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MOVIMENTO ESTUDANTIL | Jornada de lutas da UNE

A reunião organizada no último dia 20 poderia ser um pontapé para reerguermos o movimento estudantil nacional depois de um ano de pandemia e ensino remoto. Mesmo sem haver construção entre as bases dos estudantes, o que impediu uma participação mais ampla do corpo estudantil das universidades, o encontro contou com mais de 500 representantes de entidades estudantis que atuam ao redor do país. A potência que poderia ter um espaço como esse, entretanto, esbarra na política tirada.

Clara GomezEstudante | Faculdade de Educação da USP

domingo 21 de março | Edição do dia

Imagem: reprodução

Está sendo convocada pela UNE (União Nacional dos Estudantes) uma Jornada de Lutas no dia 30 de Março. Chamado feito pelas juventudes que compõem o PT e o PCdoB e acordado com a Oposição de Esquerda na Executiva Nacional da UNE, o dia de lutas se dará 6 dias depois da data de mobilização convocada pelas centrais sindicais, que será nesse dia 24, uma jornada que poderia ser unificada para conseguir enfrentar com um punho só os ataques de Bolsonaro e todos os golpistas, que estão entregando milhares de vidas ao vírus e à fome, com colapso dos sistemas de saúde na maioria dos estados.

A situação nacional é extremamente grave e, partindo do papel que a juventude poderia cumprir frente a isso, seria fundamental a organização dos estudantes contra Bolsonaro e todos os atores do regime, diferente do que a UNE está fazendo. Mesmo com a data da Jornada convocada por ela se aproximando, não houve qualquer construção ampla pela entidade e pelas UEEs e sequer está sendo feito um debate sobre o Conune (Congresso da União Nacional dos Estudantes). Evento esse importante, que deveria ocorrer este ano para discutir sobre os rumos do movimento estudantil à luz dos principais fatos da política nacional e internacional e para votar a direção da entidade.

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Como parte da organização da Jornada, a UNE convocou uma reunião, em que foram feitos debates sobre a conjuntura política de barbárie em que estamos e, também, sobre o papel que o movimento estudantil poderia cumprir frente à crise em curso no país. O evento, que não foi construído amplamente pelas direções da entidade que são majoritariamente do PT, do PCdoB e do Levante, ainda assim contou com a presença de 500 representantes que compõem diferentes Centros Acadêmicos, DCEs, DAs e Uniões Estaduais ao redor do país. Ainda mais na situação de catástrofe sanitária e econômica em que estamos, a política levada adiante de maneira unificada por centenas de entidades em diferentes universidades, públicas e também privadas, poderia ser um ponto de partida importante para rearmar o movimento estudantil como ator na arena política nacional.

Como juventude Faísca Revolucionária, que compõe vários Centros Acadêmicos em distintas universidades do país, interviemos nesse sentido, ressaltando que Bolsonaro é responsável pelas milhares de mortes, com seu negacionismo, junto a Mourão, e agora se valem da Lei de Segurança Nacional, herança da ditadura, para perseguir estudantes, intelectuais e todos aqueles que o chamam de genocida. Mas também ressaltamos que Bolsonaro não é o único responsável, também o são os governadores, inclusive os do PT e PCdoB, que oferecem somente medidas repressivas, junto ao Congresso e ao Judiciário golpistas.

Confira a fala de Luno, militante da Faísca e membro do CaDi:

Partindo disso, propusemos uma ampla campanha que envolva as bases dos cursos pelo fim da Lei de Segurança Nacional, contra as perseguições políticas e pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Também defendemos que a organização dos estudantes, em aliança com os trabalhadores, com mulheres e negros à frente, é a única que pode arrancar um programa emergencial de combate à pandemia, enfrentar os ataques à educação, arrancar um auxílio emergencial digno e anular todas as reformas. Justamente por isso, questionamos: por que a UNE está convocando o dia 30, e as centrais, o dia 24? Por que não há organização pela base da nossa luta?

A separação da data de lutas de dois setores que têm sofrido diariamente com a pandemia e as medidas econômicas e de ataques aos direitos sociais é algo muito equivocado, sobretudo se analisarmos o papel que essa potente aliança pode cumprir como já vimos em outros momentos na história. Além disso, os setores que estão na direção da CUT, da CTB e da UNE são as mesmas organizações. Por que não unificar? Por que não concentrar forças?

Embora Iago Mantovão diga que a UNE vai construir ambas as datas, "focando" no dia 30, na realidade, o que está por trás dessa divisão é a lógica de construção de calendários por fora das bases de estudantes nos cursos e universidades. A UNE tem se limitado a ações midiáticas, de pressão institucional sobre o Congresso e STF golpistas, e não em de fato batalhar pelo ressurgimento do movimento estudantil nas universidades, tirando lições das lutas do Tsunami da Educação. Esses objetivos de pressão institucional estão em consonância com a linha política do PT de se alçar como "oposição responsável" por dentro desse regime do golpe, localizando-se como possível gestor de todos os ataques que já foram aprovados para 2022, o que se reforça com a reabilitação política de Lula. Essa é a estratégia meramente institucional que constrói a passividade nos sindicatos e entidades hoje para esperar as eleições, enquanto milhares de vidas são perdidas todos os dias, estudantes passam fome sem assistência estudantil e a juventude enfrenta a precarização do trabalho.

Pelo contrário, para haver unidade de fato desde agora, precisamos sair dos calendários de luta formais para construir de fato um plano de mobilização a partir de cada universidade e curso. Para isso, concentrar forças é fundamental. As Plenárias regionais precisam realmente ocorrer, sendo divulgadas amplamente, construídas nos cursos e batalhando para envolver os estudantes, mesmo no ensino remoto, para que haja verdadeiramente uma jornada de luta.

Abrimos esse debate principalmente com a Oposição de Esquerda da UNE, composta pelo PSOL (Afronte, Juntos, Rua, Manifesta), pela UP (Correnteza) e pelo PCB (MUP), para que sejam parte de construir a mobilização nos CAs e DCEs que atuam. Nessa reunião, além da nossa intervenção, não se expressou crítica alguma por parte da Oposição à política da direção majoritária da UNE. Pelo contrário, em nome de uma unidade que na prática impede a unificação real de trabalhadores e estudantes, nas bases dos locais de trabalho e estudo, a Oposição referendou essa política divisionista, ao mesmo tempo que não dirigiu qualquer crítica frente ao fato de que a Jornada de lutas não está sendo construída pela UNE. Nesse sentido, é fundamental que a Oposição sirva de exemplo e faça exigências à UNE, ao mesmo tempo que construa nos Centros Acadêmicos e DCEs onde atuam uma mobilização para esse dia, aliada aos trabalhadores.

Fazemos um chamado a uma política alternativa, aglutinando todas as forças da Oposição para desmascarar a política atual da UNE e exigir que de fato possamos unificar a juventude e os trabalhadores. Essa força unificada poderia arrancar testes massivos, vacinas com quebra de patentes, reconversão industrial, sob controle dos trabalhadores, para insumos em combate à pandemia, assim como anular as reformas, barrar os cortes na educação e arrancar a assistência estudantil.

Mas, mais do que isso, poderia apontar a um enfrentamento de conjunto contra o regime, seu autoritarismo expresso na Lei de Segurança Nacional, e suas medidas econômicas, a partir de levantar a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Ao contrário do impeachment, defendido pela maioria das organizações presentes, que colocaria Mourão na presidência e não tocaria em nenhuma das heranças do golpe, precisamos de um programa que de fato enfrente todos os atores golpistas que vieram atacando nossas vidas. Só assim podemos fazer com que sejam os capitalistas a pagarem pela crise.

Pela unificação das jornadas de luta chamadas pela UNE e Centrais Sindicais! Não é o momento de dividir!

Por uma campanha nacional construída desde as bases contra a reacionária LSN, que persegue aqueles que lutam!

Fora Bolsonaro e Mourão! Contra as intervenções nas universidades!




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