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Miércoles 23 de Agosto de 2017
03:00 hs.

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"MARTÍRIO" - GUARANI-KAIOWA
Filme “Martírio” e um relato da resistência dos índios Guarani-Kaiowa
Keyth Aurora - Estudante de Letras USP
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Trata-se da história dos índios Guarani-Kaiowa desde a época da guerra do Paraguai, em 1870. Conta como essa etnia foi tirada de suas terras, levada a trabalhar como escrava nas lavouras da erva mate e serem soldados de linha de frente na Guerra, e como então nessa época não eram considerados brasileiros. Nas fotos, quando apareciam eram considerados como paraguaios. Fala também do retorno as suas terras no Mato Grosso do Sul, a perda gradativa de suas terras por interesses políticos espúrios e a luta por demarcação e também pela efetivação das terras já demarcadas. Mostra como os fazendeiros da região os matam à queima roupa e os fazem viver uma vida de martírio, como o título diz, todos os dias sem saberem se amanhecerão vivos. Vida de penúria, com pouca comida, nenhuma infraestrutura e perseguição constante até os dias de hoje. Contudo, esses índios não perdem a sua coragem e continuam lutando por suas terras mesmo sem terem o mínimo de força armada para isso. Arriscam suas vidas para poderem viver nas terras em que enterraram os seus antepassados.

O filme conta com filmagens de reuniões entre os índios em que esses afirmam nunca terem precisado do branco para sobreviver, bem como saberem que o problema real de suas vidas é o capitalismo. Pois é, pasmem, os índios sabem o que é capitalismo e também sabem que é esse sistema o culpado pela sua situação de vida e sua história de morte e etnocídio. Etnocídio é a morte gradativa de uma cultura, por meio do apagamento de sua história, impedimento da língua e é o que o filme mostra que foi feito no decorrer do tempo com a migração para as cidades e as políticas de apagamento da identidade indígena a partir dos filhos que ali nasciam. Ainda assim, os Guarani-Kaiowa que ainda estão nas terras em disputa no Mato Grosso do Sul falam sua própria língua. No final, aparecem as imagens de uma sessão especial de parlamentares que discutiu a PEC 215 que transferiu a responsabilidade de demarcação de terras do executivo para o legislativo. Aparecem os deputados, senadores, governadores e suas legendas deixando claro a nojenta direita que temos que quer afirmar que nessas regiões nunca existiu índios e que os agricultores vivem aterrorizados com a ameaça e a violência indígena, que nem arma tem, e que para demarcar mais terras somente passando por cima de seus cadáveres. Pior é ver o PT sentando na mesa para negociar com essa direita reacionária e assassina como se fosse possível qualquer acordo e como se a esquerda não devesse partir de premissas diferentes. O PT carrega em suas mãos sangues indígenas com a nomeação da ministra da agricultura, Kátia Abreu, que também aparece no filme defendendo os mais absurdos e escusos interesses da direita.

Enfim, fica claro para quem assiste que de resistência os índios entendem, bem como entendem de coragem, de sofrimento e de luta, guerreiros que são e que sua tradição evoca. Falta-lhes uma estratégia, mas não nos cabe cobrá-los, mas cabe alertá-los. Uma vez que o mundo finge que eles não existem e não há quase nada de material que eles possam fazer para saírem dessa bolha de violência e isolamento. Cabe a nós, revolucionários, seguirmos as orientações de Trotsky e na construção do partido revolucionários tomar as demandas destes índios para si e defender, como diz o revolucionário, os direitos destas etnias. Há também de se ter confiança na política da auto identificação que precisa crescer e abolir o termo pardo para que os índios perdidos pelo país possam também, enquanto classe trabalhadora, serem protagonistas dessas lutas.

 
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