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Vicente Duse: " Na Peugeot há trabalhadores de 50 nacionalidades e milhares de precarizados"

O painel de debates contou com as intervenções de Elsa, estudante de Paris 1, Vicente Duse, delegado da CGT na Peugeot Mulhouse e Ruan Chingo pela Corrente Comunista Revolucionária da NPA. Reproduzimos a continuação da intervenção de Vicente Duse, um dos principais dirigentes de uma das ações avançadas do proletariado automobilístico da Peugeot durante o movimento contra a reforma trabalhista.

quarta-feira 20 de julho de 2016| Edição do dia

" Estou em uma empresa com 6500 trabalhadores, onde 1500 são precários e convivem com 50 nacionalidades dentro da fábrica", descreveu Vicente a situação desta importante fábrica automobilística, PSA Mulhouse, uma das mais grandes da França.

A PSA está localizada na cidade de Mulhouse, ao leste da França, muito perto da fronteira com a Alemanha e a Suíça. Nesses meses, os trabalhadores da fábrica se organizaram para somar-se ao movimento contra a reforma trabalhista.

Vicente explica as profundas razoes dos descontentamento operário: " No contexto de luta contra a reforma trabalhista, a maioria dos precarizados se colocaram a frente. Eles pensavam: ’Se essa lei passar, estamos mortos’, levando em conta as condições de trabalho já degradadas previamente".

" Quando cheguei a fabrica em 1990 éramos 1400 trabalhadores e agora somos 6500. A politica de precarização é uma vontade de explorar ao máximo os trabalhadores. A reforma trabalhista vai permitir uma precarização massiva e explorar mais os trabalhadores e trabalhadoras."

" O objetivo do patrão e fazer acreditar, uma vez que se termina a luta, a ideia que esta não funcionou e desmoralizar os trabalhadores, os que conseguiram fazer parcialmente naquela ocasião", disse se referindo a ultima grade greve de 1989.

" Nesses dias de abril e de maio, quando os trabalhadores começaram a ver que a juventude estava sendo reprimida pela polícia, começaram a se mobilizar. Na direção do sindicato havia uma política para frear a luta, incluindo a alguns setores como Lutte Ouvrier, que falavam no ’atraso’ da classe operária", para justificar sua própria passividade, explica Vicente.

A unidade entre os trabalhadores e a juventude, e com outros trabalhadores, tem sido uma dinâmica muito progressiva dentro do movimento: " Nosso objetivo era conseguir a unidade com a juventude. Em Mulhouse não havia tanta repressão como em Paris, mas também se sentia. Nós vimos que tínhamos que chamar os trabalhadores a lutar e decidimos fazer assembleias gerais nos 20 minutos de pausa, e aí nos demos conta que um monte de trabalhadores, precários ou não, estavam de acordo em mobilizar-se contra os patrões. Os 550 grevistas prepararam a greve de 31 de março, o que levou a ser mais massiva ainda. Não enfrentávamos sozinhos a reforma trabalhista, senão outras medidas que na fabrica já impunham aos trabalhadores piores condições trabalhistas."

" O que é interessante na dinâmica dos trabalhadores, que disseram que não queriam fazer greve sozinhos contra a reforma trabalhista e os problemas da fábrica, mas queremos fazer greve senão que pagará por estas politicas serão nossos filhos."

" Em uma assembleia discutindo sobre os meios de comunicação, e os trabalhadores denunciaram as coisas terríveis que disseram, se davam conta da manipulação. A Revolução Permanente chegou a esses trabalhadores, muitos compartilham o que é publicado no RP nas redes sociais."

" Nós tínhamos o objetivo de dizer aos trabalhadores que a greve tem que ser dirigida por eles desde o início até o final, não é a greve da CGT, a greve é dos trabalhadores, desde as assembleias até as reuniões. E nesta oportunidade tomaram em suas mãos, se complicou, a tal ponto que havia assembleias que duravam de duas a três horas, algo muito importante que deu confiança aos trabalhadores . Lhes deu confiança, se transformaram em um elo da corrente no movimento de luta."

A unidade com outros trabalhadores se buscou desde o início: " cada vez que havia assembleias tratávamos de ir ver os trabalhadores ferroviários, pra dizer-lhes que tínhamos que lutar juntos."

Os operários chegaram a fazer colunas enormes dentro da fábrica cantando " os chefes que venham trabalhar", o que se mostra em vídeo que foi compartilhado por milhares de pessoas no facebook.

Vicente Duse apresenta a necessidade de organizar os setores mais explorados e oprimidos da fábrica, os precarizados, os imigrantes e as mulheres.

" A maioria dos trabalhadores precários vem dos bairros populares de Mulhouse, e coexistem com mais de 50 nacionalidades na fábrica, muitas mulheres vão de contrato precário em contrato precário, e tem uma briga profunda que se sente. Uma de nossas tarefas e organizar esses trabalhadores precários, porque se não fizerem o conjunto de trabalhadores que tem emprego fixo vão sofrer as consequências com os baixos salários. E além do mais a briga que tem nesses setores é palpável, crescente. Pode-se ver uma lita contra a precarização trabalhista. Uma das tarefas fundamentais que temos hoje na classe operaria e organizar esses trabalhadores."

" A maioria dos trabalhadores da empresa de limpeza soa curdos, e tem muitas discussões que estamos fazendo com esses companheiros", destaca Vicente, contando os debates sobre a questão curda e a situação na Turquia.

Para finalizar, chamo a toda a juventude presente nesta sala a continuar a luta junto aos trabalhadores.

Traduzido por Tatiana Ramos Malacarne.




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