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Universidade da Dinamarca terá curso sobre Beyoncé

quarta-feira 6 de setembro| Edição do dia

A Universidade de Copenhague abriu um curso livre intitulado “Beyoncé, Gênero e Raça”, que pretende estudar as músicas da artista norte-americana com enfoque nesses temas. Em entrevista à TV2 da Dinamarca, Erik Steinskog, professor do Departamento de Artes e Estudos Culturais da instituição disse: "Nós vamos analisar suas músicas e clipes. Haverá foco em gênero, sexualidade e cor. Um dos objetivos é apresentar o pensamento do feminismo negro, que não é muito conhecido na Escandinávia".

O professor escolheu a análise das músicas da artista por conta de sua atuação no movimento feminista e sua capacidade de influência mundial. "Beyoncé nos faz reconsiderar o que é ser feminista, ou o que pode significar. O feminismo dela é apresentado para uma plateia que não é acadêmica. É difícil não se impressionar, ela é extremamente boa no que faz", falou Steinskog.

A existência de figuras influentes e a difusão de ideias de igualdade de gênero e raça são de fato muito importantes e infelizmente ainda muito raras de uma forma geral, não atoa, o curso chama a atenção justamente pelo seu caráter “inovador”. Ao mesmo tempo, são os movimentos sociais o aumento de setores feministas e antirracistas na sociedade que fazem com que surjam figuras como a Beyoncé.

O que a indústria cultural faz é se apropriar destes discursos para demonstrar quais são as saídas burguesas para o machismo e o racismo, que é a propagação da falsa ideia de democracia racial e igualdade de gênero, impossíveis por dentro do sistema capitalista, pregando a lógica meritocrática de disputa por altos cargos pelas mulheres e pelos negros. Neste sentido o ativismo “de fácil acesso” da cantora é na verdade um ativismo que não leva até às últimas consequências as opressões, e portanto não se propõe a exterminá-las.

O curso cumpre portanto um papel interessante de reflexão sobre a repercussão dos movimentos sociais na indústria da música, portanto sua existência é de fato importante. Ao mesmo tempo, o próprio ativismo de Beyoncé esbarra em limites de qual concepção responde a questão de como é possível dar cabo às opressões sofridas pelos negros e pelas mulheres no sistema capitalista. Neste sentido o curso poderia cumprir um papel muito mais crítico se se propusesse à refletir sobre o papel da indústria cultural na influência das massas e a apropriação capitalista dos movimentos sociais.

O curso será ministrado gratuitamente assim como toda a educação básica e superior da Dinamarca. Todas as 75 vagas ofertadas já foram preenchidas e a universidade ainda não divulgou a data de início das aulas.




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