Internacional

ATO INTERNACIONAL

Um primeiro balanço da Conferência Latino Americana e dos EUA convocada pela FIT-U

Publicamos a seguir um primeiro balanço da Conferência Virtual da América Latina e Estados Unidos convocada pela Frente de Esquerda Unidade Argentina, que se realizou entre os dias 30 de julho e 1º de agosto.

Christian Castillo

Dirigente do PTS, sociólogo e professor universitário

Claudia Cinatti

Buenos Aires | @ClaudiaCinatti

segunda-feira 10 de agosto| Edição do dia

A Conferência Virtual da América Latina e Estados Unidos que, convocada pela Frente de Esquerda Unidade da Argentina, se realizou nos dias 30 e 31 de julho e 1 de agosto, foi um fato importante para a esquerda anticapitalista e socialista do continente.

Participaram obviamente as organizações que são parte dos agrupamentos internacionais das diferentes forças da FIT-U ou que mantém afinidade com elas: a FT-CI ,a qual integra o PTS; A UIT-CI a qual integra a Izquierda Socialista; a LIS, a qual integra o MST; e organizações que lançaram juntos uma declaração comum com o PO (Partido Obrero), que depois da dissolução da CRCI não está em um espaço internacional definido. E também outras correntes que se viram interpeladas pela convocatória, como, entre outras, a Liga de Unidad Socialista do México, que é parte da ala esquerda do Secretariado Unificado da Quarta Internacional, encabeçada por uma das figuras históricas do trotskismo mexicano, Manuel Aguilar Mora; Plínio de Arruda Sampaio Jr., militante da ala esquerda do PSOL do Brasil e editor da revista Contrapoder, ou o partido Socialista da Bolívia.

Entre as 50 organizações que participaram da Conferência há diferenças significativas não só quanto a seu grau de incidência real na vanguarda de seus respectivos países mas também que algumas delas não contam com publicação alguma onde seja possível seguir suas atividades e outras contam no máximo com uma página no Facebook.

Apesar disso, a Conferência foi uma iniciativa de debate claro e público, diferente dos encontros meramente diplomáticos, mantendo um marco fraternal e partindo de um programa comum, que não tem antecedentes em escala internacional.
Os debates mostraram que apesar dos importantes pontos de acordo obtidos nos documentos de convocatória e das resoluções aprovadas existem diferenças muito relevantes.

A defesa da independência de classe que expressa a FIT-U na Argentina não se estende ao conjunto do continente. Por isso não podemos ter acordo com o PO em que a Conferência “representou um campo de reagrupamento político da esquerda que se reclama revolucionária e que se detém no campo da independência política dos trabalhadores” (Pablo Giachello, “o que deixa a Conferência Virtual Latinoamericana e dos EUA.”, Prensa Obrera 1602, 04-08-2020).

De fato as diferenças existentes sobre a independência de classe que se resenha neste mesmo artigo se contradizem com essa definição. Isso não impede que vejamos em que países, com as correntes que estão presentes neles, impulsionemos ações em comum na luta de classes sempre que seja possível (começando por levar adiante o plano de ação votado na Conferência), exploremos as possibilidades de realizar acordos como é a FIT-U ou outros que vão no mesmo sentido, ou que sigamos os debates mediante um Boletim de Discussão comum, proposta que fizemos e que não pôde ser aprovada na Conferência por oposição do MST-LIS.

O PTS e as organizações do continente americano da Fração Trotskista – Quarta Internacional, que vínhamos de realizar um muito importante ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial em 11 de julho, fomos ativos impulsionadores e participantes da Conferência. Todas as nossas organizações são parte da Rede Internacional Esquerda Diário, que está presente em 14 países em 7 idiomas, e que alcançou conjuntamente 13 milhões de visitas mensais, um fato único na esquerda mundial.

São periódicos de combate de nossa militância que intervém na luta de classes defendendo um programa transicional e uma estratégia revolucionária socialista. Na mesa debate sobre “A crise mundial e rebelião no império”, nossa exponente foi Jimena Vergara do Left Voice dos Estados Unidos. Na de “Movimento operário latinoamericano”, Lester Caldeirón, dirigente do Sindicato Nº1 da fábrica Orica em Antofagasta, Chile, e integrante da direção da CONSTRAMET (Confederação De Trabalhadores Metalúrgicos) do Chile, e da direção do Partido dos Trabalhadores Revolucionários. E na “Situação Latinoamericana”, André Barbieri, editor internacional do Esquerda Diário do Brasil e da direção do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT). Nestas mesas intervieram também Christian Castillo e Claudio Dellecarbonara, do PTS, e Javo Ferreira da Liga Obreira Revolucionária pela Quarta Internacional (LORCI) Bolívia.

No plenário geral de sábado, nossa intervenção na abertura esteve a cargo de Christian Castillo do PTS e o encerramento por parte de Nicolás Del Caño. Durante o plenário interviram Dauno Tótoro (PTR, Chile), Julia Wallace (Left Voice, Estados Unidos) Karina Rojas (CTS, Uruguay), Ángel Arias (Venezuela), Diana Assunção (MRT, Brasil), Violeta Tamayo (LORCI, Bolívia) Cecília Quiróz (CST, Peru), Jorge Medina (trabalhador da Madigraf, PTS Argentina), Myriam Bregman (PTS, Argentina), Aldo Santos (MTS, México) e Esteban Fernández (OS, Costa Rica).

Confira a intervenção de Myriam Bregman, deputada do PTS Argentina na Conferência Virtual da América Latina e dos EUA

A FT-QI, sendo em nível internacional uma liga de propaganda e ação, se mostrou como uma organização dinâmica, com quadros dirigentes atuantes na luta de classe de seus respectivos países, onde em todos os casos suas posições e intervenção se pode ver nas respectivas publicações que formam parte da Rede Internacional Esquerda Diário.

Em cada acontecimento relevante da luta de classes os diários digitais mostraram sua importância e por isso a perseguição sofrida por parte dos distintos governos, como pelos golpistas bolivianos ou a acusação de “sedição” do governo chileno contra Dauno Tótoro, da qual teve que desistir depois de uma grande campanha de defesa em nível nacional e internacional. Recentemente correspondentes do Esquerda Diário Chile foram detidos em meio a uma repressão frente a mobilizações em defesa do povo mapuche.

Nos Estados Unidos sem dúvidas o Left Voice também ganhou seu lugar na vanguarda combativa, tal como fez o Esquerda Diário no Brasil durante os acontecimentos que levaram ao golpe institucional contra Dilma, a proscrição de Lula ou as mobilizações contra Bolsonaro. Na França o papel do Révolution Permanente foi reconhecido por meios como a revista New Left Review, Mediápart e Arrêt sur images [1] entre outros.

Como apontamos, durante a Conferência se desenvolveram diversos debates, alguns dos quais estavam enunciados no documento de convocatória e outros que surgiram no curso da mesma. A seguir apresentamos quais foram em nossa opinião, as principais discussões que ocorreram nestes três dias.

CRISES, GUERRAS E REVOLUÇÕES

Um primeiro debate que se desenvolveu tem a ver com o caráter da época que atravessa o capitalismo. Talvez sem medir todas as consequências de suas colocações, desde a Izquierda Socialista e a UIT-CI sustentaram sobre os enfrentamentos entre Estados Unidos e China que não viam que fosse uma guerra e no central ambas potências tinham o interesse comum de explorar cada vez mais aos trabalhadores.

Depois indicaram que não descartavam que pudesse haver enfrentamentos militares entre estes países, porém, ao serem ambos capitalistas não tinham contradições estruturais entre eles e que o que viam de perigoso era a quem estabeleciam a China e Russia colocando-os como progressistas diante dos Estados Unidos, já que isso podia levar a posições "campistas".

No nosso entendimento, e assim o colocamos na intervenção de fechamento, esta visão, se quisermos “harmonista”, das contradições entre Estados Unidos e China implicaria considerar que o capitalismo estaria em uma sorte de “superimperialismo” ou de “ultraimperialismo”, as visões que desenvolvem Kautsky e Hilferding depois que um ciclo de internacionalização das forças produtivas antecedeu o estouro da Primeira Guerra Mundial e que foram criticadas duramente por Lenin.

A “Globalização” capitalista que acompanhou ao neoliberalismo e a saída transitória de Estados Unidos com uma potência sem desafiantes ao final da Guerra Fria e a implosão da União Soviética, também criou a ilusão da superação das contradições entre os diferentes Estados imperialistas.

Uma multidão de teóricos, à esquerda e à direita, sustentaram a falsa visão do fim dos Estados nacionais (recordemos o “Império” de Tony Negri e Michael Hardt como um texto emblemático desta ideia) e a ideia de uma cooperação virtuosa entre Estados Unidos e China que havia chegado para ficar praticamente até a eternidade.

É claro que nesse período ocorreu uma integração das cadeias de valor na produção assim como do comércio e as finanças mundiais inéditas na história do capitalismo.
Porém a crise de 2008 rompeu o consenso globalizador neoliberal. Trump e a política crescente anti-China de toda a classe dominante estadunidense são filhos diretos dessa crise.

O Pentágono já sinalizou no ano passado a China e Rússia como as duas principais ameaças para a segurança nacional estadunidense, deixando muito atrás as chamadas “novas ameaças”, como o “narcotráfico” e o “terrorismo internacional”, que haviam ocupado o centro da agenda na etapa anterior, especialmente desde o atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, e que operaram como justificativa para as guerras imperialistas no Afeganistão e Iraque.

Já a ofensiva de Bush e os “neocon” impulsionando as “mudanças de regime” e a “construção de nações” no Meio Oriente, o Golfo e os territórios da ex-URSS expressavam um giro a respeito das “intervenções humanitárias” que caracterizaram a política imperialista estadunidense nos anos de Clinton, porém sem confrontar com China.

Obama, com o impulso ao projeto do Tratado transpacífico para rodear e isolar economicamente de forma gradual a China, foi uma transição para o que com Trump se transformou em um salto qualitativo nos enfrentamentos comerciais e pelo controle do mercado da “high technology” e a “inteligência artificial”, junto com choques diplomáticos diversos e maiores destacamentos militares no território que rodeia ao Mar da China por parte dos Estados Unidos e seus aliados.

A verdade é que Estados Unidos, apesar de recuperações transitórias, não conseguiu frear as tendências a sua decadência e que China, lenta porém sustentadamente, aparece como um competidor geopolítico e econômico cada vez mais preocupante para os ianques, ainda que em quase todos os terrenos a nação herdeira do “Império do Médio” esteja muito atrás dos resultados estadunidenses.

A agressividade norteamericana não é porque a China tenha um poder similar ao seu, mas sim para golpear antes que siga crescendo e conseguindo mais influência econômica e política no terreno internacional.

É esta contradição estrutural que apresenta um horizonte possível de agravamento dos enfrentamentos comerciais, guerras por procuração e ainda guerras quentes entre os Estados.

Isto significa que as tendências à guerra são já o elemento mais dinâmico da situação internacional? No nosso entendimento, não neste momento. A dinâmica deste enfrentamento depende de numerosos fatores, inclusive de como se desenvolva a crise econômica atual.

Porém metodologicamente, acreditamos que temos que atuar como fez Trotsky entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, quando apontava o caráter estratégico do antagonismo que estava se desenvolvendo entre Estados Unidos e Europa. Estas contradições se potencializaram com a crise de ’30. Trotsky particularmente trata o tema em quatro artigos e manifestos, de 1930, 1934, 1937 e o último de 1940.

Como ele então, temos que apontar com clareza estratégica que se um conjunto de revoluções socialistas vitoriosas não o impedem, o capitalismo produzirá grandes guerras tanto ou mais catastróficas neste século XXI como as que a humanidade viveu no século XX. Nossa época segue sendo de “crises, guerras e revoluções”, não só de crises e revoluções”.

O PO por sua vez tende a colocar uma visão de guerra praticamente iminente, que não parece ser o mais provável, e que pode levar a justificar acordos com setores estalinistas que, por suas diferenças com Estados Unidos, sustenta posições “campistas” que vêem como progressistas o Estado russo ou o chinês, como já ocorreu com o Partido dos Comunistas Unificados da Russia, uma organização que reivindica a Stalin e que tem boas relações com Putin e com a qual o PO, previamente à ruptura com Altamira, veio participando em eventos internacionais comuns, como a Conferência realizada em Buenos Aires em abril de 2018. Não sabemos se a atual direção do PO segue reivindicando isso, mas não vimos crítica pública sobre essa política até o momento.

Em sua página da web é possível ver a intervenção da dirigente dessa organização, Darya Mitina, na dita conferência, da qual reiteramos, não vimos novas críticas. E isso pode abonar a insistência do PO em considerar incompleto o processo de restauração capitalista na China e Russia, mesclando a possibilidade de sua semi colonização com seu caráter social. Sobre a Russia acreditamos que ninguém pode afirmar seriamente que não seja um Estado capitalista com todas as letras já há muitos anos.

Na China, onde o fato de que o Partido Comunista sempre manteve o poder pode levar a confusão, o processo de restauração teve outra dinâmica, ligado a penetração do capital internacional no país e a associação crescente entre a burocracia e a nova burguesia chinesa que, longe de ter contradições centrais com a burocracia, se apoia nela para seguir se desenvolvendo.

Nas fileiras do Partido Comunista Chinês, estão alguns dos empresários mais importantes do país, alguns deles verdadeiros mega milionários. Ainda que áreas da economia e a propriedade agrária sigam sendo predominantemente estatais, é a busca do lucro capitalista e não a planificação o que explica o movimento da economia. O sistema de saúde, por exemplo, se encontra em grande medida mercantilizado, como evidenciou a crise inicial do coronavírus em Wuhan.

Além disso, a China tem traços imperialistas em suas relações com distintas nações, fundamentalmente com a África. Isso, entretanto, não implica que definamos a China como mais um país imperialista ou que defendamos que em caso de guerra com os Estados Unidos a posição deva ser de “derrotismo” de ambos os lados por igual, mas deverá ver-se o enfrentamento concreto [2].

Outro debate ocorreu em torno da consigna de “Fora Trump” apresentada pelo PO, que Jimena Vergara do Left Voice respondeu esclarecendo que a atual situação de corrida eleitoral aberta e de pressão para o apoio como “mal menor” a candidatura democrata de Joe Biden não servia para enfrentar essas ilusões.

No nosso entendimento, tem o mesmo problema da consigna “Fora Macri” levantada por Altamira em pleno processo eleitoral argentino em 2019, onde se deixava de lado a crítica a oposição peronista que se postulava destacadamente como hoje o “Fora Trump” deixa fora o Partido Democrata, cujo papel está claramente denunciado no documento que convocou a Conferência Virtual.

É certo que os Estados Unidos vem de um processo de rebelião popular e continuam desenvolvendo-se mobilizações. Porém, a posição do PO é a de que a mobilização tem uma intensidade tal que coloca diretamente a queda do governo e o boicote aberto ao processo eleitoral? Se não fosse assim, e acreditamos que qualquer observador sensato diria que não é, a consigna apresentada pelos companheiros não enfrenta a política de renovação do regime imperialista com a candidatura de Biden e a volta dos democratas ao governo.

No debate um dos oradores do PO pretendeu ligar nossa crítica a esta consigna com uma suposta oposição nossa a propor a queda do governo na França ou em outros países latino-americanos, algo totalmente falso, já que sustentamos o “Macron demissão” tanto na luta dos “Coletes Amarelos” como no enfrentamento a reforma do sistema de aposentadorias. E o mesmo no Equador frente a rebelião contra Lenin Moreno ou no Chile contra Piñera. Fazer amálgamas e mentir sobre as posições do outro não colabora para a clarificação das diferenças.

Por último, neste bloco não queríamos deixar de mencionar o assunto do apoio as greves e sindicatos policiais. Desde a FT-QI defendemos em várias intervenções como atualmente nos Estados Unidos há um movimento dos setores combativos da classe trabalhadora pela expulsão dos sindicatos policiais, que são quem organiza a defesa dos policiais acusados de “gatilho fácil” e corrupção, da AFL-CIO e as organizações operárias. Para nós este movimento sinaliza com clareza o caráter dos sindicatos policiais e como não tem nada de progressistas para o movimento operário. Apesar da nossa insistência, já que foi um ponto de diferença importante tanto no Brasil e Argentina com a UIT-QI e a LIS, assim como o PSTU e a LIT-QI, nenhuma outra organização o mencionou.

COMO ATUAR FRENTE AOS GOLPES E PROTESTOS DA DIREITA?

Outro debate se deu acerca da política frente aos golpes e levantamentos da direta diante de governos “nacionais e populares”. Na intervenção de abertura da Plenária final, colocamos que “para nós não se pode superar as direções nacionais e populares ou centro-esquerdistas a partir de misturar bandeiras com a direita. Nem o autoritarismo de Maduro nem as críticas a Evo Morales podem justificar marchar junto com Guaidó e as distintas variantes da direita venezuelana ou com os golpistas bolivianos, considerando ‘rebeliões populares’ levantamentos promovidos pela direita e o imperialismo.

É uma posição liberal, democratizante, não marxista. A mesma situação se deu no Brasil: a oposição ao ajuste de Dilma e ao governo do PT não podia justificar validar o golpe institucional no Brasil ou a proscrição e o encarceramento de Lula, em base a operação Lava Jato, deflagrada pelo imperialismo estadunidense”. Este debate desenvolvemos em particular com as organizações que são parte da UIT-CI na Venezuela, Bolívia e Brasil.

Na Venezuela, mesmo que tanto José Bodas como Miguel Hernández do Partido Socialismo e Liberdade sinalizaram que eles não estavam misturando bandeiras com a direita e que estavam contra as agressões do imperialismo, o certo é que Simón Porras qualificou como uma “rebelião popular” o levantamento deflagrado pela direita em 2017.

Mais estrategicamente, Ángel Arias da LTS venezuelana colocou como tanto no caso do atual PSL como no da Marea Socialista (integrante nesse caso da LIS) passaram de um embelezamento do chavismo (Marea Socialista inclusive foi parte orgânica do governo do Partido Socialista Unido de Venezuela - PSUV) a não se diferenciar consequentemente da direita (no caso do PSL, mantendo acordos sindicais com setores que respondem ao títere do imperialismo, Juan Guaidó) ou a se apresentar como “chavismo crítico”.

Dessa vez fez um chamado “a um reagrupamento das forças da esquerda anticapitalista e socialista, de quem resiste a desmoralização, aos cantos pseudo-democráticos da direita pró-imperialista e aqueles que estão abertos a superar pela esquerda o chavismo”.

No caso da Bolívia, o representante da Alternativa Revolucionaria del Pueblo Trabajador (ARPT), a seção local da UIT-CI, defendeu equiparar o governo golpista de Añez com o MAS de Evo Morales, algo congruente com sua neutralidade inicial frente ao golpe de Añez e Camacho. Esta posição os coloca completamente por fora dos processos que se estão dando de luta contra a nova postergação do processo eleitoral, um mecanismo do governo para se perpetuar no poder quando as pesquisas lhes vêm dando as costas.

Criticar duramente o papel do MAS e seu papel desmobilizador (que votou no Parlamento a aceitação da renúncia de Evo Morales ao invés de a rechaçar quando a resistência estava em seu ponto mais alto), e manter completa independência dessa organização, de nenhuma maneira pode levar a colocar um sinal de igual entre o governo golpista, racista e pró-imperialista de Añez, surgido justamente de um golpe de estado, e o Parlamento advindo da eleição anterior com o apoio majoritário de operários e camponeses. “Fora Añez e o Parlamento. Que se vão todos juntos”, disseram na capa do periódico Fuerza N° 60 del 28-05-2020, da ARPT. Uma política completamente democratizante, que leva a não enfrentar o governo golpista.

Por último, no caso do Brasil, os fatos nos deram a razão quando denunciamos tanto o impeachment contra Dilma como a operação Lava Jato como parte de una política orquestrada desde o imperialismo. Avaliar que não houve golpe de nenhum tipo no Brasil quando se destituiu Rousseff e, logo, colocar “prisão à Lula e a todos os corruptos” em coro com Sergio Moro e toda a direita, como fez a CST (UIT-CI), apenas favoreceu a aplicação de uma política que terminou levando Bolsonaro ao governo.

Por vez, nesse momento, os companheiros do MST estavam em um agrupamento comum com o MES, que teve uma política similar, sem que tenha sido este o ponto de sua ruptura (na realidade a explicação da ruptura tinha que ver se os partidos amplos são uma táctica ou uma estratégia, porém não sobre a política no Brasil).

Hoje a luta contra o governo de Bolsonaro se trata de não cair na armadilha do impeachment que colocaria no poder o governo do General Mourão. Se trata de ir contra Bolsonaro-Mourão e todo o regime golpista e batalhar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, como colocou Diana Assunção em sua intervenção, chamando tanto o Bloco de Esquerda do PSOL como o PSTU a um reagrupamento diante dessa política.

Não está certo o que diz a Izquierda Socialista em seu balanço de que nós os criticamos centralmente por estar dentro do PSOL (essa é a crítica fora de tempo e lugar do PO, não nossa). Em nosso caso, o questionamento fundamental é pela política que levantaram e levantam.

UMA ESTRATÉGIA NÃO CORPORATIVA PARA O MOVIMENTO OPERÁRIO

No caso do movimento operário latino-americano, desde as intervenções da FT-QI, colocamos em base a nossa própria experiência alguns dos pontos centrais que acreditamos estar em debate. Nesse sentido apontaram as intervenções tanto de Lester Calderón do PTR chileno e da confederação metalúrgica desse país e de Claudio Dellecarbonara, dirigente da minoria do sindicato do metrô e atualmente deputado provincial na Província de Buenos Aires pelo PTS.

Lester sintetizou a experiência desenvolvida em Antofagasta durante todo o processo da rebelião chilena, que incluiu colocar em pé um organismo de agrupamento da vanguarda, o Comitê de Emergência e Resguardo, a aliança com os moradores pobres e a imposição da frente única operária à condução burocrática da CUT em distintas oportunidades. Dellecarbonara apresentou como no PTS, onde dirigentes muito importantes saídos do movimento operário ocuparam e ocupam cadeiras legislativas conquistadas pela Frente de Esquerda em legislaturas e conselhos deliberativos, a estratégia é atuar como “tribuno do povo” e não como meros dirigentes sindicais ou parlamentares.

Na Plenária de sábado Jorge Medina, da fábrica sob gestão operária Madygraf e também membro da Direção Nacional do PTS, apontou a contradição entre a defesa da democracia sindical que as distintas correntes defendem de palavra e a ausência de toda política para modificar os estatutos dos sindicatos, garantindo entre outros pontos a representação das minorias, quando se está em postos de direção, como ocorre na SUTNA na Argentina. Pelo contrário, esse foi o exemplo que deu o Sindicato de Trabalhadores e Empregados Ceramistas de Neuquén logo quando foi recuperado da burocracia sindical a partir de uma grande luta em Zanon.

“FRENTES AMPLAS” E “PARTIDOS AMPLOS ANTICAPITALISTAS”

Talvez um dos debates mais importantes que ocorreram na conferência é sobre que táticas são lícitas para o desenvolvimento de partidos revolucionários. Uma primeira diferença nós temos com quem considera que pode se defender a independência de classe integrando frentes ou partidos de carácter centro-esquerdista ou frente-populista, que a negam explicitamente, como hoje é a Frente Ampla do Peru ou como em dado momento foram o Proyecto Sur ou o partido de Luis Juez na Argentina. O primeiro, participou a UNIOS, o grupo peruano da UIT-CI. No segundo, o MST.

A IS nos acusou de sectários pela suposta contradição entre impulsionar a FIT-U na Argentina, que se pronuncia pela independência de classe e a perspectiva de um governo de trabalhadores, e participar em uma frente de centro-esquerda como a FA do Peru, que segundo seu programa luta por um “bom governo” e “contra a corrupção”. IS justificou sua política argumentando que a FA agrupa o “melhor do progressismo” peruano. E reafirmou estar “orgulhosa” de seu pertencimento a essa coalizão política, que entre outras coisas chamou em 2016 a votar no segundo turno em Pedro Pablo Kucinsky, o equivalente a um Macri do Peru, como mal menor frente a Keiko Fujimori.

Onde está a independência de classe? Como podem ajudar a impulsionar a FA, que tem uma direção conjunta encabeçada por Marco Arana, esquecendo a crítica a sua política e sua condução, em direção à construção de um partido revolucionário? Na Argentina, a Izquierda Socialista criticou o MST por participar de frentes de centro-esquerda e sustentava que isso era um limite para uma política de alianças. No Peru, ao contrário, a UIT-CI justifica ter adotado a política que questionava o MST igual que ao que dizia este: “é tático”.

O PO, por sua vez, diz ser equivalente a participação em frentes de centro-esquerda, opostas à luta pela independência de classes, com ter tácticas de intervenção nos chamados “partidos anticapitalistas amplos”, não sempre e em qualquer circunstância, senão analisando cada situação concreta e filtrando de forma clara os limites de classe (por exemplo, se esses partidos assumem ou não responsabilidades executivas ou se integram plenamente em frentes populares), em particular sobre o PSOL no Brasil e sobre o Novo Partido Anticapitalista (NPA) na França. Já que o PO não possui nenhuma intervenção concreta nesses países, declamar que “há que construir partidos revolucionários” parece suficiente.

Porém ninguém que milita no Brasil ou na França, e que lhe interesse incidir nos reagrupamentos da vanguarda de esquerda, pode evitar colocar-se seriamente a ter uma política ativa para esses partidos que, por outro lado, tampouco são equiparáveis entre si.

Ter participado desde o início no NPA porém lutando para que esta organização lute por construir um partido revolucionário da classe trabalhadora, em base a uma intervenção ativa nos processos de intensa luta de classes que tem passado a nação europeia, junto com o desenvolvimento audaz do Révolution Permanente - é o que tem permitido o fortalecimento de nossos companheiros da CCR e do conjunto da esquerda do partido, ao ponto de que a direção proveniente da maioria da antiga Liga Comunista Revolucionária ameaça implodir o partido. As batalhas dadas tem permitido que se integrem à CCR dirigentes da vanguarda operária como Anasse Kazib, um dos principais referentes da luta contra a reforma das pensões [3].

A outra crítica que nos faz o PO é por nossa política no Brasil para com o PSOL. O PO confunde, na realidade, duas políticas. Uma é o pedido de entrada que fez o MRT ao PSOL em duas ocasiões: logo do levantamento de junho de 2013 – quando o PSOL havia se colocado claramente como a referência à esquerda do governo do PT; e depois do golpe de estado contra Dilma para lutar contra o regime golpista.

A outra política são as candidaturas democráticas (que também em outras ocasiões temos pedido ao PSTU) que como seu nome indica, não implicam em compromisso com a política partidária, algo que em um país onde a legislação eleitoral é profundamente proscrita, é o que permite apresentar candidaturas, chamar a votar por elas (se vota em cada candidato, não “pela lista” como na Argentina) e participar na campanha eleitoral com nossa própria política. Por isso, não demos nenhum apoio a candidaturas como a de Erundina em São Paulo, e outras que sem ser tão conhecidas, estavam relacionadas com as políticas mais de direita do PSOL. Por sua vez, não apresentamos nem sequer uma candidatura nos estados nos quais o PSOL realizou coalizões com partidos burgueses.

O MRT pediu entrado no PSOL para dar uma luta política contra as alas abertamente oportunistas desse partido, que hoje tratam de confluir com o PT e outras forças alheias à classe trabalhadora em uma espécie de frente “anti-Bolsonaro”. Essa e não outra é a razão pela qual a direção do PSOL se negou a permitir nossa entrada, mostrando que é mesmo um “partido amplo” para oportunistas vários grupos sem influência, porém não para os revolucionários que lutam consequentemente por sua estratégia. A direção do PSOL sabia que teria que lidar e responder ao questionamento público do MRT que, através do Esquerda Diário, iria chegar a centenas de milhares.

Por último, houve também uma discussão sobre como avançar até a construção de um partido revolucionário nos Estados Unidos, como o MST e a LIS insistiram de que não se podia fazer sem se comprometer ativamente no DSA. Porém, se está correto que um diálogo com os militantes e simpatizantes do DSA é fundamental, sua também é verdade que sua direção possui como centro impulsionar candidaturas principalmente dentro do Partido Democrata, questão que não pode ser esquecida como faz levianamente o MST. Os companheiros da LIS farão campanha pelos candidatos do DSA que vão na lista do Partido Democrata? Ademais, existe uma ampla vanguarda que se desenvolveu logo do assassinato de George Floyd e que questiona o DSA desde a esquerda por diluir as críticas ao racismo estrutural que caracteriza o capitalismo imperialista estadunidense.

Tanto Jimena Vergara como Julia Wallace do Left Voice defenderam como vem sustentando, junto com a intervenção ativa na rebelião popular contra o racismo e a violência policial, a necessidade de lutar contra o apoio do DSA às candidaturas dentro do Partido Democrata, chamando a sua militância a plantear a luta por um terceiro partido que seja da classe trabalhadora e lute pelo socialismo. O Left Voice, que tem ganhado um lugar na vanguarda de luta estadunidense, atenderá prontamente à sua primeira conferência nacional.

Para fazer avançar o programa revolucionário, organizar a vanguarda e abrir um caminho até o movimento de massas é indispensável a intransigência estratégica e também a audácia para aplicar variantes tácticas, como aconselhou Trotsky aos revolucionários na França, Espanha e em particular do SWP norte-americano, que discutiu uma bateria de iniciativas tácticas que incluíam entre outras a fusão que levou à formação do Workers Party, o entrismo no PS, a moção especial do Partido de Trabalhadores que se colocou nos debates sobre o Programa de Transição e o apoio à candidatura presidencial do PC.

Os que se adaptam as direções oportunistas e centristas, questionam a intransigência estratégica e por essa via se liquidam como revolucionários. Porém os que se negam a ter tácticas e sustentam uma posição auto-proclamatória e estéril, se abstêm da luta política necessária para ganhar os setores mais de esquerda, organizados nos “partidos centristas”, para uma perspectiva revolucionária.

AS VIAS PARA A RECONSTRUÇÃO DA IV INTERNACIONAL

Ligado ao tema das tácticas a se desenvolver para avançar até a construção de partidos revolucionários, se deu também a discussão das vias para avançar na reconstrução da IV Internacional. Devemos assinalar que o PTS batalhou para incluir este ponto na declaração de convocatória, questão que não aceitada pelo Partido Obrero, colocando que isso não era parte do programa da FIT-U.

Sobre esse ponto, como afirmou Nicolás Del Caño em sua intervenção de encerramento antes da votação das Resoluções, os “companheiros do PO colocam que reivindicam o método que levaram adiante na CRCI. Mas esta organização se dissolveu e não temos visto nenhum balanço das causas que a fizeram fracassar.

Ao nosso entender, nenhuma internacional pode se constituir em base a quatro pontos gerais”. Já no passado se separou da CRCI o atual Partido da Causa Operária do Brasil, ligada por muitos anos ao PO, sem que tampouco estivessem claros os motivos políticos de tal ruptura. Logo esta organização avançou a uma posição de completo seguidismo ao PT.

O certo é que a CRCI nunca teve uma existência real como uma tendência comum e arrastava uma larga crise previamente da ruptura de Altamira com a direção atual do PO, que não logrou arrastrar ao seu lado nenhuma das organizações com as quais vinha compartilhando um agrupamento laxo e de acordos programáticos muito limitados.

Agora o PO apresentou em comum um texto sobre América Latina junto a outras organizações que participaram da Conferência, das quais a maioria são grupos incipientes sem publicações regulares e a maioria sem sequer possui páginas web (apenas contam com página web o GAR mexicano e a Juventud Obrera da Costa Rica). Daí que nas três mesas debates todos os seis oradores que correspondiam a cada organização ou tendência internacional convocadas foram do PO argentino, e na plenária do sábado, sete de treze, incluindo se contamos como distintos o Partido e o Polo Obrero e as e os companheiros da Agrupación de Trabajadores Bolivianos, que residem na Argentina. Nesse sentido pode se fazer um balanço a respeito da política acerca da reconstrução da IV Internacional defendidas pelo PO e pelo PTS.

Enquanto a situação do PO é a que acabamos de apontar (isto é, uma primeira declaração assinada com grupos iniciais após a dissolução do CRCI sem clareza das diferenças políticas que o motivaram), a FT-QI, sendo ainda uma organização pequena, é hoje uma das tendências mais dinâmicas do movimento trotskista em nível internacional. Isso não surgiu do nada, mas sim de uma dedicação teórica e prática permanente, que inclui a publicação de mais de 25 livros de autoria própria sobre temas centrais da teoria marxista, estratégia e tática em nosso tempo, teses programáticas fundamentais dos diferentes grupos, táticas particulares articuladas à realidade da luta de classes de cada país, junto com o impulso da Rede Internacional La Izquierda Diario. Este último, longe de se constituir em jornais meramente informativos, como quer crer o PO, não só desempenhou um papel, como assinalamos, em cada importante processo de luta ocorrido nos países onde estamos presentes, como também o fez, na melhor tradição leninista, combinando informação e assumindo uma posição política e teórica.

A FT-QI não se constitui a partir de acordos diplomáticos ou muito gerais, mas sim, como assinalou Del Caño, “o método de nos unirmos compartilhando um programa e tirando lições revolucionárias dos elementos mais candentes da luta de classes, que a nosso ver é o caminho com que Trotsky estava dando passos para a fundação da Quarta Internacional ”.

Porque isso é claro para nós: não acreditamos que a reconstrução da Quarta Internacional seja um processo de crescimento evolutivo da FT-QI, mas que estará ligada a fusões e rupturas, dependendo dos processos reais que estão ocorrendo na luta de classes. É por isso que tudo o que a nossa tendência acumula está a serviço de avançar nesse objetivo, na reconstrução do Partido Mundial da Revolução Social, a Quarta Internacional.

Em relação ao MST e ao LIS, Alejandro Bodart utilizou o argumento da existência de tradições diversas para justificar acordos programáticos frouxos, que deixam espaço para qualquer tipo de tática, onde a “flexibilidade tática” é esticada para permitir a entrada de movimentos políticos claramente centro-esquerdistas.

Não esqueçamos que o MST da Argentina, quando da organização da FIT, fazia parte do Proyecto Sur com Pino Solanas (hoje embaixador do governo Alberto Fernández na França) e do partido de Luis Juez (hoje deputado nacional pelo macrismo!). Cordova. Quando fazia parte do SU, que rejeita a estratégia de construção de partidos revolucionários, comemorou o triunfo do Syriza na Grécia, pouco antes dos ajustes brutais ao povo. Na época, eles se iludiram com a ideia de uma “nova esquerda”, “que deixaria para trás os dogmas do passado”.

O fracasso na busca por esses atalhos levou o MST a propor o ingresso na FIT no ano passado, algo que comemoramos por nos permitir fortalecer o pólo de independência de classe que vimos estabelecendo desde 2011. Mas assim como o PO não o fez com o CRCI, não vimos um balanço público do MST em relação a essas experiências. E, como diz o ditado, quem não aprende com os erros está predisposto a repeti-los.

Por fim, os camaradas da Izquierda Socialista e da UIT-CI insistiram na proposta de uma Frente Revolucionária Unida em nível internacional, ressaltando que se dirigiam não só a organizações oriundas do trotskismo, mas também a outras tradições. A FUR foi uma tática proposta na época por Nahuel Moreno que, logo após a fundação do LIT-CI em 1982, levou a acordos totalmente oportunistas na Colômbia e no México que explodiram logo após se concretizar.

O problema não é “ideológico”, considerar-se ou não trotskista, senão político e programático. Os acordos tipo FUR que defendiam Moreno são muito mínimos como para conformar una base estratégica e programática sólida para avançar na reconstrução da IV Internacional.

IMPULSIONAR AS RESOLUÇÕES VOTADAS

O fato de que essas e outras diferenças poderiam ser debatidas na Conferência (mas em muitos casos parcialmente) acreditamos que é parte do que deve ser valorizado da mesma, já que a deliberação foi acompanhada de textos programáticos muito progressivos e no impulso de ações comuns, que todas as organizações temos que garantir de serem levadas adiante.

Lamentavelmente os companheiros do MST e da LIS não estiveram de acordo que saísse como resolução da Conferência impulsionar um Boletim em comum onde se continuem os debates realizados, como propôs o PTS e a FT-QI, algo que também se tinha acordo com o PO e com a IS-UIT-CI. Esta proposta continuaremos defendendo na Mesa Nacional da FIT-U. Por sua vez, dia 21 de agosto vamos realizar uma mesa-debate como homenagem a Leon Trotsky ao completar 80 anos de seu assassinato pelas mãos do stalinismo, onde estará presente novamente o debate a respeito das vias para avançar na reconstrução da IV Internacional, tarefa estratégica que a crise em curso coloca mais urgente que nunca.

NOTAS

[1] Sobre isso ver: Révolution Parmanente, um meio militante em ascenso”, a tradução do artigo publicado em Arrêt sur images. Um dos exemplos do papel do RP no artigo é eloqüente sobre seu papel na luta de classes e sua valorização do ativismo operário: “Antes do início do movimento social, o site de informação falava dos problemas de Ahmed Berrahal, maquinista e militante da CGT na RATP. Como membro do comitê de saúde, segurança e condições de trabalho, havia revisado os micros que saiam do depósito de Belliard no distrito 18 e descobriu que 70% dos veículos não cumpriam normas de Segurança. Um controle ao qual respondeu a gerência da RATP... convocando ao empregado e ameaçando-o com demissão. ‘Havia falado da minha situação no Facebook’, disse Berrahal a Arrêt sur images (ASI). ‘Flora Carpentier o viu e me chamou por esse tema. Nesse momento, eu não conhecia o RP. Porém seguindo seus artigos que fizeram sobre meu caso e o estado dos ônibus, os grandes meios vieram nos ver ou falaram sobre a situação [Francia 3, L’Humanité, Ouest-France, BFMTV por exemplo]. Inclusive o primeiro adjunto do prefeito de Paris teve que reagir’.Ao final, enquanto Ahmed Berrahal se arriscava a ser demitido, so deram um dia de suspensão. ‘Graças ao alvoroço midiático causado por Révolution Permanente, a RATP já não podia sancionar-me’, disse o sindicalista, que por isso se converteu em um incondicional do site. ‘Os jornalistas do Révolution Permanente estão nos piquetes conosco desde as 4 da manhã, sem que lhes paguem estão quase mais motivados que nós!’, continua Berrahal. ‘Também são os que aconselharam impulsionar um fundo de greve de nosso depósito, assegurando-nos que iam difundi-lo. Desde então, arrecadamos 50.000 euros!’. Para Berrahal, RP é uma nova ferramenta que permite ter rapidamente informação sobre o conjunto da luta. ‘Nos anteriores movimentos sociais, realmente não sabíamos o que estava ocorrendo em outros lugares’. Uma ferramenta cuja eficácia se mede segundo ele pela exasperação que suscita na direção dos depósitos da RATP. ‘Eles já não suportam ver gente do RP todas as manhãs no piquete’”. Disponível em http://www.laizquierdadiario.com/Francia-Revolution-Permanente-un-medio-militante-en-ascenso.

[2] Na FT-QI estamos desenvolvendo uma discussão a cerca do caráter específico da formação social chinesa na atualidade, partindo que não nos parece, a princípio, que o processo de restauração capitalista siga sem conclusão.

[3] Entre muitas outras sobre o papel cumprido por Anasse Kazib é possível ver essa nota do diário Libértation: “Das assembléias à TV, as novas caras da mobilização, disponível em https://www.laizquierdadiario.com/Liberation-De-las-asambleas-a-la-TV-las-nuevas-caras-de-la-movilizacion. A nota completa em Francês em https://www.liberation.fr/france/2020/01/13/des-ag-a-la-tele-les-nouveaux-visages-de-la-mobilisation_1772826




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