www.esquerdadiario.com.br / Veja online / Newsletter
Esquerda Diário
Esquerda Diário

Domingo 30 de Abril de 2017
17:44 hs.

Twitter Faceboock
CARNE PODRE
Carne podre para os trabalhadores: o judiciário se importa com o que vai a nossa mesa?
Jean Barroso
Ver online

Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta pela polícia federal, revelou nas manchetes de todos os jornais o que antes era tema apenas de documentários: a podridão da indústria alimentícia, no centro as multinacionais JBS e BRF Brazil. E como não poderia deixar de ser, para poder levar adiante o esquema de venda de alimentos estragados no mercado nacional e estrangeiro, as empresas contaram (compraram) o apoio do Ministério da Agricultura através de propinas, envolvendo na investigação os dois principais partidos do governo: o PP e o PMDB de Temer. Afinal de contas, como diria um economista grande defensor da liberdade das empresas: “não existe almoço grátis”.

O repúdio a este indigesto esquema, que tomou os comentários das redes sociais em todo o país, já levou o governo, através do Ministro da Agricultura Blairo Maggi, a exonerar dois superintendentes no Ministério da Agricultura, Gil Bueno (Paraná) e Julio Cesar Carneiro (Goiás), indicados pelo PP e PTB respectivamente, e mais 33 fiscais envolvidos no esquema investigado, em uma tentativa de descolar o governo Temer do ocorrido, já que este tem a popularidade despencando de um precipício.

Além da corrupção, a carne podre destinada à mesa dos trabalhadores passa outras etapas de produção, a precarização dos trabalhadores da indústria do alimento. No Esquerda Diário viemos denunciando os casos de abusos e perseguição política aos trabalhadores, como ocorreu com Adreia Pires, trabalhadora da JBS-Osasco e membro da CIPA, demitida política por procurar melhores condições para os trabalhadores do frigorífico. Esta mesma empresa que já havia sido condenada a pagar 2 milhões por explorar trabalho infantil.

Em junho de 2016, denunciávamos que: em janeiro desse ano a empresa foi denunciada pelo Ministério Público por crime contra o sistema financeiro após manobras ilegais com o Banco Rural, e também apareceu em anotações do ex-presidente da Petrobrás e delator da Lava Jato, João Roberto Costa, citando valores recebidos da empresa a serem repartidos. A empresa já havia aparecido nas investigações da Lava Jato após serem identificadas doações feitas para uma empresa de fachada do doleiro Carlos Habib, preso em 2015. Em maio desse ano a esposa e sócia do marqueteiro Sérgio Santana, ambos presos durante a 23ª fase da Lava Jato, disse que a empresa pagou “caixa 2” para o PT durante a campanha pela reeleição de Dilma. Além desses vários casos que não se resolveram, existe ainda um pedido do Tribunal de Contas da União (TCU) para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) repasse todos os processos de concessão à JBS para serem analisados, mas esse pedido não foi atendido ainda. Trata-se de uma “bomba relógio” que aguarda ser armada para explodir.

A Polícia Federal e o Juciário, que serviram de base para levar adiante o golpe que levou Temer à presidência, manteve silêncio durante todos estes dois anos de investigação, porque tem interesses próprios que nada têm a ver com o estômago dos trabalhadores. A operação aperta lentamente a corda em torno do pescoço de Temer, logo após as massivas mobilizações dos trabalhadores contra a reforma da previdência que ocorreram no 15M em todo o país, atuando como pressão para Temer mostrar serviço à burguesia que apoiou o golpe, seja este serviço a articulação da reforma da previdência, da reforma trabalhista, a votação da lei de terceirização que Rodrigo Maia tenta levar ao plenário hoje.

O prato podre que a burguesia nos quer servir, seja feito das carnes infectadas e frangos de papelão, seja com os ataques indigestos de Temer, costurados em verdadeiros banquetes com os políticos que lucram com isto, a classe trabalhadora deve responder se apoiando no que foi a as mobilizações do 15M fruto da pressão dos trabalhadores para romper com a trégua dos estabelecida entre os burocratas das centrais sindicais e o governo. Além disso, estas centrais se calam diante do desemprego, que também pode se agudizar já que diversos países anunciaram uma barreira comercial feita ao Brasil, que entre outras coisas também depende da exportação da carne.

Devemos recusar o prato podre que nos é servido pelos capitalistas e seus políticos de aluguel exigindo um plano de lutas das Centrais Sindicais como CUT, CTB e Força Sindical, para impor que sejam eles que paguem a conta da crise. Uma mobilização deste tipo pode impor se taxe as grandes fortunas dos capitalistas que lucram com a crise, os casos de corrupção devem ser julgados por juri popular, mas sabemos que a corrupção é sistêmica do sistema capitalista.

A mobilização dos trabalhadores também deve ter como meta por para fora os políticos capitalistas e decidir sobre como as coisas devem funcionar, por exemplo colocando estatizando empresas como a JBS e a BRF Brasil sob controle dos trabalhadores, porque só assim é que a qualidade dos alimentos na mesa de cada trabalhador não será submetida à sede de lucro dos capitalistas.

Dossiê JBS: Campanha contra as precárias condições de trabalho da JBS e a demissão de Andréia Pires, readmissão já!

 
Izquierda Diario
Redes sociais
/ esquerdadiario
@EsquerdaDiario
Subscreva-se com uma mensagem de Whatsapp por seu celular
+55 (11) 9630-2530
contato@esquerdadiario.com.br
www.esquerdadiario.com.br / Avisos e notícias em seu e-mail clique aqui