Internacional

ESCALADA REPRESSIVA

Venezuela: 35 mortos em um mês de crise política e repressão

Informe do Ministério Público revela um aumento de 7 mortos desde o último 26 de Abril, quando contabilizava 28 falecidos, no marco do aumento da escalada repressiva do Estado.

sexta-feira 5 de maio| Edição do dia

Um total de 35 pessoas falecidas e 717 feridas são as cifras que registra o Ministério Público, dirigido pela Promotora Geral Luisa Ortega Díaz, como consequência das manifestações desde Abril e até essa quinta-feira, 4 de Maio, nas horas da manhã. Contudo, de todas essas pessoas falecidas, nem todas morreram nas manifestações, já que existem casos pelos saques, que tanto o governo como a oposição aglutinada na direitista MUD condenam e não fazem a menor menção a essas mortes. Também se dão diversos casos em que as vítimas são produto de ações de grupos ligados ao chavismo, como os vinculados à oposição da MUD.

De acordo com o informe da promotoria, dos 35 falecimentos, 18 ocorreram na Área Metropolitana de Caracas, 6 no estado Carabobo, 5 no estado Lara, 2 no estado Mérida e igual quantidade no central estado Miranda, além de um em Barinas e outro em Táchira. Ademais, indica que, desse número de vítimas, quatro eram adolescentes, um funcionário da Guarda Nacional Bolivariana e um efetivo da Polícia do estado Carabobo. Informa também que por distintos fatos há 152 pessoas detidas e estariam por serem executadas 18 ordens de prisão.

Apesar de outras fontes indicarem que os falecidos chegam a 39 pessoas, os números diferem em que, de acordo com como o determine a promotoria, estão relacionados diretamente ou não às manifestações que ocorrem ou a questões diretamente políticas. Pois inclusive contabilizam os que são produto de fatos “colaterais” como casos de atropelamento de pessoas por automóveis que buscam sair intempestivamente de focos de repressão ou por saques. Porém, os casos de mortes são relatados diariamente, o que indica os níveis da escalada do conflito em curso.

A repressão brutal do Estado aumenta no marco das marchas e manifestações organizadas pela MUD desde o passado 1 de Abril, quando a situação política deu um salto após o Tribunal Supremo de Justiça ter lançado duas sentenças que anulavam a imunidade dos parlamentares e a atribuição das competências da Assembleia Nacional ao próprio TSJ e ao presidente Maduro. Uma medida política da qual o governo de Maduro teve que retroceder expressando sua maior debilidade.

Recordemos que no último informe oficial dado pessoalmente pela Promotoria Geral foi apontado que nas detenções estava-se violando o devido processo, remarcando que este “é um dos poucos direitos que não pode ser suspenso” e pelo contrário “se deve garantir” “inclusive nos estados de exceção”, como o que rege a Venezuela desde há meses por posição do governo de Maduro. Nessa quarta, de acordo com uma entrevista ao diário estadunidense The Wall Street Journal, o qual a Procuradora não desmentiu até o momento, voltou a questionar as forças de repressão do Estado, ao declarar que “Não podemos exigir um comportamento pacífico e legal dos cidadãos se o Estado toma decisões que não estão de acordo com a lei”. Ao ser questionada pelas situações de civis que estão sendo julgados por tribunais militares, manifestou que “este é um dos temas que o Estado tem de ver com muita preocupação”.

Nesta quinta-feira, um dirigente estudantil chavista da Universidade Territorial José Antonio Anzoátegui, no estado Anzoátegui, morreu por “vários disparos”, segundo informou a Promotoria. Inclusive o deputado opositor, José Brito, em nota da imprensa, havia indicado que era afetado pelo chavismo. Em um comunicado, a Promotoria apontou que, de acordo com a informação preliminar, Juan López Manjares, de 33 anos, e presidente da Federação de Centros Universitários da mencionada universidade, “encontrava-se em uma assembleia estudantil” e ao “finalizar, um dos assistentes se aproximou e disparou vários tiros”. No dia anterior, na quarta-feira, anunciava-se a morte de um jovem em Caracas no marco dos protestos que realizava a oposição, quando uma bala o impactou no pescoço.

Nesta quinta-feira, ainda que não tenham se desenvolvido marchas de caráter nacional, a oposição decidiu ativar a força com que conta contra o movimento estudantil em importantes e tradicionais universidades do país. O caso mais emblemático de repressão deu-se na Universidade Central da Venezuela, em Caracas, onde os estudantes decidiram marchar à sede do Ministério do Interior, mas se encontraram bloqueados apenas ao sair da Universidade, desatando-se uma forte repressão. Embora essas manifestações não tenham relatado nenhuma morte, resultaram em 14 jovens feridos pela arremetida dos corpos de segurança do Estado.

Neste mesmo dia, na cidade de Valença, estado Carabobo, além dos protestos anti-governistas desenvolveram-se saques que os próprios dirigentes da oposição saíram em repúdio, como já o havia feito Capriles em alguns fatos que ocorreram em pontos da área metropolitana de Caracas, aludindo inclusive a que eram provocados pelo governo, e fechou os olhos aos que haviam falecido por eletrocussão quando 8 pessoas morreram assaltando uma padaria.

O mesmo fez nesta quinta um dos representantes do Primeiro Justiça, o mesmo de Capriles, quando declarou que “Os carabobenhos frustram-se pela atuação desses vândalos que destroem o que encontram sem freio algum. Rechaço contundente”, e que “os saqueadores” não são manifestantes, e sim “vândalos que os órgãos de segurança deixaram atuar de livre vontade”. Isto é, quando por fome ocorrem ações de saque, inclusive quando há mortos envolvidos, vemos como a oposição mostra sua verdadeira cara patronal e mostra sua face oculta de quando seus interesses são atingidos, cabe o aval à repressão e às mortes.

Temos que rechaçar e denunciar com contundência a repressão e assassinatos por parte do Estado, assim como defender enfaticamente o pleno direito a manifestar-se e marchar. Repudiamos as violentas repressões que o governo de Maduro leva adiante e os recentes assassinatos nas manifestações por parte das forças de segurança. Também denunciamos os grupos de choque que se organizam desde o chavismo e inclusive desde a oposição de direita, tal como parece o caso das mortes ocorridas na cidade de Mérida no começo de Abril ou no recente caso do estado Anzoátegui.

Da mesma maneira, chamamos a repudiar o Estado de exceção que rege no país desde há mais de um ano, que suspende toda uma série de garantias democráticas e outros direitos elementares, especialmente sobre os trabalhadores e setores populares, com a militarização que busca amedrontar nos lugares de trabalho e bairros populares onde mais golpeia a crise econômica e a carestia de produtos básicos. Também rechaçamos a aplicação do “Plano Zamora” para um maior “controle interno” das Forças Armadas e organismos de repressão.

Tradução: Vitória Camargo




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