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Domingo 26 de Marzo de 2017
06:10 hs.

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Nas compras para a volta às aulas, pais precisam dar aula de economia aos filhos
Por Flávia Toledo, estudante de Letras da USP
São Paulo

A compra de material escolar é uma das grandes preocupações das famílias em todo início de ano. No começo de 2017, com a forte crise e queda nas vendas de maneira geral, precaução e pesquisa marcam a compra das extensas listas de material.

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Na contramão do restante da 25 de Março, uma loja estava completamente lotada. A Armarinhos Fernando, que vende, entre outras inúmeras coisas, material escolar em atacado e varejo, estava com as suas três unidades abarrotadas de gente. Segundo o gerente, as vendas ali cresceram.

Andando pelos corredores, essa afirmação torna-se compreensível. Buscando itens pra casa e principalmente material escolar, as famílias carregam grandes quantidades de mercadoria em pacotes fechados. Ao invés de canetas soltas, um pacote de 50. No lugar de cadernos decorados, pacotes de 5 cadernos 90 folhas simples e padrão. Tudo do mais barato.

Nas mãos de pais e mães carregados de coisas, listas de material completamente rabiscadas. Ali estão anotados todos os preços que encontraram. Nada vai pra cesta de primeira: antes, comparam-se os preços e o custo-benefício é calculado. Decidiu que caderno levar? Risca da lista pra não correr o risco de comprar a mais.

Poucos ali arriscaram levar os filhos, e não foi por medo de perder a criança na muvuca. Logo à minha frente, um casal discutia por causa das crianças. A mãe, nervosa, dizia: “Eu falei pra não trazer! Agora explica você pra ela que não tem como comprar o caderno do Frozen porque tá R$10,00 mais caro!”

Conversando com duas irmãs que compravam material escolar para os filhos, percebo que deixar as crianças em casa já é praxe. A diferença de preço entre os produtos licenciados com personagens e artistas chamam a atenção das crianças e dão dor de cabeça para os pais. Por conta da capa do caderno e do desenho do estojo, a diferença da conta quando passa no caixa é grande. E as crianças, expostas a intensa propaganda infantil, desejam exatamente os produtos mais caros.

As duas me disseram que pesquisaram em diversos locais antes de irem às compras. Só era viável fazê-las ali. E mesmo lá, onde os preços são bem abaixo das papelarias e lojas de shopping, também era preciso pesquisar atentamente. Segundo elas, o preço não aumentou do ano passado pra cá. Foi o poder de compra que diminuiu.

O primeiro ano letivo do governo golpista de Temer já começa com os pais nervosos e fazendo conta. A volta às aulas em meio à crise não vai ser nada fácil – e olha que nem começamos a ver os preços dos livros didáticos...

 
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