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Viernes 24 de Noviembre de 2017
18:55 hs.

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ECONOMIA
Recuperação da economia? A única certeza é que será sem emprego e sem investimento
Daniel Andrade
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Com boa dose de otimismo e propaganda "gratuita" diversos economistas tem escrito artigos nos grandes jornais que fazem eco ao vaticínio de Meirelles "a recessão acabou". Com um bom trabalho de arqueólogos escavam intactos alguns indicadores que, após generoso tratamento analítico indicariam não somente que a recessão teria acabado mas que estariamos (segundo alguns) rumo a um ciclo virtuoso: emprego, investimento e inflação baixa.

Em tempos de profunda incerteza na economia mundial suas previsões são por hora arriscadas ou expressão de desejos políticos. Desejos de bater palma para seu governo golpista ou de fazer isso ao mesmo tempo que emitir o seguinte alerta: sem a reforma da previdência tudo pode ir para o lixo.

Paulo Guedes, do Globo, é um dos defensores dessa tese que estariamos no umbral desse ciclo, ele afirmou em coluna hoje:

"A tímida recuperação ensaiada pela atividade econômica receberia ventos extremamente favoráveis. Pois uma desaceleração simultânea nas trajetórias das despesas fiscais com a Previdência e com os juros da dívida deflagraria um círculo virtuoso de maior controle de gastos públicos, juros em queda, reversão da queda do dólar, mais estímulo aos investimentos e às exportações, recuperação da economia e do emprego, com aumento orgânico de arrecadação tributária."

Com maior sobriedade que alguns arautos do "ciclo virtuoso" outros analistas que se animam com o fim da recessão demonstram como demoraria, na melhor das hipóteses, anos para recompor o emprego e mesmo voltar a alcançar a historicamente baixa taxa de investimento. Essa imagem de conjunto mostra que mesmo que se tomarmos a previsão otimista o que teriamos seria um capitalismo brasileiro ainda mais rentista (realizando sua renda com o latifúndio, com a dívida, aproveitando a ociosidade) e mais explorador do trabalho pois a recuperação estaria animada pela baixa inflação produto da depressão salarial e dificuldades de setores de serviços dependentes do consumo.

Indicadores para animar e desanimar economistas

Os indicadores animados tem como base alguns indícios de aumento de arrecadação e como alguns setores da indústria que são base para as cadeias produtivas tem demonstrado alguma melhoria. Um exemplo seria o setor de "papelões", que expressa a indústria de embalagens.

No entanto, apesar desse dado a indústria como um todo apresenta índices de produção equivalentes ao de 2009 e a utilização da capacidade instalada seria menor do que naquele momento.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ainda não enxerga sinais consistentes de retomada do investimento no Brasil. O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no Produto Interno Bruto), divulgado nesta segunda-feira, 13, teve queda de 3,0% em janeiro deste ano ante dezembro de 2016, na série com ajuste sazonal.

Além disso, a demanda doméstica deprimida e a alta ociosidade da indústria devem dificultar uma recuperação rápida dos investimentos.

"Pelo legado da recessão, a pior da história, a recuperação tende a ser bastante gradual", diz o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Leonardo Mello de Carvalho. A expectativa é que o indicador siga mostrando um comportamento instável nos próximos meses.

Atualmente a indústria de transformação brasileira trabalha com 74,3% de sua capacidade, bem abaixo da média histórica de 80,9% e três pontos porcentuais abaixo do nível de utilização da época da crise financeira global deflagrada em 2008, com reflexos no Brasil em 2009. Isso significa que será possível responder a um eventual aquecimento da demanda - o que depende de uma melhora significativa do mercado de trabalho, ainda distante - apenas religando equipamentos parados, sem investimentos adicionais em um primeiro momento.

Uma tese que não se sustenta em pé. Se houvesse mais consumo haveria maior produção, porém para existir mais consumo é necessário mais emprego. Só não se sabe de viria isso. Nao, pelo menos em um nível que permita com qualquer sobriedade falar em ciclo virtuoso.

Porém ao contrário dos economistas que são contratados para opinar na grande mídia, não é possível prever um aumento sustentado das commodities em média prazo. Todas vezes que os EUA aumentam seus juros os preços das commodities costumam cair.

Um suposto fim da recessão com recordes de desemprego e depressão no investimento só podem significar que os números podem melhor mas na melhor das hipóteses mostram a fragilidade da situação econômica e como ela dista de um "novo ciclo" no lugar do ciclo anterior de crédito, consumo e exportação de commodities.

Nenhum destes três componentes cruciais da economia nacional parece estar com perspectivas duradouras de aumento como querem certos economistas.

Com informações da Agência Estado

 
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