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Miércoles 23 de Agosto de 2017
12:39 hs.

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CHILE
Partido de Trabalhadores Revolucionários (PTR) inicia sua inscrição legal como partido
Partido de Trabalhadores Revolucionários - PTR

Reproduzimos o comunicado público do Partido de Trabalhadores Revolucionários (PTR), do Chile, que oficializa seu processo de inscrição como partido legal.

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Declaração Pública do Partido de Trabalhadores Revolucionários

Bom dia a todos os trabalhadores e trabalhadoras que nos acompanham, aos dirigentes estudantis, as dirigentes do movimento de mulheres, aos intelectuais e artistas que tem vindo hoje a esta coletiva de imprensa. Saudamos também os jornalistas presentes.

Queremos partir expressando nossa mais profunda solidariedade com a machi Francisca Linconao, quem está protagonizando uma dura luta contra a perseguição e repressão do Estado. Queremos, também, enviar um abraço forte a todos os atingidos pelos incêndios de Valparaíso, os quais têm sido vítimas da profunda desigualdade e precariedade da habitação em nosso país. Saudar os trabalhadores do Sindicato do Centro Cultural Gabriela Mistral (GAM) que hoje se encontram no decorrer de uma histórica negociação coletiva.

Nossa saudação a eles, é uma saudação a todos os trabalhadores e trabalhadoras do Chile, quem dia-a-dia devem fazer frente aos baixos salários e os abusos empresariais; é uma saudação as mulheres que alçam sua voz a nível internacional contra a violência machista e a opressão, que se expressa todos os dias nas ruas, na casa, no trabalho, na televisão e na opinião pública; os estudantes, quem tem se rebelado contra a educação de mercado e tem se negado a aceitar seu destino de endividar-se por toda a vida para conseguir acessar seu direito a educação; é uma saudação dirigida, enfim, a todos os povos oprimidos que, como o povo mapuche, sofrem opressão nacional sistemática por parte do Estado, usurpam suas terras e territórios, a repressão policial que golpeia forte as mulheres, idosos e crianças.

A nossa é uma saudação companheirismo e luta, visto que estamos convencidos que todas estas lutas tem um ponto comum: a luta para acabar de uma vez por todas com a herança da ditadura. Para conseguir isso é essencial que os trabalhadores se transformem em um ator político que tenha uma voz própria. Não estamos dispostos a seguir aceitando este regime dominado pelos empresários e políticos corruptos do Chile Vamos a Nova Maioria. Frente a isto queremos que sejam as grandes maiorias exploradas, oprimidas e excluídas as que tomem o “céu por assalto”. Queremos que os trabalhadores governem!

Neste marco em que como organização de trabalhadores, jovens, estudantes e mulheres, temos tomado a decisão de iniciar o processo de nos constituirmos legalmente como partido político. O fazemos em tempo de despertar social e político. A história mobilização estudantil de 2011 remexeu o cenário nacional. Depois, seguram as lutas regionais, como em Aysén, Freirina ou Chiloé, as lutas dos trabalhadores, como as dos funcionários públicos, a rebelião das bases dos professores, a luta conta as AFP, e as manifestações de massas pelo “Nem uma a menos”. Junto com este despertar social, tem se desenvolvido novos fenômenos políticos emergentes, que tem se proposto a traduzir politicamente o descontentamento e milhões. Nós somos parte deste processo profundo de reconfiguração política e social.

Por mais de uma década temos participado nas lutas sindicais, estudantis e do movimento de mulheres e diversidade sexual. Somos uma organização nacional, que desde Arica a Puerto Montt organiza centenas de trabalhadores, mulheres e jovens. Na Universidade do Chile, conquistamos a vice-presidência da FECH como fruto de nosso constante aporte a organização e luta do movimento estudantil em diversas universidades do país. Em Antofagasta, nossa companheira Patricia Romo, referente aos professores indignados, conquistou a presidência da comunidade do Colégio de Professores. Ela é a expressão do trabalho que temos conduzido destinado a reconstrução e conquista de sindicatos democráticos e combativos na indústria, na mineração, nos serviços de Correios do Chile, entre outros. Esta é uma luta para recuperar sindicatos dirigidos por quem responde ao governo, como acontece na CUT. Por sua vez, junto com as companheiras da agrupação Pão e Rosas, somos uma das organizações mais importantes do movimento de mulheres no Chile, e no sul participamos ativamente de movimentos de apoio ao povo mapuche.

Além disso, com o esforço de dezenas de companheiros, temos construído no nosso país o La Izquierda Diario, parte da Rede Internacional de diário digitais, que se propõe a se converter em uma ferramenta de organização e uma voz dos trabalhadores frente ao potente duopólio comunicacional que existe no Chile.

Este esforço e dedicação de centenas de companheiros está unido no mesmo objetivo, que é conquistar o governo dos trabalhadores para terminar com toda a herança pinochetista. Nos comprometemos a acabar com a Legislação Trabalhista da ditadura e conquistar a negociação por setor, o direito legitimo a greve sem restrições e o fim do subcontrato. Vamos por uma educação gratuita para todos, financiada completamente pelo Estado e suas instituições, pondo fim ao subsídio aos empresários da educação. Lutamos pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito no sistema de saúde pública. Defendemos o direito à autodeterminação nacional do povo mapuche e a expropriação das florestas dos Matte e Angelini para pôr sob controle dos trabalhadores e da comunidade. Lutamos por uma Assembleia Constituinte, livre e soberana que possa discutir cada um dos enclaves autoritários da ditadura e os direitos negados pelo atual regime.

Sabemos que tamanhos objetivos não serão entregues ‘de mãos beijadas’ pelos governos capitalistas; serão conquistados pelos trabalhadores e o provo através de sua própria mobilização. O caminho que decidimos tomar para nos construímos como partido político legalmente reconhecido, tem como objetivo intervir na arena política nacional e amplificar a voz de todos os trabalhadores com que compartilhamos uma presente luta. Buscamos que no Chile exista uma alternativa anticapitalista dos trabalhadores, revolucionária e socialista, que possa fazer sentir sua voz no terreno político, eleitoral e no debate público. Para nós, se trata de um meio para um fim superior: construir um grande partido revolucionários da classe trabalhadora, o qual ainda não existe.

Nos constituímos como partido formal não esgota esta empreitada, é apenas um passo. Dada que nossa perspectiva é que uma alternativa anticapitalista esteja encabeçada por milhares de trabalhadores, jovens e mulheres, que atuem como porta-vozes das problemáticas e demandas do conjunto do povo. No terreno parlamentar, apostamos por deputadas e deputados operários e socialistas, que sejam dirigentes políticos de sua classe e que se envolvam no mais profundo trabalho social, sindical e político. Quão distinto poderia ser o cenário político se conquistarmos uma voz anticapitalista dos trabalhadores!

A crise econômica internacional nos mostra cada vez mais, com maior clareza, que a perspectiva revolucionária é a única realista. Sem ir muito longe, na América Latina tem ficado evidente que a utopia de administrar o capitalismo e as instituições sem romper com a estrutura social existente, nos desarma para nossos verdadeiros objetivos. Somos muitos honestos em expressar que somente um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo poderá conquistar a tarefa de conquistar uma sociedade sem exploração e opressão; uma sociedade sem classes, sem dinheiro e sem Estado.

Para construir uma ferramenta política que avance nessa direção, necessitamos um programa próprio dos trabalhadores, independente das distintas variantes políticas dos empresários. Olhamos com entusiasmo a experiência dos companheiros da Frente de Izquierda y de los Trabajadores na Argentina, que sem modificar um ponto de seu programa, conseguiram romper com a marginalidade política, transformar-se em uma potente força no movimento de trabalhadores, das mulheres e da juventude de desde aí conquistar cargos parlamentares e municipais. Nos parece que se no Chile existisse uma frente eleitoral que impulsione um programa de independência de classe, as condições para construir um partido revolucionário seriam mais vantajosas. Que o PTR se constitua legalmente nos parece que pode ser um aporte até este objetivo.

Nosso convite é dirigido a todos os trabalhadores e trabalhadoras, a todos os estudantes e jovens, a todas as mulheres oprimidas. Hoje, nos propusemos a vencer os obstáculos que o regime político impõe contra os partidos da esquerda. Convidamos a todos a se somar a esta luta que começa agora. Antofagasta, Arica e Iquique serão as primeiras regiões onde coletaremos assinaturas. Nosso compromisso é por centrar todos os esforços para conquistar este difícil desafio, mas sabemos que a nossa energia e entrega diária seguirão sendo postas nas lutas dos trabalhadores, das mulheres e da juventude.

 
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