Economia

1 ANO DE ESQUERDA DIÁRIO

1 ano do Esquerda Diário e um retrato breve da economia do país

O Esquerda Diário faz um 1 ano, se consolidando, no noticiário de economia, como mais uma ferramenta da classe de combate e compreensão da realidade com uma visão da economia, que se apoiando no marxismo e na política, constrói o ponto de vista dos trabalhadores e da juventude.

Flávia Silva

Campinas @FFerreiraFlavia

sábado 26 de março de 2016| Edição do dia

Neste dia, 26, trouxemos aqui um artigo de atualização de nossa retrospectiva de 2015 com os principais artigos que marcaram a sessão de Economia do diário neste conturbado primeiro trimestre de 2016.

Vivemos um cenário em aberto, no qual a crise no país se faz sentir mais forte, com a continuidade de um quadro de deterioração da economia aprofundado pelas medidas neoliberais de ajuste fiscal dos governos, de Dilma e Nelson Barbosa. No mundo, a crise econômica também não mostra sinais de fato de recuperação piorando ainda mais o quadro de possibilidades de recuperação da economia.

E ligado a todo este quadro de crise econômica no Brasil (fruto do esgotamento do ciclo de alta global dos preços das commodities, da recessão mundial combinados com o aprofundamento da desindustrialização no país e outros fatores internos) se desenvolve e se alimenta todo um quadro de crise política que culmina no processo reacionário de impeachment cuja principal objetivo dos ricos capitalistas é impor um pacote de ajustes liberais com maiores ataques aos direitos sociais e à classe trabalhadora.

Por isto, o Esquerda Diário, segue apontando como fundamental a construção de uma resposta independente dos trabalhadores e da juventude, num movimento nacional contra os ajustes e a impunidade, construído em cada local de trabalho e estudo. É preciso “uma mobilização de massas que freie os ataques e gere força para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para atacar a impunidade pela raiz, fazer os capitalistas pagarem pela crise e enfrentar os problemas estruturais do país, substituindo o conjunto das instituições apodrecidas desse sistema político”.

PIB em queda recorde em 2015

No início deste ano, o IBGE divulgou os dados do PIB de 2015, confirmando a tendência de recessão desde 2014, com uma importante queda de 3,8% em relação à 2014, pior desempenho desde 1990, quando a retração havia sido de 4,3%. Dos setores da economia analisados apenas a agropecuária não diminuiu a produção de riquezas, a indústria teve a maior queda de 6,2%, e o setor de serviços recuou 2,7%, o que aponta um grave alastramento da crise econômica para o setor que mais emprega: os serviços.

Denúncia a fraude da dívida pública

Também iniciamos 2016 com uma forte denúncia à verdadeira fraude que se esconde por trás da dívida pública brasileira, uma fraude que custa bilhões de reais tirando recursos públicos da saúde, educação, infraestrutura urbana e demais gastos sociais para encher os bolsos de grandes bancos estrangeiros, e inclusive alguns deles que financiaram campanhas eleitorais e com atuação dentro dos governos, como o Bradesco. O discurso de ajuste fiscal, de crise orçamentária e aumento do superávit primário tem como objetivo aumentar os recursos públicos para o pagamento de juros da dívida em prejuízo dos direitos sociais da população.

Por isso, apontamos que não basta apenas uma auditoria da dívida, que pode ser um instrumento de conciliação com os regimes políticos burgueses. É fundamental, para que a classe trabalhadora e a juventude possam construir um movimento nacional contra os ajustes e para fazer os capitalistas pagarem pela crise, partir do não pagamento da dívida pública, rompendo com os negócios do capital estrangeiro, para garantir um plano de obras públicas emergencial para atender as demandas urgentes da população que ainda sofre com a seca e enchentes, com o desmonte da saúde pública e epidemias de microcefalia e zika vírus e desastres como a tragédia de Mariana.

Valorização do dólar e as “especulações” com Lula e a Lava-Jato

Com o fortalecimento do impeachment nas últimas semanas, desde a prisão coercitiva de Lula e até sua indicação para ministro da Casa Civil de Dilma – veja matéria de debate com a visão interessada do petismo de que Lula Ministro representaria uma “guinada à esquerda” no governo ajustador de Dilma –, cresceram as especulações dos capitalistas internacionais em torno da economia brasileira, um movimento financeiro que altera dia-a-dia o afluxo de dólares para o país contribuindo para uma crescente oscilação cambial, ou seja, no preço do dólar, que ora fica mais caro, ora mais barato.

O que o Esquerda Diário veio discutindo é como é preciso entender os verdadeiros interesses por trás desta “euforia” especulativa dos mercados de ações, o que se esconde é um mecanismo de pressão imperialista sobre o governo Dilma, de grandes bancos e empresários estrangeiros, para maiores ajustes contra os trabalhadores para salvarem seus lucros.

Seguem o aumento dos preços e a desvalorização dos salários

Também continuamos denúncias e análises que revelam como o crise econômica vem sendo paga pelos trabalhadores e os mais pobres via aumento dos preços ( dentre outros motivos, por meio de tarifas mais caras, alimentos e produtos básicos mais caros, juros altos e salários congelados, ou com reajustes abaixo da inflação e por fim, via aumento do dólar), salários arrochados e demissões. Esta é a única forma dos capitalistas salvarem seus lucros junto aos governos que atuam para aplicar ajustes para garantir este objetivo.

Indústria em crise

No primeiro bimestre de 2016, foram fechados mais de 14 mil postos de trabalho na indústria somente no estado de São Paulo, em todo país, os números da indústria seguiram em queda, com fechamento de fábricas (que não estão ocorrendo sem a resistência dos trabalhadores, neste começo de ano já estão ocorrendo duas ocupações de fábrica pelos pagamento de diretos e garantia dos empregos na Mabe em Campinas e Hortolândia e na Mardel no ABC paulista), e maiores demissões em setores como a siderurgia, metalurgia, têxtil e eletroeletrônica.

Mais de 9 milhões de desempregados e o trabalho precário

Os últimos dados divulgados pelo IBGE nesta última semana reafirmaram a gravidade da crise econômica, no último trimestre encerrado em janeiro, o desemprego ultrapassou a marca de 9% da população atingindo 9,6 milhões de pessoas, um crescimento de 6,0% (mais 545 mil pessoas) em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2015.

Como ]mostramos em últimas análises->http://www.esquerdadiario.com.br/Aumenta-o-desemprego-sera-que-os-bicos-e-trabalhos-precarios-sao-uma-solucao-temporaria], a tendência de aumento do desemprego devido aos impactos da crise está associada ao crescimento do emprego precário, sem carteira assinada, emprego autônomo e o trabalho doméstico, ou seja, junto à crise cresce a tendência ao emprego precário principalmente entre mulheres e jovens.

Ganha força a agenda de ajustes

A agenda de ajustes segue nos governos e ganhou destaque neste mês com a últimas medidas anunciadas por Nelson Barbosa, um mega-pacote de ajustes que deverá fazer parte um possível governo Dilma-Lula. Um novo pacote com mais cortes sociais e nos investimentos públicos aprofundando o desmonte da saúde e educação públicas, além de privatizações e a já conhecida reforma da Previdência.

Além deste “pacotão de cortes”, que demonstra a verdadeira preocupação de Dilma e do PT: manter os ajustes para garantir os interesses dos empresários e banqueiros, tramita no Congresso o PLS55 (projeto que transforma as empresas públicas em S/A, ou seja, passa a submetê-las ainda mais aos interesses dos lucros dos acionistas e não aos interesses públicos da sociedade) e a volta da CPMF junto a cortes nos gastos com funcionalismo nos estados que também enfrentam grave crise orçamentária, e com isto devem fazer duras economias para assegurarem o pagamento dos juros de suas dívidas juntos aos bancos e à União.




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