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Viernes 18 de Agosto de 2017
09:36 hs.

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OS DONOS DO CAPITAL
Livro reúne estudos que revelam a trajetória das famílias burguesas mais importantes do Brasil
Redação
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Como as famílias mais ricas do Brasil constituíram sua fortuna, e qual a relação dessas com o Estado brasileiro? Essas questões são parte do desafio que os professores Pedro Campos (UFRRJ e UFRJ) e Rafael Brandão buscam responder como organizadores do livro Os Donos do Capital: a trajetória das principais famílias empresariais do capitalismo brasileiro. O livro será lançado no dia 27 de abril, quinta-feira às , na loja Travessa dos Tamoios, no Rio de Janeiro.

O livro conta com textos de Beatriz Momesso, Cezar Honorato, Fábio Maza, João Braga Arêas, José Lannes de Melo, Maria Letícia Corrêa, Maurício Margalho, Monica Piccolo Pedro Campos, Rafael Brandão. Na obra são analisadas as trajetórias de famílias como as do Barão de Mauá, os Guinle, os Simonsen, os Gerdau-Johannpeter, Bouças, Marinho, Camargo, Andrade, Odebrecht, Moreira Salles, Setúbal, Villela e Sarney.

O Esquerda Diário falou com os organizadores do livro

ED: De que se trata o livro Os Donos do Capital: a trajetória das principais famílias empresariais do capitalismo brasileiro, e porque a ênfase nessas famílias?

Pedro: O livro Os Donos do Capital se debruça sobre a trajetória de algumas das principais famílias do empresariado brasileiro. Trata-se de uma obra inserida em uma agenda de pesquisa dedicada a estudar a classe dominante brasileira. O objetivo era investigar a burguesia brasileira, atentando para a história de alguns dos seus principais troncos familiares e suas conexões com o Estado. Notamos que há uma car&ecirc ;ncia de pesquisas sobre isso e, inclusive, tivemos dificuldade de encontrar especialistas que tenham pesquisado alguns grupos familiares que nos parecem centrais, como os Igel, os Ermírio de Moraes, Mindlin, Villares, Feffer, dentre outros. Assim, nos detivemos em famílias em que há estudos qualificados de pesquisadores. Dessa forma, abordamos as trajetórias do Barão de Mauá, os Guinle, os Simonsen, os Klabin e Lafer, os Gerdau-Johannpeter, Bouças, Marinho, Camargo, Andrade, Odebrecht, Moreira Salles, Setúbal, Villela e Sarney. Para isso, acessamos pesquisadores com estudos robustos sobre a trajetória dessas linhagens.

ED: Em algum dos textos surge a relação de algumas dessas famílias com os grandes grupos capitalistas estrangeiros?

Rafael: Com certeza. O que verificamos na trajetória desses grupos são vários elementos comuns e algumas diferenças. Assim, notamos como algumas marcas formadoras da classe dominante brasileira a raiz na escravidão, o desapego e até mesmo desprezo pela democracia, o autoritarismo, a truculência com os trabalhadores e com as classes subalternas, dentre outras características. Apesar de seu elevado porte, a burguesia brasileira em poucos momentos e casos se colocou de forma autônoma, sendo a parceria com o capital estrangeiro uma caracter&iacute ;stica corrente entre esses empresários. Há ainda um capítulo específico do livro, de autoria de Maria Letícia Corrêa, que aborda a trajetória de Valentim Bouças, representante de empresas norte-americanas no Brasil, como IBM, Coca-Cola e outras. Trata-se de um perfil típico de certa burguesia brasileira, constituída pelo empresariado internacional e associado ao capital estrangeiro.

ED: Qual a opinião de vocês sobre o processo de concentração de riqueza no Brasil hoje?

Pedro: O Brasil é dos países mais desiguais do mundo. Ao mesmo tempo que boa parte da população vive em situação de miséria e pobreza, há uma fina camada da sociedade que vive com muita riqueza acumulada, luxo e com controle de muitos ativos. É importante ressaltar que, ao contrário do que alguns autores indicam, o Brasil tem sim uma burguesia - não necessariamente autônoma ou plenamente independente do empresariado de outros países - e ela não é pequena. Trata-se de um dos mais poderosos e ricos grup os de empresários do mundo. Representativo disso é o fato de a lista da Forbes dos maiores milionários do planeta contar invariavelmente com vários brasileiros e brasileiras, geralmente em posições de destaque. Entendemos que o estudo desses agentes, suas formas de organização, de associação entre eles e com o empresariado de outros países, além de sua ação política é uma agenda de estudos altamente relevante para entender os problemas do Brasil ontem e hoje.

 
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