Gênero e sexualidade

Votação para uso do banheiro respeitando a identidade de gênero acontecerá na UFABC

Na próxima quinta-feira (13/07) ocorrerá na UFABC (Universidade Federal do ABC) votação para uso do banheiro de acordo com o gênero que se reconhece.

quarta-feira 12 de julho| Edição do dia

A partir de um caso de transfobia ocorrido em 2016, onde uma trabalhadora terceirizada da limpeza foi impedida de utilizar o banheiro de acordo com o seu gênero, ocorreu em outubro do mesmo ano uma audiência pública tratando do tema que levou a votação que ocorrera nessa quinta-feira. A partir do caso o coletivo LGBT Prisma junto a outras entidades deram entrada nesse processo, a trabalhadora em questão além de sofrer diversos casos de descriminação transfóbica acabou sendo demitida pela empresa terceirizada que a empregava sem nenhum respaldo da universidade.

Discutir a utilização de um banheiro parece esquisito em pleno século XXI, mas infelizmente as pessoas transsexuais sofrem pelo simples direito de usar o banheiro ainda hoje. O uso de banheiro se torna um assunto delicado pois a sociedade heterocisnormativa não consegue aceitar a diversidade de gêneros que existe na nossa sociedade. Garantir a utilização do banheiro a partir do gênero que se reconhece é garantir um direito básico a necessidades fisiológicas, além de garantir a segurança e o respeito para as pessoas.

A votação que ocorrerá nessa quinta-feira e que é desdobramento desse processo de luta da comunidade LGBT da universidade desde o ano passado, traz à tona um assunto que a sociedade de conjunto tende a ignorar. O reconhecimento da existência das pessoas trans passa por esse debate, num pais aonde a maioria da população T é invisibilizada e colocada a margem da sociedade, sem direito a trabalho (tendo como única alternativa na maioria das vezes a prostituição), com perspectiva de vida de 35 anos, é no mínimo bizarro que se coloque em pauta ainda um direito elementar que é o uso do banheiro.

A audiência ocorrida em 2016 trouxe à tona esse debate que apesar de bizarro ainda é preciso ser feito nos dias de hoje, na época o tom da reitoria ao tratar do assunto ainda que diplomático colocava em cheque diversas questões de respeito aos direitos humanos, colocando no campo dos privilégios o uso do banheiro a partir do gênero que cada um se reconhece, como expressa o texto publicado por Lívia Franco em seu blog.

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Juliana Fabbron, lésbica, integrante do coletivo LGBT Prisma declarou ao Esquerda Diário na época da audiência: "A audiência sobre o uso dos banheiros é um passo fundamental para essa desconstrução (dos preconceitos). Essa discussão ainda se mostra como um tabu e vejo como algo essencial o movimento lgbt expor tabus para que sejam devidamente quebrados e para que direitos básicos como o uso do banheiro não tenham como reflexo a discriminação, o preconceito, as violências físicas e simbólicas e o cerceamento da liberdade. Já passou da hora do próprio movimento LGBT dar atenção às vozes da população Trans, para que essas vozes também sejam ouvidas e respeitadas pela sociedade na qual ainda prevalece a heterocisnormatividade".

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O coletivo Prisma convida a todos a participarem da votação e cobra posicionamento da ADUFABC, que até agora não se posicionou publicamente sobre o assunto, mostrando o descaso com que um direito tão básico como o uso de um banheiro é tratado ainda nos dias de hoje, e de como infelizmente esse debate precisa ser feito para garantir o mínimo de respeito e dignidade as pessoas.

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