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Lunes 18 de Noviembre de 2019
19:24 hs.

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HOMOFOBIA
Estupradores homofóbicos de MS seguem impunes! Justiça pra Wesner já!
Adriano Favarin
Representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP

Já se passaram dez dias da morte de Wesner Moreira da Silva, 17, trabalhador de um lava-jato em MS, que sofreu uma violenta agressão homofóbica pelo seu patrão e colega de trabalho. As vacilações da justiça em reconhecer o crime como homicídio motivado por homofobia e a diferença social e de classe entre as famílias da vítima e do agressor parecem ser os motivos centrais para a manutenção da impunidade dos assassinos.

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Corretamente, o Juiz da 7ª Vara Criminal de Campo Grande, Marcelo Ivo de Oliveira, encaminhou o caso para o Juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, motivado pelo entendimento de que o caso se tratava de homicídio doloso e não de uma simples lesão corporal grave. O fato do dono do lava-jato e o outro agressor saberem como funciona o ar comprimido e as consequências que a introdução de uma mangueira no ânus de Wesner trariam justifica o dolo no crime de homicídio.

O Juiz da 1ª Vara, Carlos Alberto Garcete, porém, se baseou no entendimento inicial do Ministério Público, de que se tratava de crime de lesão corporal seguido de morte, e negou o pedido de prisão remetendo novamente o processo a 7ª Vara Criminal. Tal entendimento medíocre é fruto da inexistência da criminalização da homofobia e do fato da tentativa das mídias e das investigações esconderem que a motivação para o crime contra Wesner foi, sim, claramente homofóbico, como denunciamos nesta matéria!

O promotor Luiz Antonio, responsável pela 69ª Promotoria da Justiça alegou que as notícias que tem sido divulgadas mostram elementos fortes de cometimento de um crime, mas que “só é possível fazer uma avaliação mais concreta após o fim do inquérito e o relatório feito pela Polícia Civil”.

Tal vacilação da Justiça permite que o advogado dos agressores tenha a cara-de-pau de afirmar que os jovens “estão arrependidos, receosos com a opinião pública, por conta dos clientes do lava-jato e até mesmo por parte da família do menino. Os dois são pessoas de bem, não são delinquentes” e que “brincadeira era comum entre eles. Essa foi mais uma delas. Portanto, não houve intenção de lesioná-lo ou muito menos de matar o menino”.

A família de Wesner, que trabalhava no lava-jato para ajudar nas despesas de casa, esta sendo amparada por uma corrente de solidariedade feita por parentes, amigos e pessoas sem qualquer vínculo com a família, mas que se comoveram com a história. O pai de Wesner, Valdecir Ferraz da Silva, está tratando cânceres de próstata e coluna e perdeu o auxílio-doença e sua mãe, Marisilva Moreira, 44, é dona-de-casa.

Em contrapartida, a família de Thiago Demarco Sena, 20, assassino dono do lava-jato, também é proprietária de um Hotel-Pousada, o “Princesa do Apa Pousada” e, pelos comentários nas redes sociais, também possuiria empresas em outros ramos. A mãe de Thiago, Suellen Sena, teria sido candidata em 2016 a vereadora pelo PSDB na cidade de Bela Vista-MS, tendo ficado em 40º com 88 votos. Essa diferença social e de classe entre as famílias da vítima e do agressor é um dos motivos centrais para a manutenção da impunidade dos assassinos.

Além da responsabilização criminal, o dono do lava-jato deve ser cobrado por responsabilizações trabalhistas, o INSS tem a obrigação de verificar se Thiago mantinha um contrato trabalhista dentro da normalidade com Wesner para que a família possa receber as garantias de seguro como FGTS e pensão. Caso Thiago não tenha registrado Wesner, ele deverá ser obrigado a pagar do próprio bolso. Dinheiro que, pelo visto, a família tem de sobra.

A ex-vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de MS, Profª Drª Eliana Leandro Dias, especializada em direitos da criança e do adolescente, classificou a violência sofrida por Wesner como estupro “o estupro é alguma coisa ligada ao nosso corpo, alguma coisa em que você é assediado sem a sua vontade. Quem fez essa agressão realmente fez com dolo, fez com vontade de querer acabar com a vida de uma pessoa. E com a vida de uma pessoa é crime”.

Estamos solidários a dor da flamília de Wesner e seguimos exigindo justiça!
Por isso incluímos neste link o abaixo-assinado direcionado ao Ministério Público de MS, feito por parentes e amigos de Wesner, para que seja assinado e divulgado.

 
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