Política

GOVERNO TEMER

WikLeaks: Jucá atuou como fonte para o governo americano

Documentos vazados pelo WikiLeaks revelam envolvimento de Romero Jucá com membros da embaixada americana em Brasília.

Allan Costa

Militante do Grupo de Negros Quilombo Vermelho - Luta negra anticapitalista

quarta-feira 25 de maio de 2016| Edição do dia

O site WikiLeaks, famoso por vazar documentos confidenciais de governos e políticos de todo o mundo, revelou que Romero Jucá (PMDB), agora ex-ministro do governo golpista de Michel Temer, esteve atuando como contato junto à embaixada americana no Brasil. Jucá aparece em pelo menos três documentos encaminhados ao governo americano entre 2005 e 2010 e revela a influência direta e os diálogos entre as cúpulas dos partidos golpistas e o imperialismo interessado sobretudo no petróleo do pré-sal brasileiro, conforme já denunciamos anteriormente, inclusive treinando membros do judiciário, como Sérgio Moro.

O documento mais antigo a citar Jucá data de 2005 e trata-se de uma descrição sobre a posse dele como novo Ministro da Previdência Social do governo Lula. Jucá é citado por sua ligação próxima com Sarney, que desde 1985 o colocou em cargos importantes na época, como para a presidência da Fundação Rondon, da FUNAI e posteriormente ao posto de governador do recém criado estado de Roraima. O relatório destaca as denúncias de corrupção contra Jucá e destaca crimes ambientais como o favorecimento à madeireiras para extração ilegal em terras indígenas. Recentemente, a comissão da verdade declarou Romero Jucá como responsável pelo massacre de centenas de índios Yanomamis devido à epidemias contraídas por contato com madeireiros em terras protegidas.

Mas as revalações mais importantes aconteceram alguns anos depois dessa caracterização que parece ser parte do acompanhamento bastante atento do governo americano sobre governo Lula, Jucá volta a aparecer quatro anos mais tarde em documentos destinados à então Secretária de Estado americana, Hilary Clinton, agora como colaborador da embaixada americana no Brasil. Em 10 de setembro de 2009, o documento chamado "Aliança de Lula com o PMDB: mais problemas do que ganhos?" e que traz como assuntos relacionados as palavras "Dilma", "José" (Serra), "Petrobras" e "Pré-sal", Este documento relata um cenário de incertezas sobre as alianças políticas feitas pelo governo Lula para a continuidade do projeto de sucessão do projeto político petista e as consequências e possibilidades referentes à extração do Pré-Sal, o documento detalha que Romero Jucá havia conversado com a conselheira da embaixada americana em Brasília, Lisa Kubiske e se mostrava insatisfeito com a aliança feita pelo PMDB com o PT para a candidatura à presidência de Dilma Rouseff, então Ministra da Casa Civil, Jucá teria passado mais de cinco minutos falando o quanto Dilma era uma candidata fraca, segundo o documento, o candidato favorito de Jucá para as eleições era Aécio Neves (PSDB-MG) a quem cogitou atrair para o PMDB

Semanas mais tarde, em 21 de outubro de 2009, outro documento sobre as eleições presidenciais que ocorreriam dali a um ano, revela um telegrama enviado por Kubiske que cita Romero Jucá como uma "fonte da embaixada" . O Senador teria dito que tudo já indicava que o PMDB deveria mesmo ter o cargo de candidato de vice presidente numa chapa com Dilma à frente. Discutia-se, porém quem seria esse candidato, Jucá informou que o antigo presidente do Banco central e atual Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles ainda estaria no páreo para ser um "vice presidente de alto nível" de Dilma, Kubiske porém, relata que Michel Temer parecia estar à frente nessa disputa.

O conteúdo revelado pelo WikiLeaks além de dar novas provas à um já bem conhecido envolvimento da política imperialista americana no Brasil, deixa ainda mais evidente que forças estão por trás do golpismo do governo Temer ao relatar o papel de "aliado do imperialismo" de um dos principais senadores e presidente nacional do PMDB, partido que esteve no centro do golpe, alinhado com PSDB e todo o judiciário com a finalidade de aplicar um "pacto" na Operação Lava Jato de uma forma direcionada para fazer sangrar o PT, tirar Dilma da presidência e para livrar a cara de outros investigados, além abrir caminho para que se aplique uma série de ataques aos direitos dos trabalhadores e de entregar o petróleo brasileiro numa bandeja para as grandes empresas multinacionais imperialistas, como a Shell.

De cima a baixo, o governo Temer coloca nos seus postos as figuras que facilitarão essas medidas, por isso não podemos acreditar que se trate de um governo mais débil em relação à capacidade de desferir ataques duríssimos contra os trabalhadores, nem mesmo esperar que a Lava Jato faça o papel de limpar o país da corrupção. Lutar contra o golpismo significa organizar e fortalecer as lutas de resistência dos trabalhadores e da juventude em cada greve e em cada ocupação, para colocar abaixo o Governo Temer e impor, baseado nas forças desta luta, uma nova Assembleia Constituinte, Livre e Soberana onde os trabalhadores possam questionar até o fim as regras desse regime podre que permite que pessoas como Romero Jucá estejam a décadas ocupando cargos cheios de privilégio no Senado e os utilizando como um grande balcão de negócios para empresários e banqueiros.




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