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Venezuela: tensa jornada de eleição da ’Constituinte’ de Maduro

terça-feira 1º de agosto| Edição do dia

Desde muito cedo, este é um domingo dinâmico para a Venezuela. Com marcados contrastes segundo o portavoz ou o lugar de que se trate, centros eleitorais cheios e outros vazios, participação "normal" em algumas zonas, e repressão em outras. O governo chega a esta data com uma detestável campanha de intimidação aos trabalhadores do amplo setor público, e de chantagem aos setores populares (usando a bolsa-alimentação chamada CLAP), para que vão votar. Por outro lado, em muitas zonas eleitorais da classe média e alta, que a oposição de direita controla, usam "advertências" para impedir que as pessoas acudam a votar.

Entre a noite e a madrugada de hoje houve três novas mortes em meio aos protestos, um deles em Cumaná, o secretário de juventude da Ação Democrática, com um disparo. Isto foi denunciado no Twitter por Ramos Allup, deputado de direita e Secretário Geral da Ação Democrática:

Em zonas eleitorais de Caracas tradicionalmente controladas pela oposição, como El Paraíso, desde as primeiras horas da manhã houve enfrentamentos com a GNB, assim como o ingresso destes com os "rinocerontes" (os veículos blindados antimotins) nas residências. Este ingresso da GNB para reprimir o interior dos bairros de classe média também se repete em Maracay.

Veja aqui: Qual a política para a esquerda socialista da Venezuela?

Nicolás Maduro foi votar desde muito cedo, o que contou em seu Twitter, publicando um vídeo em que aparece dirigindo um carro, junto a Jorge Rodríguez, prefeito de Caracas, e Delcy Rodríguez, ex-chanceler e candidata à Assembleia Nacional Constituinte (ANC).

De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, para antes das 8 horas da manhã já estavam funcionando 70% das mesas eleitorais.

As reportagens dãoconta d centros eleitorais com afluência eleitoral regular em zonas populares de Caracas, Valência, Maracay e outras cidades, assim como centros com muito pouca participação ou vazios, sobretudo nas zonas de ampla maioria opositora. Cabe recordar que nos dias anteriores houve casos - ainda que isolados e pontuais - nos quais a população obrigou a fechar centros eleitorais e inclusive queimou material eleitoral, como em Táchira.

Está aberta ainda a dinâmica que tomará a jornada. O anúncio ontem da oposição de direita agrupada na Mesa de Unidade Democrática (MUD), foi arrancar a jornada de hoje com fechamentos de rodovia desde as 4h da manhã, e grandes concentrações a partir das 10h da manhã. Não obstante, a última grande concentração anunciada pela MUD, como a "Ocupação de Caracas" foi bastante fraca, sem alcançar de modo algum a magnitude de outras mobilizações nacionais convocadas nos meses anteriores.

Veja aqui: Contra a farsa de ’Constituinte’, uma saída pela esquerda: nem um voto a esta fraude, abstenção ativa!

Como dissemos, enfrentar o governo de Maduro, que busca se entronar no governo contra a vontade do povo e impor um supra-poder a partir do qual poderá governar com sua "Constituinte", não se confunde com sustentar o pólo da MUD com suas paralisações e marchas como a próxima a ser realizada nesta sexta-feira e que tem recebido o nome de "a tomada de Caracas". Trata-se de avançar na forja de uma saída independente da classe trabalhadora.




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