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Viernes 24 de Noviembre de 2017
19:04 hs.

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CINEMA
Crítica da Montanha Sagrada de Alejandro Jodorowsky
Ricardo Consolo dos Santos
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A obra de cinema é capaz de realizar uma comunicação muito simples e ao mesmo tempo envolver o publico com uma historia. O cinema arrebata as pessoas, em tempos da hegemonia dos enlatados de Hollywood com suas técnicas de câmera, de linguagem, de roteiro e edição. Ver um outro tipo de cinema lhe garante compreensão de outras estruturas narrativas, outras referencias estéticas um exercício, no começo cansativo, mas que traz grandes benefícios ao telespectador em sua construção de narrativa própria.

Alejandro Jodorowsky, cineasta espanhol, de influencias surrealistas e vivendo nos tempos de lisérgicos e guerra fria produz uma obra de influencia impar, com uma narrativa que abarca inúmeros temas, capazes de de pré-figurar e figurar muito bem diversos fatos e acontecimentos de uma forma explicita e direta.

A narrativa é simbólica e alegórica, um misto de diversas referencias esotéricas, de lutas anti-coloniais e de escatologia. Analise se limitará aos elementos narrativos e a interpretação não entrará profundamente nas concepções e simbologias que são influenciadas pelas perspectiva psicológica de Jung. O autor dessas linhas simplesmente não se sente capaz de uma analise nesse sentido. Contudo, importante ressaltarmos que parte do movimento lisérgico, com seus mistos de esoterismo, surrealismo desenvolveram diversas concepções estéticas que defender ideias metafisicas da arte, ou seja, defesa que a arte é um instrumento para o contato com o extra-terreno, superação do material para o transcendental e de uma essência humana que se atingirá com a arte e seus símbolos(influencias de Jung também).

O autor dessas linhas defende uma perspectiva materialista e histórica, aonde a busca por arquétipos ou estruturas universais ou misticas, e por mais que possam fazer sentido se observadas varias semelhanças, são frutos de contextos historicamente determinados e que nossas formas de sociabilidade são condicionadas a níveis técnicos, relações sociais e as estruturas de classes.

Basicamente, a historia recente da humanidade é determinada pela relação de classes e suas formas de representação, assim em outros contextos sobre outras instituições seria possível chegar em outros formas humanas não condicionadas as instituições como da família, do gênero, do clã, da moeda, do Estada e etc.

Como próprio Levi-Strauss ao observar, nas mitológicas, em suas analises de quase todos os mitos da America indígena observa inúmeras similaridade em pontos chaves dos mitos, contudo se limita observar como é parecido e não o porque, pois tal averiguação exigiria mais dados que dos não eram mais possíveis obtê-los. De Machado de Assis a Marx a consideração sobre a essência humana e a essência da vida é a luta. A luta que une todos os seres, a luta pela sobrevivência de cada especie e a luta pela sobrevivência da especie humana que faz a necessidade de transformar essa realidade e as formas de representar essa realidade, através do trabalho manual, trabalho teleológico e trabalho artístico. O materialismo busca o entendimento da impermanência das coisas, das suas causas, origens e fins, aonde todos os seres estão vinculados ao movimento da vida(nascer, viver e morrer).

Ao filme

Explicadas a distensão filosófica iremos a interpretação do filme. Podemos separar o filme em três partes. A primeira parte é a expressão de uma alegoria de cristo em terras da America espanhola.

Cenas que figuram uma imagem humana, aonde é comparada a um ladrão, de cristo, aonde em suas peregrinações se defronta cenas de pobreza e animalização do humano, reparem que nesse estagio ainda o personagem tem traços muito animalizados. O personagem defrontasse ainda com figurantes e forças policiais de aspectos hitleristas apontando o significado das forças repressores e um estado policialesco. Sendo uma narrativa que critica o colonialismo, a critica ao turismo, aonde os turistas estão mais interessados em tirar fotos e descomprometidos de uma realidade criada para seu livre gozo sem nenhuma restrição ou um moral que vise conservar a cultura local, a cultura local é apenas um objeto a ser consumido. A encenação do massacre da colonização é presente em uma peça de teatro e expressa o significa da colonização como destruição, de barbárie.

O personagem ainda encontra em templo católico um baile hitlerista e um hitlerista em relações amorosas com simbolo da cruz. A critica maior a papel da igreja na colonização, seu aspecto de apoio as ditaduras e a comercialização dos símbolos de fé.

Segunda parte

Esta parte busca retratar o ideário das classes dominantes, em seus vícios e hábitos. Dos políticos e industriais, as imagens produzidas pelo diretor tem o objetivo de chocar, a principio a escatologia e a falocentria na narrativa não é non-sense, mas uma construção narrativa que por meio do exagero, hipérboles, expressar a real subjetividade das classes dominantes. Pessoas amorais, infiéis, individualistas, com fixação no poder, fixação no pênis e as taras sexuais marca de sua individualidade.

Do poder de atração do jovem filho de industriais, da glamorizarão da industria de armas, demonstração de uma industria de brinquedos e de quadrinhos com objetivo de lavagem cerebral, estimulo a violência e guerras, das forças policiais como aparatos repressores da população, da arquitetura criando casas-caixão para alimentar os lucros das empresas, de políticos de sem interesse na população, demonstração da arte mecaniza e estéril. São estes os personagens que se apresentam como donos do mundo. Todos eles acostumados com ter tudo o que querem, mas a narrativa reflete a inconformidade das classes dominantes com a natureza de sua própria morte.

Terceira parte

A terceira parte é uma viajem espiritual aonde os personagens precisam buscar a consciência UNA(postulado metafisico da consciência una e universal presente em cada ser) e para isso prescindiriam dos bens materiais e o seu ego. Aqui fica a parte mais rica do filme que é mais auto-explicativa, mas é a busca dos personagens pela imortalidade, aonde o mestre Zen ensinará a conformidade com inevitabilidade da morte.

Conclusão

Recursos escatológicos na drama não são utilizados para chocar o telespectador, mas um recurso de hipérbole. As cenas de nudez e sexo não se apresentam no sentido sexualizante, mas alusões a taras sexuais e expressões de poder. Um filme muito bom, mesmo com as dificuldades iniciais, tem um caráter pedagógico realmente amplo com seus símbolos e suas alegorias. Um historia não tão agradável, mas que diverte principalmente pela composição de cena.

 
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