Educação

CORTES NA EDUCAÇÃO

Valor faz propaganda dos capitalistas que irão lucrar com o fim das pesquisas públicas

Enquanto estudantes perdem a bolsa e agências são desmanteladas, a revista Valor promove o lucrativo negócio do financiamento privado de pós-graduações.

quinta-feira 5 de setembro| Edição do dia

(Rodolfo Buhrer/Reuters)

Os cortes da Educação e o interesse das gigantes deste ramo do mercado no Brasil ficam escancarados quando em meio à uma crise brutal na pesquisa científica com 80 mil estudantes correndo risco de ficarem sem bolsa, o jornal Valor Investe, do Globo, faz propaganda gratuita para financiamento de pós-graduação e MBA para 2020.

Nadando descaradamente na desgraça de milhares de alunos que podem perder anos de trabalho e dedicação exclusiva à pesquisa científica, a Valor produziu uma matéria para divulgar bolsas de instituições de ensino privadas, bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs financiamento de cursos.

Enquanto o terceiro corte de bolsas no brasil só em 2019 avança para acabar com a pesquisa cientifica e com as universidades públicas, pautando fundamentalmente o “Future-se”, que tem como objetivo avançar brutalmente com a privatização e abrir ainda mais as portas das universidades públicas para os empresários, monopólios da educação privada e bancos já arregaçam suas mangas para endividar ainda mais a juventude brasileira.

Veja também: 40% dos jovens brasileiros estão endividados

Dados Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que 46% dos jovens brasileiros, entre 25 e 29 anos, estão inadimplentes. Na faixa etária de 18 e 24 anos, a proporção é de 19%. Se somarmos ambas faixas etárias, teremos mais de 12 milhões de jovens afogados em dívidas.

O FIES (Fundo de Financiamento Estudantil ), por exemplo, foi parte fundamental para fomentar os monopólios da educação privada, como os grupos Kroton e Anima, e endividar brutalmente a juventude. Dados da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicaram que o maior número de jovens endividados está no Distrito Federal no curso de Pedagogia, com estudantes devendo R$ 33.126.605 ao governo. Em todo o estado, a dívida ultrapassa R$ 400 milhões.

Com o avanço brutal da crise capitalistas que hoje afeta 30% dos jovens, o endividamento da juventude brasileira pelo direito de estudar avança para ser uma realidade ainda mais dura. Jovens recém-formados são importante parcela da juventude desempregada, que sem salário, deixam de pagar o financiamento de seus estudos e contraem dívidas gigantes.


Ana Paula Mendes, formada em jornalismo, é um exemplo dessa situação e se vê diante de uma dívida infindável contraída através do ProUni.

O projeto de educação de Bolsonaro é semelhante ao que um dos "heróis" de Bolsonaro, o torturador Pinochet, implementou no Chile, onde estudantes só conseguem cursar o ensino superior contraindo dívidas imensas que os assombrarão por anos ou até toda a vida.

Esse projeto tem avançado sem obstáculos porque as entidades estudantis que poderiam organizar lutas nacionalmente, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), para além da convocação de alguns dias de protesto isolados, não tem feito nada para organizar a imensa revolta dos estudantes contra esses absurdos. Precisamos seguir o exemplo dos estudantes da UFSC e também da UFPI que estão se mobilizando para combater a destruição da educação. É fundamental exigir da UNE e ANPG que se coloquem a serviço de organizar uma luta séria contra Bolsonaro e Weintraub, impedindo que consigam implementar o maior ataque à educação no país em décadas.




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