Educação

ENTREVISTA

Para responder à crise "Os estudantes precisam se aliar aos trabalhadores"

sexta-feira 3 de abril de 2015| Edição do dia

Entrevistamos Carolina Cacau, estudante do Serviço Social, coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social e militante da Juventude Às Ruas

ED: Como está a situação na UERJ depois do inicio das aulas?

CC: As aulas finalmente começaram depois do adiamento das aulas pela Reitoria. São muitas as turmas sem previsão de contratação de professor devido ao enorme déficit, isso atrasa a formação dos alunos e sobrecarrega centenas de professores que aumenta sua carga horária em sala. Apesar de ter pago as bolsas e os salários atrasados, o clima é de insegurança, sempre sem saber se no mês que vem cairão nos dias certos, se virá com atraso ou se não virá. A situação dos terceirizados continua maquiada porque os funcionários da manutenção, empresa Navele, que no ano passado ficaram 3 meses sem receber salários, auxilio transporte alimentação.

Além destes graves problemas a universidade está caindo aos pedaços salas de aula sem climatização com ar condicionado quebrado, os banheiros em cada andar estão de um jeito, uns sem água, outros sem luz, sem portas, papel higiênico é raro. A falta de luz também ocorre quase toda semana. No HUPE segundo os funcionários avança a precarização e as manobras da Reitoria para a sua privatização. Os estudantes cotistas, os terceirizados e os usuários do HUPE já estão pagando por esta crise que promete afetar todos aqueles que dependem da educação e saúde públicas.

ED: Quais alternativas você vê de solução para essa crise?

C.C: Desde o início do ano viemos defendemos construir um Congresso da UERJ entre todos setores da universidade: estudantes, funcionários, professores, terceirizados, trabalhadores do Hospital Universitário Pedro Ernesto, e CAP, que prepare a luta que precisaremos travar e um programa com o conjunto da universidade para responder à crise. Acredito que um espaço como este pode ser uma grande alavanca para construir uma greve massiva dentro da UERJ para barrar os ataques colocados pela Reitoria e pelo Governador Luis Fernando Pezão.

O Reitor Vieiralves atua de forma ditatorial na universidade, fazendo tudo via decretos e sem a menor discussão com a comunidade universitária. Ele defende os interesses de Pezão dentro da universidade. Pezão deu uma cínica declaração esta semana de que o problema de falta de professores seria pela disputa de poder pela reitoria e não um déficit real. Mente descaradamente, tentando não se queimar, com uma crise que só aumenta e tentando atacar os setores que lutam em defesa da educação dentro da universidade.

Por isso não podemos confiar no Governo estadual, nem na Reitoria e menos ainda no DCE que é dirigido pelo PT e PCdoB, que acabam de voltar a compor o governo do Pezão, estão comprometidos com os ideais de quem esta atacando a educação cotidianamente. Os estudantes precisam se aliar aos trabalhadores e construir uma saída independente.




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