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Miércoles 18 de Octubre de 2017
00:57 hs.

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CRISE NO RIO
Trabalhadores do Hospital Anchieta protestam contra o fechamento e o atraso dos salários
Redação Rio de Janeiro

Na manhã dessa quinta-feira, 15, cerca de cinquenta trabalhadores do Hospital Estadual Anchieta, no bairro do Caju no Rio, paralisaram suas atividades e foram às ruas para protestar. Eles estão com mais de dois meses de salários atrasados e estão com aviso prévio para demissão pela Organização Social Pró-Saúde que administra a unidade.

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A situação do Hospital Estadual Anchieta é de um desmonte completo: com capacidade para 61 pessoas internadas, hoje ele atende a somente 8 pacientes. Todos estão sendo transferidos para outras unidades, e os trabalhadores estão cumprindo aviso prévio, com o Hospital ameaçado de fechar. Eles também afirmam que faltam medicamentos na unidade.

Viviane Figueiredo, enfermeira do Anchieta, falou à redação do Esquerda Diário sobre a situação do hospital:

"Tinha 11 pacientes no começo da semana, hoje já tem 8, com programação de duas transferências ainda hoje para o hospital Getúlio Vargas, então ficaremos com 6 pacientes. Só que o pessoal está tentando bloquear isso aí para que o hospital não feche. A gente quer uma mudança nisso aí, a gente quer receber o nosso pagamento, a gente quer que tenha melhoras para os pacientes, a gente quer insumos, a gente quer voltar a trabalhar, a gente quer quer a Pró-Saúde continue, ou que defina de uma vez e saia, e tenha uma nova OS para que a gente possa realmente ficar trabalhando."

Além das transferências que sinalizam o fechamento do Anchieta, as condições de atendimento estão comprometidas, conforme relatou a enfermeira Viviane Figueiredo:

"Sem condições de trabalho, o paciente teve uma intercorrência à noite e não tínhamos farmácia porque não tinha medicação então não tinha porque ter farmacêutico. O paciente foi transferido."

O hospital, apesar de ser estadual, é gerido por uma Organização Social (OS), uma empresa privada que é contratada pelo governo para administrar a saúde pública. Desde trabalhadores da limpeza até os médicos, passando por fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, técnicos de administração, porteiros, todos estes funcionários do hospital são contratados pela OS Pró-Saúde, sem estabilidade ou os direitos trabalhistas garantidos aos trabalhadores concursados.

A alegação da OS Pró-Saúde é que não recebeu o repasse de verbas por parte do governo, enquanto o governo alega que repassou as verbas. É o mesmo que ocorre na Rio Imagem, também administrada por empresa privada e cujos funcionários estão - todos eles - cumprindo aviso prévio. A situação de muitos trabalhadores é muito difícil, como relatou também enfermeira Viviane Figueiredo:

"Quem está ali precisa trabalhar. Muita gente ali é pai, é chefe de família e só tem aquele emprego. Eu, por exemplo, eu preciso trabalhar, eu só tenho aquilo ali como fonte de renda, meu marido é deficiente físico, eu tenho um filho pequeno e preciso trabalhar para sustentar minha família. Então a maioria que está ali é assim: só tem um emprego e precisa trabalhar, a gente só está lutando pelos nossos direitos."

Sobre as demissões, ela confirmou e relatou a situação:

"A demissão, quando aconteceu, houve demissão em massa, demissão geral: da faxina até a enfermagem, recepção, farmácia, tá todo mundo de aviso prévio. Isso foi dia 9, e o aviso vai até o dia 4 de março."

O Hospital Anchieta atende a pacientes intermediários, ou seja, aqueles que já receberam um primeiro atendimento e precisam de internação, o que exclui os atendimentos de emergência. Atendia casos de média a baixa complexidade, desafogando internamentos nas UPAs. Ele iria receber um selo de hospital modelo, atestando a alta qualidade de seu atendimento à população, mas agora está na eminência de fechar permanentemente suas portas, sendo mais um exemplo do desmonte dos serviços públicos de primeira necessidade dos quais depende a população carioca.

Viviane Figueiredo também lamentou a possibilidade do fechamento do hospital:

"É uma pena estar fechando o Hospital Anchieta, que é um hospital muito semelhante a um hospital particular. O tratamento, os mobiliários, todo o cuidado que a gente tem com os pacientes, é tudo muito diferenciado, são muitos treinamentos que a gente têm. Que a gente tinha, na verdade. É uma pena estar fechando o hospital por isso."

O Anchieta havia sido fechado para reformas no final de 2011, e, com sucessivas promessas de reabertura postergadas pelos governos, só voltou a funcionar em 2014, com equipamentos completamente renovados.

Perguntamos a Viviane Santana como é possível apoiar a luta, e ela fez um chamando a que seja divulgada a situação do Anchieta:

"O pessoal pode compartilhar nas redes sociais, ajudando a gente com isso porque não é só o nosso pagamento, é o fechamento de um hospital, que tem boa estrutura, tem uma gama muito grande de fisioterapia, de fonoaudiologia, que recuperou paciente que chegou aqui já dado como caso perdido. Vocês podem estar compartilhando, vocês podem estar reivindicando, e quem quiser também pode vir pra rua, a saúde é do povo."

A situação da saúde administrada pelas OS apresenta casos semelhantes no Anchieta, na Rio Imagem e em diversas instituições: o governo procura se isentar da responsabilidade pela saúde pública afirmando que fez o repasse, e as empresas privadas - que lucram com a mercantilização da saúde - dizem que é o governo que não fez os repasses de verba. O fato é que enquanto a saúde pública está sendo destruída, as isenções fiscais de Cabral e Pezão sugaram bilhões dos cofres públicos e o pagamento da dívida pública é responsável por enriquecer banqueiros e especuladores enquanto a população perde seus hospitais e centros de exames.

 
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