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UTIs do CAISM e da Maternidade suspendem novos atendimentos: PSB e Unicamp humilham as mulheres

Na noite desta segunda (23), a Maternidade de Campinas declarou que está sem vagas para receber novos pacientes, com todos os 40 leitos da UTI neonatal ocupados. O Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), na Unicamp, tinha publicado momentos antes, no mesmo dia, que estava suspendendo novas internações de recém-nascidos por 24h, também por superlotação.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

quinta-feira 26 de julho| Edição do dia

Foto: Matheus Pereira/AAN

Pela vida e saúde das mulheres, é absurda a situação em que se encontra a saúde nessa conjuntura de ataques dos governos e da reitoria da Unicamp. No comunicado solto pela Maternidade de Campinas, a informação é de que, a partir do dia 23, não há capacidade para receber novos pacientes, que “não poderá receber nenhuma internação acima da sua capacidade instalada para o bem-estar dos pacientes já internados e para garantir a assistência obstétrica e neonatal".

A cidade de Campinas, segundo a prefeitura, tem 49 leitos SUS de UTI e 36 de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatais. 21 são geridos pela Maternidade e 34, pelo Hospital Celso Pierro, e essa condição de superlotação é monitorada pela Central de Regulação, que é quem iria anunciar as vagas liberadas.

No CAISM, foi também uma superlotação na UTI neonatal que acarretou a suspensão das internações na segunda. O hospital teria acolhido mais de 38 bebês e o número de gestantes de alto risco internadas também foi grande, alega a diretora clínica Helaine Milanez em entrevista para a EPTV.

Em nota, a direção do CAISM afirma que essa medida foi tomada para “preservar a segurança da assistência ofertada aos recém-nascidos” que se encontravam em atendimento. Por isso, quando a precariedade da saúde chega num limite para a obstetrícia, é declarada a superlotação com a reavaliação em 24h.

Na quarta (25), houve algumas transferências do CAISM para a Maternidade de Campinas e para o Hospital Estadual Sumaré Dr. Leandro Franceschini, o que acarretou neste terceiro hospital operação também com capacidade máxima. O CAISM ainda segue operando em suspensão por conta da capacidade máxima, segundo informações retiradas do Correio Popular.

Isso acontece num cenário em que a greve dos trabalhadores da Unicamp acaba de se encerrar. Greve cuja linha de frente era de trabalhadoras do CAISM e do Hospital de Clínicas justamente pelas péssimas condições de trabalho ligadas à precariedade da área da saúde na universidade, num hospital de referência para os cuidados da saúde da mulher.

Foi isso que trabalhadores denunciaram, inclusive aqui no Esquerda Diário, sobre a situação do CAISM: acompanhantes de pacientes que são obrigados a dormir no chão, já que não existem locais adequados para dormir, gerando diversas situações-limite dentro do hospital; equipamentos de exames médicos que são novos e caríssimos, mas que não funcionam há meses, ou que funcionam parcialmente, fazendo pacientes doentes repetirem os exames diversas vezes para se chegar ao diagnóstico e expondo os pacientes à radiação.

E é isso que, como primeiro atacante, a reitoria de Marcelo Knobel, embora vá à Folha de São Paulo se colocar como defensora das mulheres, relega à classe trabalhadora e à população, e especialmente às mulheres, com um descarrego de uma dita crise orçamentária nas costas dos trabalhadores e estudantes da Unicamp, se negando a abrir as contas da universidade para que estudantes e trabalhadores, como maioria da comunidade acadêmica, tenham o direito de decidir os rumos das verbas.

Acompanhado e sustentado nessa conjuntura de ataques, Marcelo Knobel está na mesma linha do prefeito Jonas Donizette e o governador interino Márcio França, ambos do PSB. Na cidade, esses ataques à saúde significam diretamente escândalos de corrupção e privatização do Hospital Ouro Verde, na periferia de Campinas, assim como o fechamento da UPA do centro.

Ou seja, é com esse amparo de ataques dos governos do PSB que, inclusive, a casta burocrática da Unicamp é alimentada, com aumento do teto salarial do alto escalão do funcionalismo público do estado de São Paulo, enquanto esses aliados negaram reajuste aos trabalhadores das estaduais. Levando em conta que é ela também que aprova os ataques dentro da universidade através do Conselho Universitário (CONSU), é ela quem isola o conhecimento e tecnologias produzidos dos trabalhadores e da população de Campinas. Como todos sabemos, a referência da Unicamp na cidade é somente como um hospital, isto é, hoje até isso está sendo negado por Knobel com seus aliados.

Por isso, é muito necessário que, pela vida e saúde das mulheres e de toda a população de Campinas, arranquemos a estrutura universitária do poder da casta privilegiada com seus altos salários. Por uma universidade que esteja a serviço dos trabalhadores, é imprescindível que levantemos uma estatuinte pelo fim da reitoria e do CONSU, com uma Unicamp gerida pelos estudantes, trabalhadores e docentes no peso que existem na universidade, para que tenhamos uma saúde de qualidade e que atenda à demanda, para que o conhecimento seja produzido para a nossa qualidade de vida, e não para gerar lucros.




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