Internacional

CONSTITUINTE EM DÚVIDA

Venezuela - Com resultados duvidosos, Maduro se declara vitorioso

Os números fornecidos pela CNE parecem mais fraudulentos do que tudo. Os movimentos do dia transformaram em inacreditáveis as cifras dadas pelo Conselho Nacional Eleitoral.

terça-feira 1º de agosto| Edição do dia

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que 8.089.320 milhões de pessoas votaram em todo o país nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte (ANC), em um dia marcado por protestos e mortes em tumultos de pelo menos 10 pessoas, de acordo com o Ministério público.

A cifra foi dada pela presidenta da CNE, Tibisay Lucena. Faltando 15 minutos para a meia-noite, informou que essa cifra corresponde a 41,53% do eleitorado, que estão inscritos cerca de 19,5 milhões de pessoas.

É um número de votos que nem Chávez tinha alcançado antes mesmo de entrar em declínio. Nas eleições de outubro de 2012, a última antes de sua morte, alcançou o número de 8.044.106 de votos válidos, o equivalente na época, a 55,11% do censo eleitoral. Na eleição presidencial de 2006, Chávez havia ganhado 7.309.080 votos, 62,84% dos votos. Isto é, em números absolutos, o equivalente a um número de votos que nem Chávez chegou a ter inclusive quando estava em seu auge. Nas eleições de abril de 2013, após a morte de Chavez, Maduro obteve 7.505.338 votos, o equivalente a 50,61% dos votos. Nas últimas eleições, nas legislativas de dezembro de 2015, que a oposição ganhou por maioria absoluta, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) obteve 5,6 milhões de votos. São também mais elevados do que os votos declarados pela MUD em seu plebiscito, há duas semanas.

Mas de acordo com a CNE, o governo de Maduro, em total derrocada politica, decadência do chavismo e catástrofe econômica, chegou a superar Chávez e de repente se recuperar da completa derrocada política com quase 2,5 milhões de votos. Especialmente quando, de acordo com Tibisay Lucena, ainda estão para ser escolhido na terça-feira, 8 representantes de comunidades indígenas que integram a Assembléia Constituinte que somariam mais votos. Na verdade, tudo aponta a números fraudulentos, porque o fluxo que foi observado nos centros eleitorais, tal como vimos no domingo, não correspondem ao que indica a CNE, no total conluio com o governo.

De acordo com este resultado, este governo, com um nível de oposição e rechaço muito maior ao que veio a ter Chávez, sem o apoio de setores que estiveram com Chávez - hoje identificados como "chavismo crítico" - e com a popularidade de Maduro no chão, em meio aos sofrimentos por conta da crise econômica, não só teria tido mais votos do que Chávez teve, mas ainda maior do que os que teve o próprio Maduro na última eleição presidencial. Isto é, de acordo com a CNE, Maduro com a sua iniciativa da Constituinte conseguiu superar sua impopularidade, superar seus próprios votos de alguns anos, recuperando 2,5 milhões de votos em comparação com a última eleição (AN), superando a votação da oposição no referendo de 15 dias atrás e colocar o chavismo como uma nova maioria nacional.

Chamou a atenção que, além dos vários mecanismos de pressão e chantagem (para os trabalhadores do setor público e moradores dos setores populares) antes e durante a eleição, e centros de votação semidesertos ou diretamente vazios em muitos casos, fora o alto comando militar que com várias horas antes do anúncio oficial dos resultados pela CNE, mesmo tendo mesas eleitorais abertas, se dirigiu ao país falando de "vitória" e da abertura dos trabalhos de instalação da ANC.

Veja em: Venezuela: muito baixa participação nas eleições em jornada com vários mortos

A oposição - que não participava do processo- chamou de fraude eleitoral e disse que apenas 12% do eleitorado foi às urnas no domingo. Embora estes dados da oposição, tão pouco são possíveis de se acreditar, e obviamente são números interessados. Assim como foram nada possíveis de se acreditar os números que deu a Mesa de Unidade Democrática (MUD), quando publicou que a participação no referendo teria superado mais de 7 milhões de votos. Ambos os grupos manipulam tentando mostrar força na crise política no país.

Veja em: Governo de Maduro e a MUD, entre a negociação e o confronto

Como podemos ver, neste confronto entre governo e a oposição, que é uma clara manipulação dos números de participação, tanto nestas eleições da farsa Constituinte que Maduro busca montar, como também no plebiscito da MUD de algumas semanas atrás, o que buscam é enganar o povo trabalhador e os setores populares.

A oposição chamou a uma nova mobilização para essa segunda-feira, enquanto saudou um comunicado emitido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos que, com uma linguagem absolutamente ingerente, desconhecia o resultado da Constituinte e ameaçou aplicar sanções mais duras e rápidas sobre o país.

Com esses números em suas mãos, e se termina de instalar a Constituinte, que será sustentada pelas forças armadas, tal como é sustentada pelo governo atual, buscará negociar com a oposição aglutinada na MUD, algum tipo de "consenso" político conforme solicitado pelo mediador espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, em um comunicado recente. Nas próximas horas veremos como os próximos movimentos políticos serão dados.

Direto de Caracas - Notícia em desenvolvimento

Veja também: Contra a farsa de ’Constituinte’, uma saída pela esquerda




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