1 ANO DO GOLPE

Um ano do golpe: lamaçal de corruptos, ofensiva contra trabalhadores e trégua das centrais

Há um ano, quando o Golpe foi vitorioso na Câmara, mostrando sua cara reacionária ao fazer a dupla Temer e Cunha alcançar o poder com apoio da FIESP e da Globo, já apontávamos que o alvo do golpe institucional era atacar os direitos dos trabalhadores, denunciando a trégua das centrais sindicais com os golpistas ao insistirem em não organizar de fato a resistência dos trabalhadores em troca de um clima favorável ao ‘projeto Lula-2018’.

Raphael Mouro

Twitter: @Mouro_77

terça-feira 18 de abril| Edição do dia

Foi no fatídico 17 de abril de 2016, quando centenas de deputados, donos de intermináveis privilégios e denunciados (alguns, como Cunha, já até condenados) por corrupção e diversos outros crimes, sequestraram a vontade de milhões de votantes para impor um rumo ao país ainda mais reacionário do que o que já vinha sendo implementado pelos ajustes de Dilma. Hoje, um ano depois, o projeto de ataques está evidenciado com as reformas da previdência, trabalhista, PL de terceirização, privatizações e entrega das estatais, aeroportos e até dos recursos naturais ao capital estrangeiro.

Da alta cúpula do governo Temer, passando por Aécio, Cunha, até MBL: de um ano pra cá, a ficha criminal da direita golpista só aumentou

Se lembrarmos das declarações de votos dos deputados na Câmara em defesa do impeachment, recordaremos o banho de reacionarismo, que foi desde a defesa da polícia militar, Forças Armadas, defesa de coronéis que mataram e torturaram na ditadura, até a defesa da família tradicional brasileira, em nome de Deus e pela “revolução de 64”. Quase todos se unificavam no discurso da moralização e busca hipócrita da “ética na política”. Ao mesmo tempo, aqueles deputados reafirmavam a moral conservadora e burguesa contra os direitos das mulheres, negros, juventude e LGBTs.

Mas, para além do discurso retrógado, o que também os unifica é a hipocrisia da autoproclamação de baluartes da luta contra a corrupção dos governos Lula e Dilma, estando eles mesmos envolvidos em mil laços nas mesmas relações escusas com empreiteiras e desvios de verbas públicas, caixa 2, lavagem de dinheiro, trafico de influência etc.

O ex-presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, logo após ter cumprido seu papel de golpista renegado, foi um dos primeiros a ser rifado pelos seus, e é hoje condenado a 15 anos de prisão.

Mas o mais simbólico da composição do governo golpista foram os 9 ministros de Temer, 24 senadores, 42 deputados e 3 governadores indiciados na lista do Ministro do STF Edison Fachin, abrindo novos inquéritos na operação Lava Jato com base nas delações dos executivos da Odebrecht, e deixando claro que entre os partidos da ordem – que governam a serviço dos capitalistas e são parte do regime político apodrecido – não se salva nenhum!

Também o PSDB de Alckmin e Aécio, rei das citações na Lava Jato, esteve no cerne da lista, sendo citado novamente por delatores da Odebrecht, fazendo com que o partido já não possa surfar tanto da onda de “moralização da política”.

O “satélite” dos golpistas, conhecido como MBL, que ajudou a mobilizar a expressão da direita nas ruas a favor do golpe – e inclusive pela intervenção militar –, viu sua máscara cair ao serem revelados também os podres da sua coligação, e principalmente a prática de Caixa 2 na eleição do vereador de São Paulo e líder reacionário do MBL, Fernando Holiday.

Os crimes dos políticos do PSDB, PMDB e seus sócios menores, todos a serviço dos patrões através dos esquemas de corrupção e propinas da Odebrecht, são apenas uma pequena amostra de que, no capitalismo e no regime político que serve a esse sistema, a regra é essa.

Não podemos esquecer que o PT, em todos os seus 14 anos de governo, sempre esteve em aliança com esses setores, abrindo espaço para o avanço desta direita e negociando com os direitos democráticos dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e LGBTs. A direita nunca foi combatida pelo PT, e muitos dos votos pró-impeachment e dos discursos reacionários vieram de ex-aliados do PT, como o PSC, de Marco Feliciano, que chegou a ser presidente da Comissão de Direitos Humanos com apoio do PT; o PP, de Maluf e o PSD, de Kassab.

Dentro das organizações de esquerda, o golpe institucional também foi um divisor de águas para alguns. O mais emblemático foi a crise do PSTU e a ruptura de militantes do partido em torno de posições politicas, que dentre outras, a polêmica acerca do impeachment e a posição escandalosa do partido em chamar o “Fora Todos Eles” – praticamente igualando as frações e interesses burgueses dos partidos da ordem que aplicavam os ataques – que acabou gerando uma crise sem precedentes e o surgimento do grupo MAIS.

Correntes do PSOL também se viram a deriva diante do golpe, porém foi o MES, corrente de Luciana Genro, que demonstrou um tímido – porém vergonhoso – golpismo, através da defesa do autoritarismo judiciário, exigindo o prosseguimento de um dos sustentáculos do golpe, a pró-imperialista Lava Jato, e apoiando o direitista Sérgio Moro em suas “10 medidas contra a corrupção”, que buscam substituir o esquema de corrupção com cara petista por um com o rosto da direita.

Um ano depois, a tarefa de superar o conformismo e a trégua da burocracia, construindo uma forte Greve Geral, segue como a ordem do dia.

As reformas de Temer seguem a todo vapor apesar da crise política e dos envolvidos na Lava Jato. Antes, durante e depois do golpe não vimos a tal ‘resistência’ prometida pela burocracia petista. Ao contrário: às portas do chamado para greve geral do dia 28 de abril, os trabalhadores, além de lutar contra as patronais, ainda encontram o clima de trégua das centrais sindicais que já desviam a disposição de luta dos trabalhadores para o ‘projeto Lula-2018’.

Já alertávamos: golpistas não serão derrotados com discursos, mas com manifestações e paralisações.

As demonstrações do #15M comprovaram nossa aposta na disposição de luta dos trabalhadores e que sua ação independente poderia ter sido a única força capaz de impedir o golpe institucional e os ataques aos direitos democráticos, além do fortalecimento superestrutural da direita golpista visto durante as eleições de 2014.

A CUT, CTB, UNE e demais direções petistas do movimento de massas impediram que os sindicatos lutassem contra os ajustes e a impunidade do “seu governo”, fazendo meras críticas formais aos aspectos mais direitistas do mesmo, porque seu verdadeiro plano era preparar a campanha para o retorno de Lula em 2018. Uma verdadeira traição, pela qual o movimento operário brasileiro segue pagando a conta. Além disso, ficou claro que os burocratas temem muito mais a espontaneidade de sua base do que os patrões e a direita.

Ainda é possível – e tarefa imediata – efetivar uma grande greve geral. Para isso, é tarefa dos partidos, grupos e organizações de esquerda e dos trabalhadores, que as mobilizações do dia 28 venham a partir de comitês de auto organização de base. Que ampliemos para os locais de trabalho e estudo o objetivo de massificar a luta e que se debata um plano concretizando ações para a construção de uma Greve Geral de fato, elegendo delegados de base para não permitir que sejam os burocratas sindicais que em portas fechadas definam os rumos do movimento.

Que o dia 28 de abril seja o começo de uma aliança efetiva e independente de trabalhadores com a juventude aos demais setores oprimidos como trabalhadores sem-terra e sem-teto. Já foram dadas mil provas de disposição de luta contra os ataques dos golpistas e dos patrões e levantando nossas bandeiras comuns, como a luta contra a terceirização e a reforma da previdência e trabalhista, assim como contra o entreguismo e o plano de privatizações de Temer, é possível vencê-los!




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