Mundo Operário

METALÚRGICOS ABC

Volkswagen dá férias coletivas em sua maior fábrica no Brasil

A Volkswagen concedeu férias coletivas a oito mil dos 13 mil funcionários de sua fábrica em São Bernardo do Campo, sua maior unidade no Brasil, e suspendeu temporariamente a produção no cordão industrial da região metropolitana de São Paulo, informaram os sindicatos nesta segunda-feira.

terça-feira 5 de maio de 2015| Edição do dia

A Volkswagen justificou em comunicado que a medida foi adotada para "adequar o volume de produção à demanda de mercado" e informou que os oito mil trabalhadores serão reincorporados ao trabalho em dez dias, quando a produção da fábrica será retomada.

Em abril a companhia já havia concedido férias coletivas em Taubaté, sua segunda maior fábrica no Brasil, para reduzir os estoques e adequar a produção à queda da demanda.

De acordo com a Federação Nacional de Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), nos primeiros três meses do ano as vendas de carros, caminhões e ônibus registraram uma queda de 17,02% em comparação com o primeiro trimestre de 2014.

As vendas de automóveis, utilitários, ônibus e caminhões vêm caindo no país desde que o governo suspendeu os descontos fiscais de estímulo ao setor.

A Federação também atribuiu a queda das vendas às próprias dificuldades da economia brasileira, que no ano passado cresceu apenas 0,1% e que pode sofrer uma contração de até 1% em 2015, segundo as últimas projeções, assim como as restrições ao crédito para o consumidor e o aumento das taxas de juros.

Em todo o país, as montadoras são um dos setores da economia que mais têm sofrido com o aprofundamento da crise econômica. Frente à queda nas vendas, as matrizes das grandes montadoras vêm tentando descarregar os prejuízos nas costas dos metalúrgicos para manter suas altíssimas taxas de lucro.

Neste começo de ano, operários dessa mesma fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo já tinham protagonizado uma importante greve que barrou a tentativa da empresa de demitir 800 metalúrgicos. Em São José dos Campos, trabalhadores da General Motors também barraram 600 demissões depois de paralisarem suas atividades.

As montadoras imperialistas tentam, através de lay-offs e férias coletivas, chantagear os trabalhadores para que aceitem reduzir drasticamente seus direitos e benefícios em troca da manutenção de seus empregos. Infelizmente as burocracias sindicais que controlam há anos a maior parte dos sindicatos metalúrgicos (como a CUT, que no ABC paulista é responsável por propor uma medida tão patronal como o ACE, que habilitaria as empresas a negociarem com os sindicatos a nível de fábrica) muitas vezes acabam aceitando acordos neste sentido.

A experiência das lutas desta importante categoria mostra, desde as décadas de 70 e 80, que a única maneira de garantir os empregos é a luta independente dos metalúrgicos. Diante das perspectivas que se desenham para o próximo período, a agressividade do PT de Dilma e Lula (e seu ministro Joaquim Levy) é para este cenário que os operários da indústria metalúrgica devem se preparar.

Esquerda Diário/EFE




Tópicos relacionados

Indústria   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar