Mundo Operário

MARÍLIA

Um Domingo Sangrento na indústria de biscoitos Marilan

O recente caso da trabalhadora que teve os dedos mutilados na Marilan revela a precariedade das condições de segurança dos operários e operárias da fábrica, que se agrava ainda mais diante da sede de lucro dos capitalistas que aceleram a produção para alcançar suas metas - impondo ritmos de trabalho degradantes para a saúde dos trabalhadores.

quarta-feira 2 de setembro de 2015| Edição do dia

“O operário torna-se um simples apêndice da máquina e dele só se requer o manejo mais simples, mais monótono, mais fácil de aprender.”¹

Para quem vive a realidade de uma indústria costuma se identificar muito com este famoso trecho, do Manifesto do Partido Comunista escrito em 1848 por Karl Marx e Friedrich Engels já tendo lido ou não.

Neste último dia 16/8, este trecho ganhou outro significado na empresa de biscoitos Marilan (localizada na cidade de Marília), um significado de sangue e horror presenciado pelos trabalhadores e trabalhadoras do empacotamento da empresa.

Situação em que presenciaram um companheira de serviço perder metade 3 dedos da mão (indicador, médio e anelar), a jornada de trabalho acontecia normalmente quando a trabalhadora se agachou para ajeitar o tapete ergonômico, quando se levantou apoiou-se na máquina de empacotamento para se levantar, enroscando os 3 dedos da mão na corrente do maquinário tendo seus dedos esmagados pela engrenagem da máquina.

O clima de terror logo se espalha pela linha de produção e as trabalhadoras horrorizadas e indignadas com o ocorrido se negaram a continuar trabalhando, portanto a linha de produção foi parada de forma forçada.

Alguns desavisados podem perguntar: “mas não foi erro dela se apoiar na máquina para se levantar”? A resposta é um categórico Não!, pois nesses casos cotidianos de acidentes de trabalho no interior das indústrias nada tira da empresa a responsabilidade.

Locais que oferecem riscos aos trabalhadores deveriam ter no mínimo uma proteção, para que a trabalhadora não tivesse acesso ao local das engrenagens como especificado na Norma Regulamentadora 12-Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Isto por si só já mostra a responsabilidade da empresa e do SESMET (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho). E tal responsabilidade fica mais comprovada se levarmos em conta o fato da trabalhadora ter mais de 2 anos de experiência na indústria, ou seja, ela conhecia bem o serviço.

Mais uma situação que infelizmente aparece no cotidiano dos trabalhadores, mostrando os limites da segurança do trabalho dentro do regime capitalista em que a produção sempre estará acima da segurança – haja visto as diversas formas de assédio moral para se atingir a meta de produção que sofrem os trabalhadores em seus postos de trabalho somadas a uma grande negligência das condições de segurança.

A equipe do Esquerda Diário se solidarizara com a trabalhadora da Marilan, assim como todas as trabalhadoras e trabalhadores que todos os dias sofrem em decorrência dos acidentes de trabalho que mutilam corpos e levam vidas. Nos colocamos ao dispor dos trabalhadores de Marília para ser cada vez mais um canal de denúncia das condições de trabalho desumanas impostas pela sede de lucro desenfreada dos capitalistas, que destroem os corpos de milhões de trabalhadores em todo o mundo cotidianamente.

¹ Karl Marx e Friedrich Engels, manifesto comunista, página 46, Boitempo 4° reimpressão: junho de 2005




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