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SÃO PAULO

Violência policial deixa pelo menos 40 feridos na periferia de São Paulo

terça-feira 9 de junho de 2015| Edição do dia

Na madrugada de sábado (06/06) para domingo (07/06) ocorreu mais uma demonstração de brutalidade e violência policial contra os jovens da periferia de São Paulo. Dessa vez, a vítima foi a juventude de Francisco Morato, cidade periférica da Grande São Paulo, que participava de uma festa dentro da balada Sky Dance. Com o argumento de dispersar o fluxo de jovens que se aglomerava na entrada em frente a boate, a polícia militar utilizou bombas de efeito moral, cassetetes e balas de borracha.

Segundo relatos de J., 26 anos, moradora de Francisco Morato e que teve vários parentes hospitalizados após a violência policial “a galera que tava fora do baile entrou correndo, desesperada, pra dentro do baile. O que que eles fizeram? Foram e jogaram bomba dentro do baile [...] a galera tava tão desesperada que quebrou os portões, pulou de alturas absurdas”.

A desmedida violência policial tem ainda relatos de crueldade. L., 25 anos, que estava na balada com parentes comemorando o aniversário do primo K., que teve o fêmur quebrado e foi submetido a uma cirurgia, relata que “os policiais entraram atirando intencionalmente nos vidros, sabe, que ficavam em cima, na parte de cima, tipo, espelho da casa noturna. Caiu muito vidro no chão e a galera se cortou, assim, geral”.

Tanto a mídia local quanto o G1 dizem que mais de 40 jovens foram atendidos na Santa Casa de misericórdia de Francisco Morato, alguns em estado grave, mas todas as mídias reforçam que não houve mortes. Essa informação, porém, tem sido recorrentemente rebatida nas mídias sociais e nos relatos de pessoas que estavam na balada que afirmam que ao menos quatro jovens teriam morrido em mais essa demonstração de violência da polícia militar contra a juventude pobre e negra.

A responsabilidade é tanto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) quanto de Marcelo Cechettini (PV), prefeito de Francisco Morato. A política que os representantes das elites e dos patrões têm para a juventude periférica continua sendo a precarização da educação, salas de aula lotadas, professores mal remunerados, trabalho terceirizado, salários de miséria, transporte caro e lotado, falta de alternativas de lazer e espaços de sociabilização, redução da maioridade penal e violência policial.




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