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GREVE UNICAMP

UNICAMP: Seguimos em greve contra as punições

Após quase dois meses de ocupação da reitoria da UNICAMP, os estudantes desocuparam, sob ameaça de reintegração de posse e mediante os avanços acordados. Continuam em greve para que nenhum estudante seja punido e impulsionam uma campanha contra um processo de sindicância já em curso e outras ameaças de punições.

sábado 9 de julho de 2016| Edição do dia

Patrícia Domingos/Especial para AAN

A ocupação da reitoria vinha desde o dia 10 de Maio, com greve votada em 17 cursos, como a Engenharia Mecânica e a Medicina, e ocupação de escritório no campus de Limeira – uma mobilização histórica na universidade. A reitoria da UNICAMP adotou uma linha intransigente e chantagista, ameaçando reintegração de posse e a presença da polícia no campus, o que fere o acordo conquistado com luta em 2013 e é algo que não ocorreu nem durante a Ditadura Militar. Além disso, recusou-se a negociar a suspensão dos cortes ou mesmo que pudéssemos ter um amplo debate com a comunidade acadêmica sobre o orçamento da universidade, quando estão sendo cortados 10 milhões de reais do Hospital das Clínicas, além de se negar debater a questão das não punições aos estudantes em luta. Esta última reivindicação é o que segue sendo o principal ponto de unificação da greve estudantil.

No Brasil todo a juventude se levanta contra os ataques à educação e os governos que querem precarizar nossas vidas, tendo que se enfrentar com a repressão. O secretário de Segurança Pública do governo golpista do Temer, Alexandre de Moraes, fez escola com o Alckmin em São Paulo e demonstra a truculência do governo do estado – como vimos com os secundaristas no Centro Paula Souza. Com as reitorias, não é diferente. A repressão escandalosa no CRUSP se soma ao segundo mês consecutivo no qual os trabalhadores em greve da USP têm seus salários cortados. Tadeu na UNICAMP, junto às diretorias que afirmam a necessidade de punições exemplares e a sindicância contra um estudante negro em luta por cotas raciais, mostra ser mais uma cara da criminalização aos lutadores que se expressa em todo o país.

Uma coisa é certa: nossa mobilização incomoda. Enfrentar o elitismo e o racismo numa universidade como a UNICAMP, que, junto à USP, é um de seus bastiões, na última cidade a abolir a escravidão, não é uma tarefa fácil, ainda mais em um cenário em que, nesse último período, em meio à polarização nacional, a direita vem se fortalecendo. Ainda assim, desocupamos arrancando 600 vagas na moradia, audiências públicas sobre cotas étnico-raciais, a serem pautadas posteriormente no Conselho Universitário, aumento em 10% do número de bolsas auxílio-social etc. São conquistas importantíssimas relativas à permanência e ao debate de inclusão. Impusemos à reitoria a continuidade do projeto da moradia estudantil que foi arrancado a partir de uma ocupação de 2 anos pelo Movimento Taba, nos anos 80. Isso expressa a força da nossa mobilização.

Assim que desocupamos, saímos em ato às 5h30 da manhã, cantando que “não tem arrego, você pune o estudante e eu tiro o seu sossego”, para trancar o Instituto de Matemática e Estatística e Ciência Computacional (IMEEC). Para nós, o local é um símbolo dos assédios e das agressões contra o direito de greve dos estudantes, cuja diretoria é responsável pela sindicância aberta contra Guilherme Montenegro, membro do DCE. O trancaço durou o dia todo, com o espírito que demonstra que seguimos firmes na luta contra as punições.

Foi um momento importante logo após a desocupação. Agora nossos próximos desafios passam por cada vez mais expressarmos nossa greve para fora, com uma campanha ampla e democrática, que agregue, além dos funcionários e professores que já se solidarizam e nos apoiam, também intelectuais, artistas e movimentos sociais, para que nenhum estudante seja punido por defender a educação pública e lutar para que a juventude negra e pobre tenha acesso à universidade e nela possa permanecer. Precisamos dar continuidade aos exemplos da aula pública realizada por docentes e estudantes do Instituto de Economia e o de Artes no centro de Campinas, que permitiu um diálogo com a população da cidade sobre as nossas pautas e a necessidade da nossa luta, e das panfletagens, no HC e em terminais, que já realizamos. Para isso, também é necessário percebermos os limites da política levada a frente pela direção do DCE que se equivocou, desde o início do conflito, ao contrapor as nossas ações dentro da universidade à “colocarmos a greve na rua”, ao não ter tido esforços para se unificar com os trabalhadores e não ter dado peso devido às ações que permitiam dialogar com a população, ao não unificar com a USP e UNESP, não contribuiu com a disputa necessária da opinião pública e mudança na correlação de forças. A combinação da nossa atuação exemplar dentro da UNICAMP e a massividade impressionante que o movimento alcançou poderiam ser os maiores pontos de apoio para que, com o apoio da população, virássemos o jogo contra a intransigência da reitoria.

Nós, da Faísca – Juventude Anticapitalista e Revolucionária, expressamos na Assembleia essas ideias e a posição minoritária de que a ocupação ainda nos servia como uma ferramenta que, combinada a estratégia radicalizada de valorização da força do nosso movimento e a unificação, poderia colocar a reitoria contra a parede e, junto a uma ampla campanha democrática lhe arrancar a garantia de que a resposta a nossa luta não será qualquer punição. Também questionamos a proposta acordada de reconhecimento e participação na comissão de sindicância, contra isso propomos uma comissão independentes– algo que poderia contar com uma composição a partir das entidades dos estudantes e trabalhadores da universidade, como o DCE, STU e ADUNICAMP, pois não podemos legitimar instâncias que não fortalecem os lutadores, mas, pelo contrário, têm como objetivo consciente punir, com a discussão concentrada apenas no “como punir”.

Participe da campanha: “Quem luta por educação não merece punição! Pune um, pune todas e todos!”.

https://www.facebook.com/kinoandaluz.unichamps/videos/146385959117375/
Vídeo que os estudantes da UNICAMP fizeram contra as punições




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