Sociedade

VERMELHO

Uma confissão, enquanto ela ainda pode ser publicada

Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e militante histórico do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, o MRT, deixa seu depoimento sobre sua militância por um partido socialista e revolucionário no Brasil.

sábado 27 de outubro| Edição do dia

Aos amigos e familiares, aos conhecidos e aos ainda desconhecidos e também aos inimigos... Confesso que sou um sonhador! Confesso que até o momento presente tenho dedicado exatamente a metade da minha existência, ou seja, 31 anos, a lutar contra o reino da miséria, da necessidade, da opressão, da exploração, das guerras e da barbárie que os capitalistas e o capitalismo, impõem à maioria absoluta dos seres humanos, que habitam nossa imensa pátria mãe, o planeta terra, onde infelizmente nos encontramos divididos por fronteiras imaginárias criadas artificialmente apenas para esse fim.

Ao longo desse tempo, tenho visto e aprendido muitas coisas, que só fizeram reforçar as minhas convicções e que impediram que eu desistisse. O mais importante de tudo isso, foi ter aprendido que a capacidade de produção já desenvolvida e instalada pela humanidade, na superfície do nosso planeta pátria, seria hoje o suficiente para produzir todo alimento necessário para alimentar toda a população do mundo e por um fim definitivo na fome e nos males que dela decorrem, bem como, produzir todas as mercadorias necessárias pra suprir todas as necessidades das mais de sete bilhões de vidas humanas espalhadas na superfície do planeta pátria. E, o melhor, é que tudo isso pode ser conquistado com cada homem e cada mulher adulto/a trabalhando apenas uma hora por dia.

Ou seja, hoje, já é possível assegurar a produção de alimentos, vestimentas, moradia, transporte, educação, lazer e cultura, assistência a saúde incluindo todo tratamento e medicamentos que se façam necessários para suprir todas as necessidades de todos os seres humanos, bastando apenas empregar todas as mentes e todos os braços produtivos que se encontram desempregados, jogados e abandonados às margens do processo produtivo. Hoje já seria possível libertar os seres humanos das jornadas de trabalho extenuantes estabelecendo jornadas de no máximos duas horas, ou menos de trabalho, seria possível libertar os seres humanos das tarefas que degradam o físico e a mente de milhões de homens, mulheres e crianças.

Foi revoltante, mas extremamente importante, ter aprendido que o modo de produção capitalista é a única coisa que existe separando a humanidade da realização desse sonho 100% factível. E isso foi importante porque tira o sonho do plano da utopia e traz diretamente ao plano da esperança concreta, possível e realizável.

O capitalismo, ao submeter as forças produtivas à uma ordem jurídica, que subordina toda a produção humana à busca constante de lucros cada vez maiores aos proprietários das terras, das fabricas, e demais meios de produção; acaba impedindo na prática a utilização plena de toda capacidade de produção desenvolvida pela humanidade. Por isso, ao invés de dar emprego a todos os trabalhadores/as desempregados/as; ao invés de aumentar a produção, pra suprir as necessidades de todos e todas, ao mesmo tempo em que reduz drasticamente a jornada de trabalho, as fábricas fazem o contrário, ou seja demitem trabalhadores e fecham postos de trabalho, arrocham salários, retiram direitos e intensificam o nível de exploração dos trabalhadores empregados, para assim aumentar os lucros e a riqueza dos proprietários, ao mesmo tempo em que aprofundam o sofrimento e a miséria dos trabalhadores desempregados e também dos empregados. No campo, a maiorias das terras produtivas permanecem ociosas, pois, para obterem preços mais altos e maior lucratividade, os grandes fazendeiros e latifundiários, proprietários da agroindústria, semeiam apenas a terra necessária para produzir apenas o que podem vender, impedindo que se produza qualquer excedente. E assim, para manter preços e lucros nas alturas, os latifundiários, proprietários da agro indústria mantém milhões de hectares de terras ociosas, ao custo de deixar milhões de famílias no campo sem emprego e sem terra pra morar e trabalhar, de levar escassez e miséria extrema à mesa de dezenas de milhões de famílias pobres e de desempregados.

Foi importante e animador aprender que existe uma forma de mudar tudo isso e inverter essa lógica, de reprodução e ampliação da miséria para milhões de trabalhadores, a fim de aumentar a acumulação de mais renda e mais riqueza nas mãos de um grupo cada vez mais reduzido de banqueiros, industriais e latifundiários.

Foi importante ter aprendido que a expropriação, das terras, de todos os latifundiários, das fábricas de todos os industriais, bem como a expropriação de todos os bancos a submissão de todos os meios de produção ao controle dos trabalhadores, é o que permitiria que toda a produção deixasse de estar submetida à busca insaciável de lucros e passasse a estar submetida ao objetivo de suprir as necessidades humanas, tais como alimentos, vestimentas, abrigos, moradias, transportes, educação, cultura, lazer e saúde para todos, com todos trabalhando muito menos para que todos possam trabalhar. Foi importante aprender que o modo de produção apenas esboçado acima é o que chamamos de socialismo, uma primeira e necessária etapa na construção de um mundo comunista.

Foi importante e decisivo ter aprendido que para expropriar os capitalistas e realizar a tarefa de libertação da humanidade, se faz necessário destruir a ordem jurídica atual que assegura e perpetua aos capitalistas o direito a propriedade privada dos meios de produção, o que exige a simultânea destruição dos estado burguês e todo seu aparato repressivo, que sustenta essa ordem jurídica e, por isso, merece e precisa perecer. Ou seja, é necessários realizar uma revolução.

Aprender tudo, foi importante e decisivo, por que foi esse novo saber que me fez o militante revolucionário que tem dedicado metade da existência a luta pela construção de um, partido revolucionário, ferramenta política imprescindível para realização da revolução.

Eis porque sou um dos vermelhos que Bolsonaro disse que expulsara do país, ou meterá na cadeia. Eis porque tenho orgulho de haver conquistado o ódio sincero dos capitalistas e seus capachos, enganados ou conscientes!




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