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UnB demite servidores terceirizados em massa

Na manhã de ontem mais 132 terceirizados foram demitidos na UnB. A estes se somam mais 40 de aviso prévio [só trabalham até o próximo dia 30]. O sindicato dos trabalhadores da UnB calcula em mais de 500 demissões apenas nos últimos dez dias.

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 17 de maio| Edição do dia

O ambiente é de greve dos trabalhadores terceirizados e também do Sintfub [trabalhadores formais da UnB], ambos em greve desde abril.

Pessoal de limpeza, portaria, motoristas, copeiras, jardinagem, manutenção e vigilância foram demitidos às centenas, uma enorme quantidade de famílias lançadas em mais privações e penúrias.

A UnB vem sendo vítima de cortes, ataques à classe trabalhadora que são parte da política do golpista Temer para desviar mais recursos para o imperialismo.

A UnB utiliza o sórdido recurso de contratar servidores através de uma empresa terceirizada, a RCA, cujos lucros nunca caem, já que a cada redução nas verbas, eles degolam trabalhadores e continuam acumulando sua fortuna com dinheiro público e espoliação dos mais pobres, escravos modernos de empresas que jamais deveriam existir.

Parte dos estudantes também entrou em greve, mas os professores — seu sindicato é conservador — não entraram em greve.

A luta pela imediata efetivação de todo terceirizado deveria ser a bandeira de cada centro acadêmico, com total independência em relação à reitoria que assume as demissões em massa tranquilamente, alegando “ajustes devido à atual situação orçamentária”.

Se fosse uma reitora progressista deveria estar ao lado dos trabalhadores nessa hora e não justificando as demissões. No entanto, setores da direção do movimento estudantil procuram poupar a reitora como se ela — que jamais denunciou a exploração através das terceirizadas e sempre assumiu as demissões [desde o fim do ano passado já são mais de mil demissões] — pudesse ser “aliada” do movimento estudantil ou de professores.

A reitora alega que não é problema dela que “é decisão das empresas”. E com isso revela sua eterna posição de complacência com essa forma de escravização da classe trabalhadora e se descompromete com a miséria profunda à qual centenas de famílias já pobres estão sendo lançadas...na sua gestão. Não é com ela.

Em recente onda de demissões, foi chocante o depoimento de uma terceirizada, Maria Luiza Vieira da Rocha; com idade de 54 anos, trabalhou na limpeza da UnB durante 23 anos. Ela diz que foi avisada da demissão no dia 17 de julho e desde esse dia foi dispensada, sem cumprir aviso prévio. O filho dela também é terceirizado da limpeza na universidade e o aviso prévio dele termina nesta quarta.

"Falta apenas um ano para eu me aposentar e me mandaram embora. Só falaram para mim e para outros três encarregados: ’Entrega a chave’, assim, como se nós fôssemos cachorros. Não falaram nenhum critério para escolha de quem seria demitido, tive que tirar minhas coisas correndo. Agora eu e meu filho estamos desempregados."

O movimento estudantil e dos trabalhadores e professores não podem ser cúmplices de nenhuma demissão. Não somos gestores do capitalismo.

E tampouco é uma estratégia que tenha futuro aquela que compromete a independência do movimento ao estabelecer uma aliança com essa reitoria. A alta burocracia da UnB não está do nosso lado. Não podemos alimentar ilusões de parte da classe trabalhadora mais precarizada de que a reitoria está preocupada com ela e pode ser sua aliada.

Temos que organizar nosso movimento pela base, em aliança com a população, com objetivos próprios, com mobilizações, ocupações e greve, com independência de ação.

E, ao mesmo tempo em que organizamos ações em comum contra os ataques do governo, também se faz necessário abrir um debate público sobre o papel do PT e seus governos, que ampliaram até a exaustão esse tipo de emprego precarizado, sem direito algum. E no qual os trabalhadores podem ser demitidos, como agora, ao bel-prazer da patronal. Imediata efetivação de todos os terceirizados, nenhuma demissão teria que ser uma bandeira da nossa luta, ocupando toda a UnB, construindo um comando único de greve, organizado por sala de aula, para impor essa conquista.

Junto com isso tornar a UnB um canteiro aberto de debates sobre o golpismo, em aliança com a classe trabalhadora que está sendo demitida de forma implacável com total cumplicidade da burocracia acadêmica que, dessa forma, aceita o avanço passo a passo, do golpismo.

Assista a manifestação dos terceirizados nestes dias, na UnB:




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