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RACISMO NO FUTEBOL

Único negro, Aliou Cissé tem o menor salário entre técnicos da Copa

sexta-feira 22 de junho| Edição do dia

A notícia divulgada pelo com o canal de TV holandês "Zoomin", de que Aliou Cissé tem o menor salário anual de todos os 32 técnicos que estão disputando a Copa do Mundo na Rússia, traz a tona novamente a urgência em compreendermos os prejuízos do racismo institucional presente no mundo, e que muito auxilia o sistema capitalista na manutenção das desigualdades promovidas por ele em nome dos grandes lucros de poucos.

Sabemos que no futebol, as questões salariais são extremamente complexas, nesse “jogo”, a ideologia da meritocracia fala bem alto; não há salários pré-definidos e tudo depende do destaque do atleta ou, no caso, do professor (técnico).
Dentre os 32 comandantes desta Copa do Mundo de 2018, o senegalês Aliou Cissé foi quem mais chamou atenção nesta primeira rodada do Mundial. Dreads, gestos que já viraram memes e uma história de superação que o coloca num importante papel de representatividade em um meio que ainda possui uma enorme soberania branca.

De todas as seleções, somente Senegal é comandando por um negro. O ex-capitão da seleção senegalesa, que fez história como jogador na Coreia do Sul e no Japão, em 2002, também possuiu o menor salário dentre os técnicos deste mundial. Segundo publicação do jornal inglês The Guardian, o técnico de Senegal ganha 175 mil libras por ano, o que daria cerca de R$ 900 mil, menos que qualquer técnico da Série A do Brasileirão!

Em uma lista que tem Löw em primeiro lugar, seguido por Tite e Didier Deschamps, o senegalês é o último. Enquanto recebe cerca de R$ 850 mil por ano, o treinador da seleção brasileira ganha um valor próximo a R$ 14,5 milhões — um valor 16 vezes superior.

Em entrevista coletiva na Russia, Cissé desabafou "Sou o único treinador negro neste torneio. É uma realidade dolorosa que me incomoda. Acredito que o futebol é universal e que a cor da pele tem pouca importância no jogo", infelizmente sabemos que que essa “pouca importância” não ultrapassa os gramados.

Tanto no futebol brasileiro quanto no Mundial é raro ver técnicos negros nos bancos de reservas. Assim como em diversos outros setores da nossa sociedade, não há espaço para a consolidação de negros em cargos que modificam e confrontam o padrão.

Para além dos valores bem distintos da realidade dos trabalhadores do Senegal e do Brasil, a população negra vive situação semelhante, onde um negro ganha menos do que um branco desempenhando o mesmo trabalho; é preciso ficar claro o quanto essa ideologia racista é útil ao grande capital, desde que passou a lucrar com a escravidão e depois, com a inserção do negro como cidadão de “segunda classe” no mercado de trabalho.

Temos consciência de que o capitalismo não se sustenta sem o racismo e que todas as opressões condicionam sistematicamente aos exploradores maiores condições de multiplicar seus lucros com os setores mais marginalizados, e estigmatizados. Basta do racismo cotidiano e institucional!




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