tendo ficado em primeiro lugar nos dois turnos. Vale recordar que mesmo sendo um dos principais articuladores do golpe institucional, o PT votou em Maia e foi aplaudido pelos golpistas. Sem esquecer também, evidentemente, que num passado bastante recente que Maia foi convidado para a festa de aniversário do PCdoB.

Aos 26 anos já era secretário municipal do prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Luiz Conde (DEM), que curiosamente sucedeu e antecedeu o pai de Rodrigo, César Maia, em seus governos. Por várias vezes o prefeito César Maia saiu com um dos piores índices de aprovação na história do país e teve seus direitos políticos cassados por fisiologismo, ao ter contratado o cunhado, sem licitação, por 27 vezes, além de indicar seu filho em outras posições durante o seu mandato, como já denunciamos aqui.

Atualmente Maia integra a comissão especial que elabora as propostas para a reforma política, sendo o mesmo o representante do DEM nesta comissão. A Reforma Política propõe restrições profundas no regime partidário e afetam principalmente os partidos de esquerda. Esta reforma propõe restringir o acesso ao Fundo Partidário, tempo de rádio e TV gratuitos aos partidos que atingirão mais de 2% de votos válidos em 14 unidades da federação, ou seja, um partido que possui figuras fortes em determinada região do país estará de fora. Nela há também a proposta de um novo sistema de votação em listas fechadas, onde cada partido indicará um representante ao Congresso (não sendo eleito por voto universal como é hoje), além do voto distrital. Num regime eleitoral já absolutamente antidemocrático que favorece os políticos milionários Maia quer ainda mais excluir das eleições as candidaturas da esquerda e de trabalhadores.

Em 2016 fez parte da articulação da emenda para anistiar políticos que participaram de ações de corrupção como o Caixa 2. O projeto, criminaliza oficialmente a prática do caixa 2, conforme recomendou o Ministério Público em sua 8ª medida "anticorrupção", contraditoriamente anistia todos os crimes cometidos antes da lei entrar em vigor, ou seja, bilhões de reais roubados do bolso da população jamais voltariam aos cofres públicos.

No quesito "corrupção" Rodrigo Maia não deixa a desejar, e apresenta um "boa" lista de delações que contam dizem bem (mal) sobre ele, como já ter aparecido em investigações da Operação Lava Jato, por exemplo. Segundo a revista Época, ele trocou mensagens de celular com o empreiteiro Léo Pinheiro, do Grupo OAS, para tratar de "doações eleitorais". Em fevereiro deste ano o Jornal Nacional divulgou que a Polícia Federal concluiu as investigações e confirmou "corrupção passiva", além de lavagem de dinheiro. Maia é acusado de prestar “favores políticos” e defender interesses a OAS no Parlamento em 2013 e em 2014. A PF acredita que Rodrigo Maia solicitou à empreiteira 1 milhão de reais em doações eleitorais no ano de 2014 (dinheiro que teria sido repassado oficialmente à campanha de César Maia).

Em 15 março deste ano, documentos liberados pelo STF acusam Maia de ter pedido e recebido propina num valor de 600 mil reais da Odebrecht. Após a homologação de diversas delações premiadas, a Procuradoria-Geral da República denunciou diversos políticos por envolvimento em corrupção, entre eles Rodrigo Maia.

Não fosse o bastante, quando candidato a prefeitura do RJ em 2012 Maia atacou os direitos dos LGBTTs declarando-se contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de declarar-se também contrário à legalização da maconha, pontuando que estas pautas democráticas ficariam em "segundo plano" no seu breve mandato, no sentido de priorizar a agenda econômica do governo federal, como assim o vem fazendo beneficiando os ricos mantendo seus lucros e atacando os pobres com as reformas.

Esse é o perfil do sucessor de Temer, aquele que assumirá a presidência caso Temer caia ou renuncie agora, após a divulgação do escandaloso caso de pagamento de propina de Temer a Cunha, comprando o silêncio do ex-deputado. Desde a noite de ontem e daqui para frente, os próximos dias são decisivos para vencer nossa luta contra o governo golpista e seus ataques.

É urgente tomar as ruas em todo o país, sem dar um minuto para o governo respirar e aprofundar a exigência para que urgentemente as centrais sindicais marquem uma nova data de greve geral. Uma greve geral que seja preparada para lutar consequentemente até derrubar as reformas e Temer. O judiciário, a mídia, podem mudar de posição e começar a atuar para se livrar de Temer. Porém, aplaudem e defendem seu legado. Precisamos com nossa luta unir os dois objetivos. A entrada em cena dos trabalhadores pode derrubar o governo e derrubar a reforma trabalhista e da previdência.

Mas sabendo quem é o sucessor de Temer, fica ainda mais urgente que a derrubada do governo seja pelas nossas mãos e, partir disso, que nós possamos escolher nossos representantes, mas contando com novas regras nesse jogo. Por isso, a importante luta para derrubar as reformas e o governo deve também impor uma Assembleia Constituinte, para a qual elejamos delegados por locais de trabalho, estudo, bairros, e possamos os trabalhadores e a juventude criar uma nova Constituição, que acabe com os privilégios dos políticos e juízes, garanta a eles o salários de um trabalhador comum.

Leia também a declaração de Diana Assunção: Precisamos urgente de uma nova greve geral até derrubar as reformas e Temer

 
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